Radio Vaticano 24/08

Bento XVI: superar preconceitos para buscar a verdade

◊   Cidade do Vaticano (RV) – Buscar a verdade significa querer superar o árduo obstáculo dos preconceitos. É o que nos recorda o Evangelho dedicado a São Bartolomeu apóstolo – identificado como Natanael no trecho evangélico deste dia –, cuja festa litúrgica a Igreja celebra nesta sexta-feira. Trata-se de um tema reiteradas vezes abordado pelo Papa em suas catequeses.

O Pontífice convida à busca árdua da razão para alcançar o conhecimento integral da verdade. Os preconceitos, ao invés, são preguiçosos e apressados diante de uma verdade que não se faz encontrar facilmente.

Assim se dá com Natanael, que bruscamente responde a Filipe ao apresentar-lhe Jesus como o Messias: por acaso pode vir algo de bom de Nazaré? É um episódio – observa Bento XVI – que mostra como muitas vezes o homem, mesmo sendo honesto, se deixa enganar pela sua incapacidade de aprofundar as questões:

Ao mesmo tempo, porém, evidencia a liberdade de Deus, que surpreende as nossas expectativas fazendo-se encontrar justamente onde não esperávamos.” (Audiência Geral, 4 de outubro de 2006)

Mas Natanael, encontrando Jesus, se sente profundamente tocado e se confia totalmente a Ele. E o preconceito desaparece:

O nosso conhecimento sobre Jesus precisa, sobretudo, de uma experiência viva: o testemunho dos outros é certamente importante, porque normalmente toda a nossa vida cristã começa com o anúncio que chega até nós por obra de uma ou mais testemunhas. Mas depois devemos ser nós mesmos a nos envolver pessoalmente numa relação íntima e profunda com Jesus.” (Audiência Geral, 4 de outubro de 2006)

A busca prevê um caminho. Existem muitos que indicam o caminho aos outros, mas eles mesmos, ao invés, ficam parados – afirma o Santo Padre. Encontrando os jovens em Madri, no ano passado (na Jornada Mundial da Juventude), Bento XVI os exortou: “É bom buscar sempre. Busquem, sobretudo, a verdade, que não é uma idéia, uma ideologia ou um slogan, mas uma Pessoa, o Cristo, Deus mesmo vindo entre os homens!” (RL)

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Dom Tomasi: “aumenta a intolerância religiosa contra cristãos”

◊   Rimini (RV) – O Observador permanente da Santa Sé junto às agências da ONU, em Genebra, Suíça, Dom Silvano Tomasi, denunciou nesta quinta-feira, 23, o aumento da intolerância religiosa contra cristãos, inclusive na cultura ocidental. Falando à Rádio Vaticano o prelado afirmou que “há provas bem documentadas que mostram que os cristãos são o grupo religioso mais perseguido no mundo de hoje, isto é, o grupo que vê mais limitado os seus direitos, por uma razão ou outra”.

“Às vezes se chega ao extremo, por exemplo, na Nigéria onde fazem explodir bombas nas igrejas no domingo, aproveitando que as pessoas vão à missa para rezar ou celebrar o culto. Outras vezes se verificam situações nas quais as comunidades cristãs são forçadas ao exílio devido à violência, como ocorreu no Iraque e como está ocorrendo agora na Síria, quando se perseguem ou se punem os cristãos, ou porque eles são vistos como aliados do Ocidente ou que apoiaram um regime ou outro. O prelado discursou na manhã de ontem sobre o tema, no encontro de Rimini, que se realiza na cidade do nordeste da Itália, até este sábado.

Para Dom Tomasi, na cultura ocidental a estratégia é “dizer ou pensar que a religião é um impedimento para a liberdade individual. Assim, temos uma situação contrária ao que é afirmado: não é o grupo religioso que impede a afirmação do direito de alguém, mas é a posição pública que limita o direito de quem acredita ou tem uma fé religiosa”, refere. O Observador permanente da Santa Sé em Genebra fala de uma “estratégia sutil, mas muito eficaz, porque acaba por impedir a possibilidade de que os valores cristãos tenham seu destaque nas decisões públicas”. (SP)

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Assistente-Geral da Ação Católica: os leigos cristãos são pilares da Igreja

◊   Cidade do Vaticano (RV) – A cidade romena de Iaşi é, nestes dias, a “capital mundial” da Ação Católica. Até este sábado, a cidadezinha acolhe a VI Assembleia Geral do Fórum Internacional da Ação Católica. O encontro é quase um prelúdio aos debates que animarão o Sínodo dos Bispos de outubro próximo, caracterizado por discussões, reflexões e debates sobre a nova evangelização.

