ZENIT 24/08

Comunicar a fé hoje


Muitas famílias deixam de ir à Missa porque as crianças não param quietas
Entrevista com Rachel Abdalla, Presidente da Associação Pequeninos do Senhor

Por Thácio Siqueira

CAMPINAS, sexta-feira, 24 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – O que fazer com os filhos pequenos na hora da Santa Missa? Como se concentrar com a garotada gritando e correndo pelo corredor da Igreja? Sem dúvida, toda família com criança pequena sabe da aventura que é cada missa dominical.

Pequeninos do Senhor (www.pequeninosdosenhor.com.br) é um projeto da Arquidiocese de Campinas, fundado em 1997 na casa de uma catequista, com somente 8 crianças no princípio, e que propôs uma solução eficaz para esse problema.

Hoje, Pequeninos do Senhor, já está implantado em mais de 100 paróquias, conta com 250 catequistas, voluntários e está até fora do Brasil.

ZENIT entrevistou Rachel Abdalla, atual presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor, e uma das fundadoras. Rachel nos explica a origem do projeto e como é fácil montá-lo na própria paróquia ou diocese.

Publicamos entrevista na íntegra.

***

ZENIT: A senhora é a presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor. Qual é a proposta da Associação? Quem iniciou o projeto e como foi a inspiração?

Rachel Abdalla: Sou uma das fundadoras e estou como presidente da Associação Pequeninos do Senhor fazendo parte de uma equipe de 12 discípulas que estão à frente desta obra de Deus para servir a Igreja de Cristo.

Nossa proposta é levar a família para o dia do Senhor, abrindo um espaço para as crianças durante as Missas nos finais de semana, para serem evangelizadas desde pequeninas.

Os sete primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento intelectual, físico, psicológico e espiritual de toda pessoa humana, pois é considerado o momento mais importante para a formação do caráter, da personalidade , da afetividade e dos valores. Neste período, todas as experiências vividas são assimiladas e servirão de base para as suas condutas durante toda a vida. Embasadas nesta afirmação, um grupo de quatro mães (eu era uma delas), em 1997, acreditou que, quanto antes a criança for inserida na Comunidade cristã, conhecer Jesus e aprender seus ensinamentos e as virtudes cristãs, mais chances ela tem de permanecer na Igreja e se tornar um adulto fortalecido na fé.

Inspiradas pelo Espírito Santo, este grupo formou a Comunidade Pequeninos do Senhor que hoje é um serviço da Igreja que acolhe os pequeninos de 3 a 7 anos, para conhecerem Jesus e aprenderem Seus ensinamentos, durante as Missas nos finais de semana.

ZENIT: Já são mais de 100 paróquias que implantaram esse projeto no Brasil e além-fronteiras nacionais. O que é preciso fazer para ter o projeto implantado em uma Paróquia?

Rachel Abdalla: Este subsídio oferece, também, uma formação para os catequistas, para que cresçam espiritualmente, transformando a Palavra de Deus, que é viva, em prática cristã, testemunhando, no dia a dia, a fé e a esperança onde estão.

Para ter acesso a este subsídio, é preciso implantar o Projeto ‘Pequeninos do Senhor’ na Paróquia. Para isso, basta que o Pároco ou um catequista, preencha um ‘cadastro’ que se encontra no site www.pequeninosdosenhor.com.br para, em seguida, receber uma instrução por telefone ou por email.

Atualmente (2012), o projeto ‘Pequeninos do Senhor’ está implantado em mais de 100 Paróquias e Comunidades em vários Estados do Brasil, em Angola, Moçambique, Cabo Verde e no Canadá, em uma Comunidade de portugueses.

ZENIT: Uma das grandes dificuldades das famílias com crianças pequenas é participar da Santa Missa. Por que os pais sentem essa dificuldade? A senhora tem filhos?

Rachel Abdalla: Muitas famílias deixam de ir à Missa porque as crianças não param quietas, incomodam a comunidade, atrapalham a concentração dos fiéis e, com isso, os pais sentem-se constrangidos de levá-las consigo para a Igreja. E, por não terem com quem deixá-las, acabam não participando, também, deste compromisso cristão, deste encontro dos filhos com o Pai.

Foi por sentir isso dentro de nossas famílias que desejamos, inspiradas pelo Espírito Santo, acolher os pequeninos durante as Missas, nos finais de semana, com o propósito de evangelizá-los com o mesmo Evangelho do Domingo, num espaço adequado e especialmente preparado para eles, enquanto seus pais participam da Celebração da Eucaristia.

