Radio Vaticano 25/08

Bento XVI contribui para a restauração da Basílica de Santo Agostinho, na Argélia

◊   Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Bento XVI fará uma contribuição pessoal aos trabalhos de restauração da Basílica de Santo Agostinho, localizada na cidade de Annaba, na Argélia. Segundo o jornal vaticano L’Osservatore Romano, além do Pontífice, também contribuíram para a reforma várias autoridades francesas e argelinas, instituições públicas, ordens religiosas e dioceses. O Bispo de Constantine-Hipona, Dom Paul Desfarges, destacou a importância da Basílica de Santo Agostinho diante da “atenção dada pelo Papa à iniciativa”.

Dom Desfarges disse que a ONG Papal Foundation “já havia contribuído, mas Bento XVI, sabendo da necessidade de restauração do antigo templo, quis participar do financiamento com uma contribuição particular”. “Todos nós sabemos o quanto o Pontífice admira Santo Agostinho. Sabemos também que a Basílica não é apenas um local de culto. Toda a colina de Annaba é um local simbólico, um lugar transcultural, transreligioso, e isso se deve à figura de Santo Agostinho que espalha esses valores através do seu humanismo, fé e cultura”, completou o bispo.

Santo Agostinho nasceu em Tagaste, em 354 d.C., e foi Bispo de Hipona (atualmente Annaba) entre 395 e 430 d.C. . Ele é considerado uma das figuras mais importantes para o desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. (SP)

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Igreja no Brasil

Seis anos sem Dom Luciano Mendes de Almeida

◊   Mariana (RV) – A Arquidiocese de Mariana prepara uma série de homenagens que vão marcar o sexto aniversário de falecimento do Arcebispo de Mariana, Dom Luciano Mendes de Almeida, na próxima segunda-feira, dia 27. Entre elas, a tradicional Comenda Dom Luciano, instituída em 2008 por Dom Geraldo Lyrio Rocha, atual Arcebispo Metropolitano. Esta importante condecoração tem como objetivo homenagear personalidades e organizações que, por suas ações afirmativas, cumprem significativo papel no campo da Responsabilidade Social e da educação. Anualmente realiza-se uma sessão solene, no dia 27 de agosto, data do falecimento de Dom Luciano (2006), e comemorativa do aniversário da Faculdade Arquidiocesana (FAM), que a partir de 2007 passa a ter o nome de seu fundador.

Todos os anos o Conselho Permanente da Comenda reúne-se, tendo a responsabilidade de definir os nomes dos que serão agraciados com a “Comenda Dom Luciano Mendes de Almeida, do Mérito Educacional e da Responsabilidade Social”. Neste ano de 2012 serão agraciados o Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo; Dom Francisco Barroso Filho, Bispo Emérito de Oliveira (MG); assim como o Bispo Emérito de Divinópolis (MG), Dom José Belvino do Nascimento; Monsenhor Flávio Carneiro Rodrigues, Diretor do Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana; Padre Júlio Lancelloti e as Irmãs da Beneficência Popular.

As homenagens terão início com a tradicional concelebração eucarística, na Catedral da Sé, no Centro Histórico de Mariana, às 18h30, seguida da sessão solene de entrega da comenda, no Centro Cultural Arquidiocesana Dom Frei Manoel da Cruz (Palácio dos Bispos). Dom Luciano foi Arcebispo de Mariana durante 18 anos (1988 a 2006), falecendo no dia 27 de agosto de 2006.

Atuou como Secretário e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por dois mandatos consecutivos em cada uma das funções. Estimado por todo o episcopado brasileiro, Dom Luciano ficou conhecido especialmente pelo seu amor aos pobres e excluídos e pela defesa dos direitos humanos. (SP)