Os representantes de 35 países de 4 continentes estão tratando de co-responsabilidade eclesial e social dos leigos da Ação Católica, e em apoio a tal compromisso chegou nesta quinta-feira aos participantes a mensagem de Bento XVI, pedindo-lhes que sejam realmente “co-responsáveis do ser e do agir da Igreja”.

A esse propósito, a Rádio Vaticano ouviu o Assistente-Geral da Ação Católica, bispo da Diocese Suburbicária de Palestrina (Vicariato de Roma), Dom Domenico Sigalini. Eis o que disse:

Dom Domenico Sigalini:- “É verdade e este é um pensamento que o Santo Padre tenta continuamente transmitir para a vida da Igreja, sobretudo na pastoral. O sacerdote não dá direitos ou faz concessões piedosas a alguém para poder trabalhar com ele pelo Reino de Deus, mas o leigo, justamente porque batizado, tem uma responsabilidade, digamos, “ontológica”, que lhe é oriunda do seu ser, portanto, não se trata de benigna concessão de ninguém. Isso ajuda o leigo, mais ainda, a assumir a finalidade da Igreja: o anúncio do Evangelho, o viver a própria fé em sua profissão, o ajudar os próprios sacerdotes e bispos a entenderem melhor o mundo.”

RV: Em sua mensagem, o Papa evidenciou que o grande desafio da nova evangelização é anunciar a Mensagem de salvação “com linguagens e modos compreensíveis para o nosso tempo”. Com quais instrumentos a Ação Católica pretende responder a essa solicitação e qual novo compromisso pretende assumir?

Dom Domenico Sigalini: “A esse propósito, a Ação Católica não pretende ficar de braços cruzados, mas pensar mais na realidade que apresenta perguntas que requerem a nossa resposta. Além disso, sendo realmente laica, pretende fazê-lo na realidade concreta, no trabalho, nas instituições, com a determinação de quem acredita no Evangelho e é apaixonadamente seguidor de Cristo. Ademais – e o Papa ressalta isso –, usando também algumas propostas concretas de serviço eclesial dentro das realidades do mundo.” (RL)

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Igreja no Brasil

CNBB recebe visita de Missionários Ad Gentes

◊   Brasília (RV) – Nesta quinta-feira, 23 de agosto, a sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil recebeu a visita dos Missionários Ad Gentes. O grupo de 37 pessoas é formado por religiosos, religiosas, leigos e leigas, de todo Brasil, que se encontram em Brasília para fazer o curso Ad Gentes. Esse curso tem o objetivo de oferecer uma formação específica para missionárias e missionários que serão enviados para atuarem em outros países.

Como parte do curso de formação, os missionários foram à CNBB para conhecer a sede da organização. O grupo foi recepcionado pela Assessora da Comissão Episcopal para Amazônia, Irmã Maria Irene dos Santos. Cada um dos participantes pode se apresentar, e em seguida, ouviram uma breve explicação do funcionário, Alex Barreto, sobre o funcionamento da CNNB, seus regionais, e alguns organismos vinculados. Posteriormente, puderam andar pela sede para conhecer a estrutura.

Argentina, Timor leste, Camarões, África do Sul, Peru, China, México, Moçambique, essas são apenas algumas das localidades para onde os Missionários Ad Gentes serão enviados. A Irmã Maria Ines Silva, por exemplo, é natural do Paraná (PR), está atualmente atuando em Mato Grosso, e será enviada para Moçambique. “Vamos com um projeto de trabalhar com agricultura, nutrição, e na dimensão da Evangelização”, explicou a religiosa.