Eu tenho duas filhas que hoje já são adultas (23 e 19 anos) e elas participaram do projeto desde bem pequeninas, quando iniciamos os encontros em 1997.

ZENIT: Desde 1997 que o projeto está funcionando. Como foi a acolhida entre os bispos, sacerdotes, e agentes de pastoral? O projeto tem o apoio de algum bispo do Brasil?

Rachel Abdalla: O Concílio Vaticano II, através da Constituição Lumem Gentium (1964) define a Igreja como Povo de Deus, e incentiva e apoia os leigos a trabalharem com todo vigor para Cristo. Porém, com toda razão, a Igreja ainda permanece muito zelosa e cautelosa para dar o seu apoio incondicional a uma obra evangelizadora, principalmente àquelas que nascem a partir de leigos. É preciso, antes, que esta obra se consolide, cresça e mostre seus frutos para que seja reconhecida. Mas, nada disso impediu que esta obra de Deus crescesse e avançasse por caminhos tão diversos! E nós não temos noção do tamanho dela, porque somos apenas instrumentos capacitados pelo Pai que tudo vê e tudo sabe.

O trabalho de evangelização com os pequeninos iniciou em 1997, e somente 13 anos depois, em 2010, foi possível o reconhecimento oficial através de um ‘Ad Experimentum’ por 5 anos, pela Arquidiocese de Campinas.

Por ocasião do ano 2000, o nosso então Arcebispo, Dom Gilberto Pereira Lopes, aprovou, apoiou de imediato, nos incentivou e abriu as portas da Cúria para a divulgação entre o Clero. E, a partir daí, nós semeamos a ideia dentro da nossa Arquidiocese e, no tempo de Deus, o projeto foi sendo implantado e desejado por outras Paróquias.

Quando Dom Bruno Gamberini, in memoriam (+2011), assumiu a nossa Arquidiocese em 2005, ele também nos apoiou, orientou e encaminhou para a apresentação do projeto em outras Dioceses circunvizinhas, o que permitiu também a amplitude da divulgação, além de apoiar a fundação da ‘Associação de Fiéis Leigos’, denominada ‘Pequeninos do Senhor’, em 2010.

Em abril deste ano de 2012, Dom Airton José dos Santos assumiu a Arquidiocese e, recentemente, apresentamos a Associação Pequeninos do Senhor a ele que nos acolheu com muito estímulo, focando a obra como uma importante etapa inicial da catequese catecumenal.

O ‘Pequeninos do Senhor’ é uma obra Diocesana, oficialmente reconhecida pela Arquidiocese de Campinas e atualmente, o nosso pastor é Dom Airton José dos Santos; e o nosso Diretor Espiritual é o Mons. João Luiz Fávero, Vigário Geral da Arquidiocese de Campinas. Nosso próximo passo, dentro da Igreja, nos próximos 3 anos, será encaminhá-la para a aprovação Apostólica, em Roma.

ZENIT:A Associaçãovive do quê? Recebe doações? Como fazer para ajudar?

Rachel Abdalla: A Associação não tem fins lucrativos, promove eventos para o seu sustento próprio,  não depende de nenhum órgão civil ou particular, e nem da Igreja de Campinas para a sua subsistência. Aceita doações particulares, somente. Optou-se por isto a exemplo de São Paulo: “Ainda vos lembrais, meus irmãos, dos nossos trabalhos e fadigas. Trabalhamos de noite e de dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Foi assim que pregamos o evangelho de Deus.” (1Tess 2,9)

A Associação tem uma estrutura pequena e poucas despesas. Pelo menos, por enquanto, o que precisamos é apenas da divulgação da obra para que possamos evangelizar os preferidos de Jesus: as criancinhas. E, principalmente, de orações para que a obra não pereça por falta de operários.

“O Senhor completará o que em meu auxílio começou. Senhor, eterna é a vossa bondade: não abandoneis a obra de vossas mãos.” Sl 137

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Brasil


Participação cidadã
Dom Walmor Oliveira de Azevedo fala sobre Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre o repasse de 10% das receitas correntes brutas da União para a Saúde Pública Brasileira

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 24 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Já está em pauta a convocação para uma importante participação cidadã: a coleta de assinaturas para a conquista do Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre o repasse de 10% das receitas correntes brutas da União para a Saúde Pública Brasileira. O abaixo-assinado situa-se no horizonte de um movimento nacional que objetiva garantir, legalmente, a priorização da saúde pelos governos. Além do repasse dos 10%, a mobilização busca maior transparência e correta aplicação dos recursos no Sistema Único de Saúde (SUS).