Biografia
Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida nasceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de outubro de 1930, filho de Cândido Mendes de Almeida e de Emília Mello Vieira Mendes de Almeida. Na juventude, entrou para a Companhia de Jesus, ordem religiosa de Santo Inácio – (Jesuíta). Fez seus estudos de filosofia em Nova Friburgo, de 1951 a 1953 e, em Roma, fez seus estudos de teologia, de 1955 a 1958 e doutorou-se em Filosofia (1965). Foi ordenado bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, em 2 de maio de 1976. Entre outras funções que assumiu no serviço à Igreja de Deus, destacam-se: o trabalho na CNBB, como secretário geral, de 1979 a1987; e depois seu presidente em dois mandatos sucessivos (1988 a 1995); membro da Pontifícia comissão de Justiça e Paz (1992 a 2006); 1º vice-Presidente do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM) de 1995 a 1998. Durante seu episcopado, Mariana comemorou o primeiro centenário como Arquidiocese, coincidindo com seus 30 anos de ordenação episcopal e 18 anos à frente desta Igreja particular. Seu pastoreio fez da Arquidiocese de Mariana, uma Igreja mais integrada à caminhada com a Igreja no Brasil, uma Igreja viva e atuante, solidária e comprometida, à luz da fé, no anúncio do evangelho, no fervor missionário e na erradicação da fome e da miséria. Estão entre algumas de suas muitas iniciativas pastorais: reestruturação dos serviços de atendimento pastoral e social na Arquidiocese; recuperação do acervo histórico, artístico e cultural; maior investimento nos Meios de Comunicação Social (como a criação do Departamento Arquidiocesano de Comunicação – DACOM), na formação e participação dos leigos e multiplicação dos serviços e casas de atendimento aos idosos, crianças, jovens, homem do campo, dependentes químicos, pessoas carentes e com deficiência.
Na organização Pastoral destaca-se, entre outros, a criação das cinco Regiões Pastorais e dos vicariatos, organização dos centros de pastoral: Arquidiocesano e Regionais; realização anual de assembleias pastorais e encontros dos presbíteros e diáconos; organização e nova configuração dos conselhos; organização das pastorais; planos de evangelização. Empenho para com a formação dos padres: reestruturação das casas de formação, investimento na qualificação dos padres formadores, construção de novas dependências, como a casa do Ensino Médio e Propedêutico, criação da FAM (Faculdade Arquidiocesana de Mariana). Ordenou quatro bispos e 186 padres (sendo 94 da Arquidiocese) e 15 diáconos permanentes. Sua saúde foi abalada diante de uma enfermidade, que dia a dia, mais se agravava. Em 27 de agosto de 2006, faleceu Dom Luciano. Mais que nos anais da história, seus feitos de amor estarão inscritos e se perpetuarão nos corações do povo que muito o amou e dele jamais se esquecerá.

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CNBB:Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia se reúne

◊   Brasília (RV) – A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia esteve reunida nos dias 23 e 24 de agosto para definir, analisar, e avaliar os projetos de liturgia da Igreja no Brasil. O objetivo da reunião é fazer uma avaliação de todas as atividades realizadas este ano no setor litúrgico por parte da CNBB. A comissão é formada por Dom Armando Bucciol, Presidente; pelos membros Dom Edimar Perón, Bispo auxiliar de São Paulo, e Dom Fernando Panico, Bispo da Diocese de Crato (CE).

Os bispos são auxiliados pelos três Assessores da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): o responsável pela Pastoral Litúrgica é o Padre Hernaldo Pinto Farias, no Setor de Música Litúrgica, Padre José Carlos Sala, e no Espaço Litúrgico, João Martins.

Durante a reunião cada um dos assessores da comissão informou como tem sido o andamento dos trabalhos nas suas respectivas áreas. “Tivemos uma panorâmica da realidade litúrgica no Brasil, assim como nós a percebemos, no debate e na troca de ideias, detectar algumas áreas, atividades, âmbitos, nos quais precisamos trabalhar mais ou de uma maneira diferenciada”, explicou o Presidente da Comissão, Dom Armando.