A Irmã Adelaide Hermógenes Nunes, natural de Juazeiro do Norte, irá para o Timor-Leste, no continente asiático, para ela, ser uma Missionária Ad Gentes é uma graça de Deus. “É tudo novo, vou me inculturar numa nova cultura, tenho muita esperança de ter grandes aprendizados”, disse.
“É um trabalho da Igreja do Brasil oferecendo missionários para outras regiões do mundo”, esclareceu Irmã Irene. “A Igreja do Brasil também é necessitada, mas está oferecendo pessoas para atuar em outras realidades que também precisam. Essa formação é uma preparação para estar em outra realidade, então é muito importante que eles passam por esse período de formação, para depois irem para outras terras”, completou.

Enquanto andavam pelas dependências da CNBB, o grupo se deparou com os bispos membros da Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos (Cetel), que estavam reunidos e, de forma fraterna interromperam a reunião para acolher os missionários. “Que Deus os abençoe e os acompanhe”, disse o Arcebispo de Porto Alegre (RS), e membro da comissão, Dom Dadeus Grings ao grupo.

O Curso Ad Gentes
É um curso de extensão promovido pelo Centro Cultural Missionário (CCM) de Brasília, DF, organismo vinculado à CNBB, em parceria com a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Comissão Episcopal para Amazônia e o Instituto Superior de Filosofia Berthier (IFIBE), de Passo Fundo, RS, instituição mantida pelos Missionários da Sagrada Família da Província Brasil Meridional.

O curso é indicado também para missionários e missionárias que queiram se aprimorar nas temáticas relacionadas à missão, para amadurecer uma eventual decisão de elaborar caminhos e projetos junto à própria congregação, como para missionários e missionárias que já atuam fora do Brasil e, voltando de férias, desejam ter um tempo de reflexão e de atualização. (SP-CNBB)

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Igreja no Mundo

O drama de 12 mil cristãos do vilarejo de Rableh

◊   Rableh (RV) – A grande tragédia da guerra civil na Síria, chama a atenção para a questão dos mais de 12 mil fiéis greco-católicos bloqueados no vilarejo de Rableh, oeste de Qusayr, na região de Homs. Segundo fontes da agência Fides, os alimentos estão acabando, os fiéis estão se nutrindo de “pão e água” e faltam medicamentos para tratar os doentes e feridos. Uma situação que se criou por que há mais de 10 dias o vilarejo de Rableh está sujeito a um rigoroso bloqueio por parte dos grupos armados de oposição, que o cercam por todos os lados.

Um dos líderes de uma paróquia local, BK – que pediu anonimato por razões de segurança – disse à Fides que nos dias passados três jovens do vilarejo foram mortos por franco-atiradores: George Azar de 20 anos, um outro de 21 anos, e Elias Tahch Semaan, 35 anos, casado e pai de quatro filhos. Alguns representantes da iniciativa popular para a reconciliação “Mussalaha” conseguiram levar um pequeno carregamento de ajuda humanitária ao vilarejo. Um representante da “Mussalaha” disse aos fiéis que “se fará de tudo para permitir a entrega de ajudas humanitárias”.

Um apelo foi lançado pelo Patriarca Gregório III Laham, visivelmente comovido, a todos os homens de boa vontade, para que “seja salvada Rableh e todos os outros povoados afetados na Síria, e se chegue finalmente a paz em nosso amado país”. Também o Núncio Apostólico na Síria, Dom Mario Zenari, convidou todas as partes envolvidas “ao respeito do direito internacional humanitário”, recordando que a resolução da crise na Síria depende, antes de tudo, dos seus cidadãos.

A agência Fides recebeu ainda a informação de que o mosteiro greco-católico de São Tiago o Mutilado, de Qara – que atualmente abriga uma comunidade de 25 pessoas de nove países e um grupo de 20 refugiados – nos últimos dias foi atingido por bombardeios de um helicóptero de ataque que pretendia atingir alguns grupos rebeldes. Nenhuma vítima, mas diversas partes do mosteiro, do século VI, foram danificadas. A superiora do mosteiro, Madre Agnès-Mariam de la Croix, acrescentou sua voz à da hierarquia local, pedindo o fim da violência e que seja “adotada a lógica do diálogo e da reconciliação”. Líderes cristãos locais solicitaram às partes beligerantes que poupem as áreas onde vivem os civis e que salvaguardem o patrimônio cultural e religioso do país. (SP)