O povo brasileiro merece, por tantas razões e possibilidades, uma saúde pública de qualidade. Relembrando a abertura das olimpíadas de Londres deste ano, que fez referência ao sistema público de saúde inglês, prospectivamente podemos antever, como marco regulatório de prazo, as olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, dando um grande empurrão na direção da conquista desta qualidade com a Lei de Iniciativa Popular. O volume de um milhão e trezentas mil assinaturas garantirá o encaminhamento da proposta à Câmara dos Deputados.

Essa participação cidadã pode ser iluminada pela significação e repercussão da vitória popular que é a Lei da Ficha Limpa. Graças à mobilização de muitos, a sociedade conquistou um avanço na legislação imprescindível para o seu progresso. Amadureceu também em sua exigência, sempre pertinente, quanto à estatura moral de dirigentes, gestores, governantes e até do cidadão comum. No embalo dessa vitória, temos a oportunidade de se trabalhar denodadamente por uma nova Lei de Iniciativa Popular. Dessa vez é a saúde pública em pauta. O cidadão precisa reconhecer sua força e impulsionar essa questão da maior relevância social e política, prioridade nos interesses de cada um e de nossas famílias. Particularmente, há de se constatar que a defesa da saúde pública é um gesto concreto de opção preferencial pelos pobres.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na sua 50ª Assembleia Geral realizada em abril, aprovou de forma unânime o empenho da Igreja Católica, em cooperação com outras instituições, na tarefa de recolher assinaturas de apoio ao Projeto de Lei. Essa aprovação é um gesto concreto de compromisso, em sintonia com o horizonte traçado pela Campanha da Fraternidade 2012. Neste ano, a Campanha traz como tema a Fraternidade e Saúde Pública. O empenho de cada um para “que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo. 38,8) pode encontrar na coleta de assinaturas, pela Lei de Iniciativa Popular em defesa da saúde pública, uma oportunidade de gesto concreto no comprometimento social e engajamento político.

A Campanha da Fraternidade 2012 objetiva uma grande mobilização pela melhoria na saúde pública. A conquista dessa Lei de Iniciativa Popular, agora, no seu passo primeiro e decisivo, precisa de uma volumosa coleta de assinaturas. É importante uma intensa participação de instituições educativas, religiosas, culturais, privadas e outras todas acionando a sua capilaridade, maior ou menor, coletando assinaturas, com informação simples dos dados pessoais como nome completo, endereço, números do título de eleitor, zona e seção. Pelo gesto concreto de cada cidadão pode-se alcançar o número de assinaturas exigidas para a tramitação do Projeto no Congresso.

É muito simples assinar, com um gasto mínimo de tempo. Também é fácil conseguir, por uma razão tão nobre, outras assinaturas. A folha própria para isso pode ser impressa em casa. Está disponível na internet, em muitos sites, como no da Arquidiocese de Belo Horizonte (www.arquidiocesebh.org.br).  É importante que cada um seja agente divulgador, com o empenho de conseguir uma quantia mínima de novas assinaturas. As folhas preenchidas podem ser encaminhadas a paróquias e a outras instituições que fazem parte desse Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública. Vamos trabalhar, incansavelmente, na busca pelo atendimento de saúde digno e de qualidade, importante anseio da sociedade, necessidade urgente dos mais pobres.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

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Mundo


Aeroporto de Miami terá missa dominical
Iniciativa é da arquidiocese no Ano da Fé

MIAMI, sexta-feira, 24 de agosto de 2012 (ZENIT.org)- Às portas do Ano da Fé proclamado por Bento XVI na carta apostólica Porta Fidei, a arquidiocese de Miami lança uma iniciativa particular e urgente.

O aeroporto internacional da cidade oferecerá aos seus usuários e funcionários uma missa dominical adaptada a trinta minutos, celebrada todo sábado à tarde na capela interconfessional do quarto andar do Terminal D Norte.

Em carta informativa, o arcebispo Thomas Gerard Wenski afirma que um aeroporto “com milhares de trabalhadores e centenas de milhares de passageiros é como uma cidade. E nada melhor do que uma capela e a presença de ministros religiosos para transformá-la em uma comunidade”.