Na reunião, os três bispos responsáveis pelo setor são informados das atividades, dos passos dados e dos programas que, anteriormente, tinham sido planejados e foram executadas. “Partilhamos das dificuldades enfrentadas, propostas, e avaliação de tudo que ocorreu neste último período”, disse o presidente. “É sempre muito positivo o intercâmbio e ver em conjunto o que compete à comissão litúrgica”, finalizou Dom Armando. (SP-CNBB)

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Igreja no Mundo

Paquistão: pedida a libertação de menina acusada de blasfêmia

◊   Islamabad (RV) – A organização paquistanesa ‘Aliança das Minorias’ (APMA) entregou nesta sexta-feira, 24, no Tribunal de primeira instância de Islamabad o pedido de libertação de Rimsha Masih, de 11 anos, detida na última semana sob a acusação de “blasfêmia”. A criança, de uma igreja evangélica, teria alegadamente queimado páginas de um livro com passagens do Alcorão e encontra-se presa até à audiência marcada da próxima terça-feira, informa a agência Fides, do Vaticano.

A defesa de Rimsha Masih, menina com a síndrome de Down, pede que a mesma seja seguida por uma comissão médica. Paul Bhatti, Presidente da APMA e Conselheiro especial do primeiro-ministro do Paquistão para a Harmonia Nacional, disse à Fides que os membros desta comissão “podem dar ao juiz o poder de anular a acusação”.

A agência Fides acrescenta que a menina se encontra numa cela e “está sofrendo muito do ponto de vista emocional e psicológico”. A cidade de Rawalpindi, onde vivia a família de Rimsha, está sendo vigiada pela polícia, depois que se registraram incêndios em casas de cristãos, e mais de 600 pessoas fugiram em busca de refúgio temporário junto a outras famílias ou em igrejas e barracas.

Segundo a Fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, a ‘lei da blasfêmia’ tem sido utilizada várias vezes pelas autoridades para atingir indivíduos de grupos religiosos minoritários. Em causa está o artigo 295 do Código Penal paquistanês: a secção B refere-se a ofensas contra o Corão que são puníveis com prisão perpétua; a secção C refere-se a atos que insultam o Profeta Maomé, puníveis com prisão perpétua ou com a morte.

Mehmood Ahmed Khan, membro do Conselho Ideológico Islâmico, afirmou à agência AsiaNews que a menina deve ser “punida” se for “mentalmente estável e tiver cometido o crime” de que é acusada. “Profanar o Corão não pode ser permitido a ninguém”, acrescenta. Já o Bispo católico de Islamabad-Rawalpindi, Dom Rufin Anthony, pede que a comunidade cristã “se una” e promete uma manifestação de apoio a Rimsha Masih para este domingo. (SP-Ecclesia-Fides)

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Apelo da “Ajuda à Igreja que Sofre” em prol da Síria

◊   Königstein (RV) – A Fundação pontifícia “Ajuda à Igreja que Sofre” (AIS) lançou nesta sexta-feira, 24, um pedido de “ajuda urgente” para socorrer os habitantes de uma localidade cristã na Síria, perto da fronteira libanesa, que vivem uma “situação desesperada”. “A situação no local é muito grave. As populações da localidade precisam urgentemente de alimentos e medicamentos, que serão encaminhados para eles através da Caritas do Líbano”, informa um comunicado da AIS.

O nome da localidade não foi divulgado “por razões de segurança”, para “não colocar ainda mais em risco a vida dos seus habitantes”. A Fundação acrescenta que o Patriarca maronita Boutros Bechara Rai, líder da comunidade católica mais representativa do Líbano, esteve reunido recentemente com o responsável da Fundação para o Médio Oriente, quando “recebeu uma informação alarmante” sobre a localidade fronteiriça. Na sua conversa com a delegação da AIS, o patriarca manifestou expressamente o “desejo sincero de ajudar essas pessoas” na Síria.

A Fundação “Ajuda à Igreja que Sofre” pede “a todos os seus benfeitores e amigos” que colaborem nesta campanha e decidiu “conceder uma ajuda de emergência” no valor de 50 mil euros. Segundo a agência Fides, do Vaticano, há mais de 12 mil fiéis católicos cercados numa aldeia da região de Homs, com falta de alimentação e de medicamentos.