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A reconciliação dos povos da Ucrânia e da Rússia

◊   Kiev (RV) – A reconciliação dos povos da Ucrânia e da Rússia nas pegadas do processo já iniciado por russos e poloneses e sancionado pela Declaração Conjunta assinada em 17 de agosto em Varsóvia, pelo Patriarca de Moscou, Kirill, e pelo Arcebispo de Przemysl dos Latinos, Dom Józef Michalik, Presidente da Conferência dos Bispos poloneses. Esse o desejo expresso no último domingo, por ocasião da consagração da Catedral da Transfiguração de Cristo, pelo Arcebispo Mor de Kiev-Halyc, Dom Sviatoslav Shevchuk.

O Arcebispo Shevchuk, portanto, voltou a estender a mão à Igreja Ortodoxa Russa, afirmando que sem um diálogo com o Patriarcado de Moscou é impossível mitigar os contrastes que opóem, muitas vezes, ucranianos e russos. Se se procura de alguma forma – explicou o prelado, citado pelo jornal L’Osservatore Romano -resolver as dolorosas questões do passado como cristãos, à luz do Evangelho, e curar nossa memória com o único meio de reconciliação, então poderemos criar algo construtivo”.

“Nós não ouvimos porque os poloneses perdoam os russos – disse ainda Dom Shevchuk – e porque a Igreja Ortodoxa quer pedir desculpas para a Igreja Latina na Polônia. Talvez isso será também, comunicado um dia. Mas foi dado um exemplo muito forte, foi lançado um apelo à reconciliação”. (SP)

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“Catecismo é a pedra angular que nos mantém enraizados na fé”

◊   Roma (RV) – Em entrevista concedida ao jornal italiano, Avvenire, o historiador da Igreja e consultor de vários dicastérios, Mons. Wilhelm Imkamp declarou que o Catecismo é a pedra angular que nos mantém enraizados na fé. O prelado explicou que “sem a assimilação do catecismo, a fé se evapora, se desvanece”. Entretanto, Mons. Wilhelm tem esperança de que isso seja corrigido em projetos como o YouCat, o catecismo para jovens elaborado na Alemanha e distribuído pela primeira vez durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Madri 2011.

Segundo o historiador, é necessário que a sociedade de nossos dias receba o catecismo e que este se converta em um fundamento para a transmissão dos conteúdos da fé. Isto “servirá de preparação para a recepção dos sacramentos, para o plano de formação e para os programas didáticos dos professores de religião, obviamente até para a preparação dos sacerdotes”. Mons. Wilhelm Imkamp, que também é Reitor do Santuário de Nossa Senhora de Versperbild na Baviera (Alemanha), explicou que embora na Alemanha a Igreja seja pouco convincente para os jovens, as Jornadas Mundiais da Juventude e os novos movimentos eclesiais, poderiam mudar as coisas.

Na conclusão da entrevista, o prelado alemão explicou que é urgente preparar os jovens para os sacramentos, já que “são um tesouro a ser descobertos e a ser oferecido”.

O Beato João Paulo II é considerado pela Igreja como o propulsor do Catecismo, pois em 1985, pediu a elaboração do Catecismo durante o vigésimo aniversário de encerramento do Concílio Vaticano II em uma sessão extraordinária do Sínodo dos bispos. O Catecismo da Igreja Católica é a exposição da fé da Igreja e da Doutrina Católica, iluminadas pelas Sagradas Escrituras, pela Tradição apostólica e pelo Magistério eclesiástico. (SP)

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Inglaterra: Encontro do Conselho Mundial da Juventude Operária Católica

◊   Londres (RV) – O Conselho Mundial da Juventude Operária Católica (JOC), órgão máximo do movimento em âmbito internacional, vai reunir-se a partir deste sábado, 25, em Birmingham, Inglaterra. A Presidente do organismo em Portugal, Elisabete Silva, disse à agência Ecclesia que os participantes vão “refletir sobre o perfil atual dos jovens trabalhadores e dos jovens que terminam os estudos”, procurando “criar uma consciência internacional sobre as dificuldades globais que os jovens hoje enfrentam e naturalmente, entender qual deve ser a resposta da JOC e da Igreja”.