Na carta, o bispo norte-americano menciona o discurso de Bento XVI aos capelães e agentes de pastoral da aviação civil, de 11 de junho, em que o papa ressalta “a importância das capelas dos aeroportos como lugares de silêncio e de descanso espiritual” e pede que eles “não sejam indiferentes às pessoas que ali encontram, mas as tratem com disponibilidade e com amor”.

Os capelães católicos de aeroportos são cerca de 130 em todo o mundo. Sua padroeira é Nossa Senhora de Loreto.

[Trad.ZENIT]

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A síndrome de Down participa do Encontro da Amizade em Rímini
Associação cultural Cantare Suonando se apresenta no estande do Movimento pela Vida

Alberto Sabatini

RÍMINI, Itália, sexta-feira, 24 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – O carinho e calor humano das crianças com síndrome de Down são conhecidos de todos, assim como o seu amor pela vida, que brilha na simplicidade do seu olhar tão limpo e, ao mesmo tempo, tão decidido.

O que talvez seja menos conhecido é que esses jovens têm habilidades de aprendizado fora do comum.

Quem está convencido deste fato são os fundadores da Associação Cultural Cantare Suonando, de Trento, que reúne cerca de 60 crianças com síndrome de Down de toda a região do Trivêneto, no nordeste da Itália. A associação, fundada em 1997 por um grupo de pais, apresenta esta noite (24) um concerto no estande do Movimento pela Vida, durante o Encontro da Amizade em Rímini.

“Conheço há mais de 10 anos a associação e seu diretor artístico, Marco Porcelli”, conta Pino Morandini, vice-presidente do Movimento pela Vida italiano, “e posso garantir que eles são ótimas pessoas, tanto humana quanto profissionalmente. Estes jovens têm uma capacidade fora do comum de aprender e de executar a música. A síndrome certamente não é um limite, como muitas vezes tendemos a pensar, mas um ponto forte. Ele se firmaram como uma realidade única na Europa, pela singularidade do enforque educacional e terapêutico dos seus professores e formadores, e já se apresentaram até no Parlamento Europeu em Estrasburgo. Como Movimento pela Vida, nós temos a honra de recebê-los em nosso estande e temos certeza de que todos os participantes do Encontro vão ficar boquiabertos com o desempenho deles”.

[Trad.ZENIT]

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Não é possível viver sem alma
Reitor do Ateneu Regina Apostolorum explica que não há infinito sem Deus

Antonio Gaspari

RÍMINI, Itália, sexta-feira, 24 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Entre um evento e outro, encontrei no Encontro da Amizade em Rímini o padre Pedro Barrajón, reitor do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (APRA), de Roma.

Perguntei o que ele pensa do tema escolhido este ano para o Encontro: A natureza do homem é relação com o Infinito.

Barrajón me explicou: “Esse tema coloca o dedo numa ferida contemporânea, que é o esquecimento da transcendência. Muitas das antropologias atuais são ‘antropobiologias’, teorias em que o homem é reduzido a um mero fato biológico. A natureza do homem tem relação com o infinito, o que significa que o homem é aberto à transcendência. O cardeal belga Julien Ries diz que este é o grande preâmbulo para a nova evangelização”.

De acordo com Barrajón, a Nova Evangelização “exige a reproposição da busca do sagrado, que nada mais é que a relação com o infinito e a fé em Cristo”.

Falando sobre o Encontro, Barrajón observa que a iniciativa da Comunhão e Libertação procura responder à grande fratura da modernidade: a separação entre a cultura e a fé. “O Encontro quer sanar essa fratura, tratando da natureza do homem com o infinito”.

“O homem, na sua materialidade, é um ser finito?”, perguntei ao reitor, que me respondeu: “Em termos físicos, sim, o homem tem essa peculiaridade de ser finito. Mas como pessoa ele é infinito. Ser pessoa significa ser feito à imagem e semelhança de Deus”.

“De todas as criaturas”, prossegue Barrajón, “o homem reflete Deus de maneira pessoal. Deus pode amar uma pessoa e ser amado por ela. Deus estabelece com o homem uma relação de iguais, e esta é a grandeza da pessoa humana”.

O teólogo Hans Urs von Balthasar afirmava que o homem tinha “algo mais” que a natureza: “O homem é uma criatura e seu ‘algo mais’ é a grandeza e o mistério da pessoa”. Neste sentido, o reitor do APRA lembrou o profº Giancarlo Cesana, que diz que “a neurociência não pode eliminar o mistério do homem”.