O mosteiro grego-católico de São Tiago, edifício do século VI que atualmente abriga uma comunidade de 25 pessoas de nove países e um grupo de 20 refugiados, foi atingido por bombardeamentos de um helicóptero de ataque que visava alguns grupos rebeldes. “Líderes cristãos locais solicitaram às partes beligerantes que poupem as áreas onde vivem os civis e que salvaguardem o patrimônio cultural e religioso do país”, acrescenta a Fides. (SP)

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Escócia: “Domingo nacional pró matrimônio”

◊   Glasgow (RV) – Um “domingo nacional pró matrimônio”: é a iniciativa promovida pela Conferência Episcopal da Escócia para este dia 26 de agosto. Neste domingo vai ser lida nas 500 paróquias do país uma carta pastoral dos bispos em defesa da união ao longo da vida de um homem e uma mulher. Esta é a maneira com a qual os bispos católicos respondem a um projeto de lei anunciado pelo governo sobre a legalização até o ano de 2015, das uniões homossexuais.

“Os políticos devem apoiar o matrimônio, em vez de subvertê-lo. É um único vínculo que dura toda a vida, entre um homem e uma mulher”, diz o texto assinado pelo Cardeal Keith O’Brien, Arcebispo de Edimburgo e Presidente da Conferência Episcopal da Escócia. Portanto, a Igreja exprime a sua “profunda decepção pelo fato de o governo decidir redefinir o casamento e legalizar as uniões entre pessoas do mesmo sexo”.

“Agradecendo então os fiéis pela ajuda dada no passado em prol do verdadeiro casamento, a carta convida os católicos a “continuarem rejeitando qualquer tentativa de redefinir a união conjugal”. A doutrina da Igreja sobre o matrimônio é clara. É a união entre um homem e uma mulher. É errado que o governo, políticos ou parlamentares busquem alterar ou destruir esta realidade”, precisa o texto.

Depois de anunciar a criação de uma Comissão Nacional para o Matrimônio e a Família, a carta conclui convidando os fiéis a rezarem para que o Estado proteja o casamento, enquanto os bispos reiteraram seu esforço para mostrar “o quanto é errado para a sociedade”, as tentativas de redefinir esta união.

Como parte do Ano da Fé convocado pelo Papa Bento XVI, os bispos escoceses querem enfatizar que é “essencial dar uma especial ênfase ao papel da família baseada no matrimonio”, porque é “a Igreja Doméstica, o primeiro lugar transmissão da fé”. (SP)

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Entrevistas

Dom Orani: “Zelar para que se respeite o direito de todos”

◊   Rio de Janeiro (RV) – O Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, é o novo presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional. Escolhido por unanimidade pelos membros do colegiado, a posse aconteceu no último dia 8 de agosto, para um mandato de dois anos. Composto por 13 titulares e 13 suplentes, o Conselho atua como órgão auxiliar do Congresso Nacional, tendo como atribuição a elaboração de estudos, pareceres e recomendações sobre temas relacionados à comunicação e à liberdade de expressão.

Responsabilidade
De acordo com Dom Orani, cada segmento da sociedade brasileira é formado por cidadãos que têm o desejo e o direito de se comunicar, de se expressar e de fazer conhecer as próprias ideias. A presença de um bispo da Igreja Católica no Conselho expressa a postura favorável da sociedade ao direito que assiste a todos os cidadãos: o direito de expor o seu pensamento.
“A eleição como presidente para este mandato é um compromisso muito sério. Como escolhido, devo cuidar e zelar para que se respeite o direito de todos os conselheiros de fazer ouvir suas vozes, de se comunicar. Para mim é uma grande responsabilidade assumir este serviço ao Congresso Nacional”, disse.

Respeito à liberdade de todos
Quanto à questão do proselitismo religioso nas rádios e TVs brasileiras, Dom Orani recorda que todas as potencialidades humanas devem ser exercidas em favor do bem comum e para a promoção coletiva e de cada indivíduo.
Neste sentido, lembra o presidente, que a Constituição deve orientar qualquer questão, onde cada segmento da sociedade, sejam religiosos ou não, são chamados a exercer seu direito de comunicar seu pensamento, sempre respeitando aos demais segmentos e a liberdade de todos.
“Não podemos ter cidadãos de segunda classe sem algum direito apenas por ter ideias de algum segmento. As leis farão sua parte para que sejam respeitados os valores humanos e da liberdade”, pontua Dom Orani.