O Conselho, que se realiza de 4 em 4 anos, vai estar reunido até ao dia 5 de setembro, analisando o tema ‘Construindo uma Escola para a vida’, inspirado nos valores olímpicos do respeito, amizade e excelência. “A JOC, dentro daquilo que é a sua missão e os seus objetivos, tem procurado consciencializar os jovens para a importância do papel de cada um na construção de uma sociedade mais justa e livre”, disse Elisabete Silva. Este movimento católico para pessoas entre os 14 e os 30 anos surgiu na Bélgica, em 1925, por iniciativa do Padre Joseph Cardijn. (SP. Ecclesia)

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Jerusalém:grave agressão contra famílias cristãs

◊   Jerusalém (RV) – O site do Patriarcado Latino denunciou nesta quinta-feira, 23, uma grave agressão contra famílias, na noite do último dia 20 de agosto (que se prolongou até a meia-noite); cerca 50 jovens atacaram bens pertencentes a cidadãos de um bairro residencial de Betfagé. Os incidentes foram condenados duramente pela Comissão Episcopal de Comunicação do Conselho dos Bispos católicos na Terra Santa. As 79 famílias envolvidas no incidente fazem parte de um projeto de construção cooperativa e popular dos Franciscanos da Terra Santa.

Nos incidentes – é o terceiro em três anos -, foram danificadas janelas e portas e os carros amassados. Tudo teria iniciado nas discussões entre grupos de jovens. Na quarta-feira de manhã esteve presente, para avaliar o acontecido e manifestar solidariedade às famílias o Patriarca Dom Fouad Twal, o Custódio da Terra Santa, Padre Pizzaballa, e o Bispo auxiliar de Jerusalém, Dom William Shomali. Os prelados insistiram muito sobre a necessidade de uma boa vizinhança entre cristãos e muçulmanos e pediram o compromisso de todos para evitar que situações semelhantes continuem a se repetir no futuro. (SP)

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Formação

Religiões no Brasil progridem no diálogo. Ouça o Cardeal Braz de Aviz

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Maringá (RV) – Pelo nono ano consecutivo líderes de oito diferentes religiões reuniram-se em Maringá para rezarem juntos pela paz. O evento, denominado Noite de Oração pela Paz, realizou-se segunda-feira, 13 de agosto, no Auditório Dona Guilhermina, centro de Maringá.

A Noite de Oração pela Paz teve a presença especial do Cardeal Dom João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, no Vaticano. Ele revelou ao Programa Brasileiro a beleza do encontro.

Segundo Dom João, que foi também arcebispo de Maringá,a Igreja Católica no Brasil, e também o Vaticano, estão firmemente comprometidos com o diálogo-inter-religioso, que tem feito progressos no Brasil.

O Cardeal João Braz de Aviz cita o exemplo da Diocese de Maringá, que bem traçou este caminho.

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Participação cidadã

◊   Belo Horizonte (RV)* – Já está em pauta a convocação para uma importante participação cidadã: a coleta de assinaturas para a conquista do Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre o repasse de 10% das receitas correntes brutas da União para a Saúde Pública Brasileira. O abaixo-assinado situa-se no horizonte de um movimento nacional que objetiva garantir, legalmente, a priorização da saúde pelos governos. Além do repasse dos 10%, a mobilização busca maior transparência e correta aplicação dos recursos no Sistema Único de Saúde (SUS).

O povo brasileiro merece, por tantas razões e possibilidades, uma saúde pública de qualidade. Relembrando a abertura das olimpíadas de Londres deste ano, que fez referência ao sistema público de saúde inglês, prospectivamente podemos antever, como marco regulatório de prazo, as olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, dando um grande empurrão na direção da conquista desta qualidade com a Lei de Iniciativa Popular. O volume de um milhão e trezentas mil assinaturas garantirá o encaminhamento da proposta à Câmara dos Deputados.