“Há uma tentativa de reduzir o homem às funções do cérebro”, observa Barrajón. O cientista Francis Crick, por exemplo, opina que “somos apenas um pacote de neurônios”.

“Este é o problema”, comenta Barrajón: “é uma óbvia tentativa de reduzir o homem ao mero funcionamento biológico. O homem é visto só de uma perspectiva científica materialista, que não é aberta nem à filosofia nem à teologia”.

Para o reitor, “as neurociências deveriam considerar um horizonte mais amplo que o do simples corpo ou dos neurônios. Todo o corpo humano tem mais dignidade, porque é permeado pelo espírito”.

Barrajón considera necessário dar um aspecto humanista às neurociências, para que elas não se tornem “fins em si mesmas”. É oportuno mencionar que o Ateneu Pontifício Regina Apostolorum oferece o curso Alma e Ciênciae, em sua faculdade de Bioética, inclui no programa de estudos a Neurobioética.

[Trad.ZENIT]

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Caso Ramsha: Paquistão tem a chance de mostrar sua humanidade
Prisão de menina de onze anos com síndrome de Down viola Convenção sobre os Direitos da Criança

Valentina Colombo

ROMA, sexta-feira, 24 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Que os cristãos são perseguidos no Paquistão é fato mais que conhecido. Também é mais do que sabido que, no Paquistão, os cristãos e os muçulmanos liberais são frequentemente acusados ​​de blasfêmia, presos e punidos. Mas ninguém parece se importar. Até acontecem alguns apelos de quando em quando, mas as instituições internacionais permanecem no geral em silêncio. Ficarão mudas também neste caso?

A pequena Ramsha, de 11 anos, menina cristã com síndrome de Down, foi acusada de blasfêmia por ter queimado algumas páginas de um livreto de lições da língua árabe, no qual havia versículos do alcorão.

A lei da blasfêmia no Paquistão, uma das mais rígidas do mundo islâmico, é regularmente utilizada para atacar as minorias do país, em especial os cristãos e os ahmadiyya. O capítulo XV do código penal paquistanês fala claro sobre as “Infrações relativas à Religião”. O crime de blasfêmia pode ser imputado a qualquer um que “deturpar um local de culto com a intenção de insultar qualquer religião”; a qualquer um que “realizar atos criminosos deliberados destinados a ultrajar os sentimentos religiosos, insultando uma religião ou credo religioso”; a qualquer um que “deprezar o santo alcorão”; a qualquer um que “usar deliberadamente de palavras para ferir os sentimentos religiosos”; a qualquer um que “fizer comentários vilipendiosos contra personagens sacros”, e assim por diante.

É evidente que a história de Ramsha é um caso-limite, definível como um absurdo “excesso de zelo”. Ramsha é uma criança, mais frágil e mais sensível do que outras, e, em particular, pertence a uma minoria incômoda. Em qualquer caso seria inconcebível tal determinação e brutalidade contra ela.

É verdade que o presidente Asif Ali Zardari pediu um inquérito sobre este fato lamentável, mas as palavras não são suficientes. Esperam-se atos concretos, não só de parte do presidente, mas de toda a sociedade civil do Paquistão.

Desde 2009, existe no país a Pakistan Down Syndrome Association, cujo objetivo principal é “aumentar a conscientização sobre os direitos de crianças paquistanesas que sofrem da síndrome de Down”. O Paquistão tem “centenas de crianças com síndrome de Down que não são visíveis e que estão escondidas dentro das casas”.

Em novembro de 2011, o Egito também foi palco da experiência da Escola de Educação Especial para o Avanço, iniciativa de Nancy Maghrabi voltada não só às crianças com síndrome de Down, mas também às autistas.

Há esperanças de que estas associações se mobilizem para salvar uma criatura cuja “culpa” é a de ter rasgado um livro do qual talvez nem sequer soubesse o conteúdo.

O contexto paquistanês, de todos modos, é muito mais complexo.

Em 2 de março de 2011, Shahbaz Bhatti, então ministro das Minorias, foi assassinado por ter prometido uma reforma na lei da blasfêmia. O governo paquistanês, como já dito, precisa demonstrar que quer mudar de rumo. Infelizmente, o Paquistão é um dos países da Organização para a Cooperação Islâmica que, por um lado, é favorável à introdução de leis anti-blasfêmia e, por outro, abriga escolas corânicas geridas pelo extremismo islâmico mais radical, nas quais as novas gerações são “educadas” para a intolerância religiosa e social.