Programação de qualidade
Uma das preocupações do novo presidente e, consequentemente dos telespectadores, é a questão da qualidade dos programas veiculados pelas rádios e TVs.
Dom Orani assinala sobre os riscos das limitações, como exemplo é o caso da TV aberta, pelo fato que dependem de patrocínios e da classificação de audiência. Mas que o caminho, acrescentou, deve ser o aprimoramento, para oferecer ao povo brasileiro um serviço cada vez melhor.
“Como nada é perfeito, temos produções de qualidade duvidosa, mas também um número significativo de bons programas. Certamente, quanto mais programas promovendo valores como a família, a educação e pela promoção da saúde e dos valores éticos, melhor”, pontuou.

Marco Regulatório
A primeira reunião do Conselho está agendada para o dia 3 de setembro, em Brasília. Um dos assuntos da pauta, que está sendo cuidadosamente planejada, é referente ao Marco Regulatório, dada a sua importância e a carência da legislação brasileira nessa área.
“O Marco Regulatório deve ser um tema constante em nossos encontros, mas acredito que a pluralidade de ideias e experiências dos membros do Conselho poderá somar valiosas contribuições para a definição desse tão esperado instrumento de conduta para a nossa mídia”, lembrou Dom Orani.

Experiência em comunicação
Ainda como padre, na diocese paulista de São João da Boa Vista, Dom Orani já atuava na área de comunicação. Depois de ordenado ao episcopado, exerceu várias funções de relevância em âmbito nacional. Desde 1998, atua como membro do conselho superior do Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã (Inbrac), mantenedor da RedeVida de Televisão e, por dois mandatos, como presidente da Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Enquanto arcebispo de Belém, no Pará, foi presidente da Fundação Nazaré de Comunicação, composta de rádio, jornal, portal e TV.
Dom Orani lembra que o seu trabalho junto à Pastoral da Comunicação certamente agregou conhecimento e experiência, seja do ponto de vista do avanço tecnológico, como das expectativas da sociedade plural.
“Mais do que conhecimento, os cargos exercidos deu-me consciência da grande importância do tema e suas potencialidades, tendo em vista a promoção do bem comum. Eles me ajudaram a ter uma visão global do assunto e das dificuldades que existem nessa disputa, que supõe disputa de poder e de influência na sociedade”, concluiu. (SP)

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Formação

Reflexão para o 21º Domingo do Tempo Comum

◊   Cidade do Vaticano (RV) – A segunda leitura deste domingo, tirada da Carta de São Paulo aos Efésios é aquela famosa reflexão do Apóstolo na qual ele diz que as mulheres deverão ser submissas a seus maridos como a Igreja, a Cristo. Tal afirmação, da submissão da mulher ao marido, nos parece anacrônica, além de misturar algo que foi cultural (a submissão da mulher) com a submissão da Igreja a Cristo, que deverá ser sempre atual. Mas afinal, o que Paulo queria dizer aos Efésios e hoje a nós, cristãos do século XXI?
Seu objetivo está no versículo 21, quando escreve: “Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo”. Em Cristo, como não poderia deixar de ser, está todo o fundamento e norma de comportamento de todo ser humano. Como cristãos, seguimos uma pessoa, Jesus Cristo e não uma ideia. Por isso, vale refletir sobre como o Mestre se relacionava com as pessoas, para daí seguirmos seu exemplo.
Olhando nos Evangelhos, especialmente o capítulo 13 de João, o Senhor sempre se relacionou como aquele que serve. Já começou tal modo de se relacionar desde a encarnação, como lemos em Lucas, e o terminou no grande serviço do Calvário, quando nos redimiu. Sua vida e a de Maria, sua Mãe e nossa, também foi de serviço. Portanto, Paulo nos quer dizer que nosso relacionamento deverá sempre ser de serviço.
Esse serviço deverá ser por amor, caso contrário não será cristão. Entendemos agora porque Paulo escreve: “E vós maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela,.”
Ora, se é o amor cristão que deve embasar nossos relacionamentos, todos eles terão uma dimensão sacramental. Quando alguém procura servir o outro, está amando-o com o amor de Cristo e nisso veicula a ação salvífica de Jesus.
Posto isto, vamos vivenciar o que nos diz a primeira leitura, tirada do livro de Josué: “Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor”. Esta frase dita por Josué, explicita sua adesão e a de sua família ao Senhor. É uma adesão afetiva, não apenas aos mandamentos do Senhor, mas a Ele mesmo.
Esse Jesus a quem no Evangelho de hoje, Pedro faz a seguinte profissão: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” é aquele quem nos ensina a amar, servindo.
Podemos concluir nossa reflexão, pedindo ao Senhor que nos dê um coração semelhante ao dele, para que nossa vida seja um eterno serviço, porque amamos! E exatamente porque amamos, servimos. (CA)