Seria suficiente respeitar o artigo 2º da Convenção sobre os Direitos da Criança, que afirma: “Os Estados devem respeitar os direitos previstos na presente convenção e garanti-los a toda criança, dentro da sua jurisdição, sem discriminação de qualquer natureza e independentemente de qualquer consideração de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, da criança e dos seus progenitores ou representantes legais, seja qual for a sua origem nacional, étnica ou social, a sua situação financeira, a sua incapacidade, o seu nascimento e qualquer outra condição”.

A sociedade civil deve pressionar o Paquistão a assinar este compromisso.

Só quando o país reconhecer igual dignidade e liberdade para os seus cidadãos, independentemente de credo religioso e de gênero, só então uma menina como Ramsha poderá desfrutar de uma vida pacífica na própria terra e continuar abrindo aquele sorriso doce, cativante e gratuito, que só uma criança com síndrome de Down é capaz de oferecer a todos, sem exclusões de nenhum tipo.

[Trad.ZENIT]

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Os aforismos no Encontro de Rímini
O infinito visto por autores diversos

Antonio Gaspari

RÍMINI, Itália, sexta-feira, 24 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Na edição do Encontro de Rímini deste ano há uma novidade muito boa.

As escadas da feira expõem aforismos que procuram facilitar a captação do significado mais profundo da XXXIII edição do Meeting, como é comumente conhecido na Itália este Encontro pela Amizade entre os Povos.

“A natureza do homem é relação com o infinito”, escreveu Luigi Giussani, o servo de Deus que fundou a Comunhão e Libertação, responsável pelo evento.

O matemático, físico, filósofo e teólogo francês Blaise Pascal escreveu: “O último passo da razão é o reconhecimento de que além dela há uma infinidade de coisas”.

Sobre o mesmo tema, o poeta britânico Edward Young afirmou: “Imagina baixo demais quem imagina abaixo das estrelas”.

O poeta alemão Johan Wolfgang Goethe considerou que “A vida é a infância da nossa imortalidade”.

“Todas as coisas finitas mostram o infinito”, escreveu o poeta norte-americano Theodore Roethke.

Para concluir, o poeta francês Charles Péguy opina que “A amnésia do eterno é o mal do nosso século”.

A estes aforismos, eu acrescentaria o ponto de vista de Charles de Foucauld, que observa que “o melhor, o verdadeiro infinito, a verdadeira paz, estão somente ao pé do tabernáculo divino”.

Obrigado ao Meeting por essas reflexões.

[Trad.ZENIT]

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Novo apelo da Caritas para mitigar os efeitos da seca na Etiópia
Quase quatro milhões de pessoas precisarão de ajuda alimentária até Dezembro

ROMA, sexta-feira, 24 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Caritas Internacional lançou um novo apelo para continuar com o seu trabalho nas áreas atingidas pela seca da Etiópia. Seus programas ajudarão os agricultores e pecuaristas a produzir mais alimentos e também melhorar a infra-estrutura para ter acesso à água em áreas remotas.

“O pior da seca ocorreu em 2011 e seus efeitos ainda são sentidos em algumas partes do país. Não podemos abandonar nossos esforços agora”, disse Mamo Shiferaw, coordenador do programa de desenvolvimento social da Caritas Etiópia, segundo informa o site da Cáritas Internacional .

As chuvas eram esperadas na primeira metade de 2012 mas foram escassas, o que causou problemas em muitas áreas agrícolas.

O governo etíope indicou recentemente que cerca de 3,76 milhões de pessoas necessitam de ajuda alimentar de agosto a dezembro de 2012.

O novo programa da Caritas, destinado a mais de 60.000 famílias proporcionará gado para as famílias que o perderam durante a seca. Para conservar acessível a escassa água construirá poços e cisternas e restaurará outros sistemas hídricos. Os agricultores receberão sementes, plantas e ração para os animais. Também a Caritas melhorará o acesso às áreas rurais construindo estradas.

“Ainda que não está nas notícias desses dias, muita gente continua sofrendo. É crucial que não nos esqueçamos dos nossos irmãos e irmãs que estão aí”, afirmou Michel Roy, secretário-geral da Caritas Internacional.

Sobre: ​​www.caritas.org