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Editorial: Exército da fé

◊   Cidade do Vaticano (RV) – Neste domingo comemoramos no Brasil o Dia do Catequista ou dos Catequistas. Um exército de pessoas, muitas delas anônimas que trabalham pela evangelização. Olhando para esta comemoração me veio em mente a minha primeira catequista, que foi aquela que me ajudou a descobrir a grande beleza da nossa fé, e do amor eucarístico. Por sorte e felicidade foi a minha mãe, de saudosa memória. Mas quem não se lembra da primeira catequista, quem sabe de certa idade, ou jovem, solteira ou casada, religiosa ou leiga. Certamente temos uma dívida para com elas ou eles, que através de seu indispensável trabalho nos ajudaram a dar os primeiros passos dentro da grande família de Deus chamada Igreja.

Dias atrás fazendo uma matéria sobre um historiador da Igreja que falava do Catecismo como pedra angular que nos mantém na fé, me veio a pergunta: mas o catecismo sem o catequista que destino teria? Pensei então mais uma vez no grande trabalho que esses heróis e heroínas, isso mesmo, são heróis e heroínas, que dedicam seu tempo à formação de novas vidas dentro da Igreja. No Brasil esse exército é de mais de 500 mil, espalhados por todos os rincões.

Voltando aos nossos catequistas, que nos ajudam na preparação dos sacramentos, na transmissão dos conteúdos da fé, me vem mais uma pergunta: o que seria da realidade das nossas capelas, paróquias, dioceses, sem esse exército de servidores, verdadeiros tesouros nascidos e crescidos nas nossas comunidades?

Em 1992, quando da sua visita a Angola e São Tomé e Príncipe, o Beato João Paulo II falando aos catequistas na Catedral de Benguela, afirmou que eles são um verdadeiro laicado de vanguarda. Em muitos lugares eles foram os responsáveis pela consolidação das novas Comunidades Cristãs, quando não a primeira pedra na sua implantação, com o primeiro anúncio do Evangelho àqueles que o não conheciam como Anchieta na nossa Pátria. Se os missionários não podiam estar presentes ou tiveram de partir logo após um primeiro anúncio bem rápido, foram, os catequistas, que mantiveram a comunidade, preparando o povo cristão para os sacramentos, ensinando a catequese, assumiu a animação da vida cristã. Essa é ainda uma realidade bem brasileira.

A ação dos catequistas certamente completa a ação do sacerdote e como dizia João Paulo II mostra o verdadeiro rosto da Igreja, que deve ser missionária em todos os seus membros.

Aqui vai nosso agradecimento e incentivo a todos os catequistas que aceitaram consagrar o seu tempo, as suas forças e o seu coração, ao trabalho na vinha do Senhor. As exigências do Evangelho são grandes, tanto na vida da Igreja como no mundo. Por isso muitas vezes só a boa vontade, não basta, porque o trabalho dos catequistas vai-se tornando cada vez mais difícil e exigente, devido às mudanças da sociedade atual. Daqui a necessidade sempre urgente de uma sempre maior preparação doutrinal e pedagógica e uma constante renovação espiritual e apostólica. Que jamais falte então o consolo da oração nos momentos difíceis e do abraço sincero dos catequizando. O nosso agradecimento a esse exército de servidores e servidoras.

E termino com uma frase do Beato João Paulo II: “Deus não deixa sem recompensa um copo d’água dado por amor; muito menos deixará sem recompensa o serviço ao Evangelho e às comunidades cristãs prestado pelos catequistas. (Silvonei José)