Essa participação cidadã pode ser iluminada pela significação e repercussão da vitória popular que é a Lei da Ficha Limpa. Graças à mobilização de muitos, a sociedade conquistou um avanço na legislação imprescindível para o seu progresso. Amadureceu também em sua exigência, sempre pertinente, quanto à estatura moral de dirigentes, gestores, governantes e até do cidadão comum. No embalo dessa vitória, temos a oportunidade de se trabalhar denodadamente por uma nova Lei de Iniciativa Popular. Dessa vez é a saúde pública em pauta. O cidadão precisa reconhecer sua força e impulsionar essa questão da maior relevância social e política, prioridade nos interesses de cada um e de nossas famílias. Particularmente, há de se constatar que a defesa da saúde pública é um gesto concreto de opção preferencial pelos pobres.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na sua 50ª Assembleia Geral realizada em abril, aprovou de forma unânime o empenho da Igreja Católica, em cooperação com outras instituições, na tarefa de recolher assinaturas de apoio ao Projeto de Lei. Essa aprovação é um gesto concreto de compromisso, em sintonia com o horizonte traçado pela Campanha da Fraternidade 2012. Neste ano, a Campanha traz como tema a Fraternidade e Saúde Pública. O empenho de cada um para “que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo. 38,8) pode encontrar na coleta de assinaturas, pela Lei de Iniciativa Popular em defesa da saúde pública, uma oportunidade de gesto concreto no comprometimento social e engajamento político.

A Campanha da Fraternidade 2012 objetiva uma grande mobilização pela melhoria na saúde pública. A conquista dessa Lei de Iniciativa Popular, agora, no seu passo primeiro e decisivo, precisa de uma volumosa coleta de assinaturas. É importante uma intensa participação de instituições educativas, religiosas, culturais, privadas e outras todas acionando a sua capilaridade, maior ou menor, coletando assinaturas, com informação simples dos dados pessoais como nome completo, endereço, números do título de eleitor, zona e seção. Pelo gesto concreto de cada cidadão pode-se alcançar o número de assinaturas exigidas para a tramitação do Projeto no Congresso.

É muito simples assinar, com um gasto mínimo de tempo. Também é fácil conseguir, por uma razão tão nobre, outras assinaturas. A folha própria para isso pode ser impressa em casa. Está disponível na internet, em muitos sites, como no da Arquidiocese de Belo Horizonte (www.arquidiocesebh.org.br). É importante que cada um seja agente divulgador, com o empenho de conseguir uma quantia mínima de novas assinaturas. As folhas preenchidas podem ser encaminhadas a paróquias e a outras instituições que fazem parte desse Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública. Vamos trabalhar, incansavelmente, na busca pelo atendimento de saúde digno e de qualidade, importante anseio da sociedade, necessidade urgente dos mais pobres.

* Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

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Atualidades

Dia Internacional da Memória do Tráfico Negreiro Transatlântico

◊   Paris (RV) – Foi comemorado nesta quinta-feira, 23 de agosto, o Dia Internacional da Memória do Tráfico Negreiro Transatlântico e da sua Abolição. Esta data, escolhida pela Unesco, recorda a rebelião, em 1791, dos escravos na Ilha de Santo Domingo, atual Haiti e que lançou as bases para a abolição da escravatura. Este dia Mundial proclamado pela ONU tem o objetivo de lembrar o mundo que é necessário não esquecer essa triste página da história da humanidade e fazer com que sejam banidas do mundo todas as formas de escravatura.

O dia 23 de agosto, quer ser, portanto, uma ocasião, em que se reafirma a convicção de que a dignidade humana e o respeito total pelo ser humano são necessários e imprescindíveis para o bem-estar comum. Consequentemente, uma data em que a ONU, através da sua agência para a educação, ciência e cultura, UNESCO, manifesta, o seu compromisso de erradicar por completo a escravatura e todas as outras práticas idênticas à escravatura, como afirma a própria Diretora Geral da UNESCO, Irina Bokova, na sua mensagem deste ano. (SP)

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Haiti: aumento da violência

◊   Porto Príncipe (RV) – A Comissão “Justiça e Paz” do Haiti publicou nos últimos dias um relatório que alerta sobre o aumento da violência, que se soma assim aos inúmeros problemas que a população deve enfrentar. Segundo o relatório, em apenas três meses, pelos menos 212 pessoas foram assassinadas no país. A esses crimes, acrescenta-se o aumento de agressões praticadas nas ruas, assaltos e estupros, somando um total de 307 casos.

A Comissão “Justiça e Paz” indica ainda o aumento de linchamentos e também de homicídios de policiais. A violência é consequência direta da situação de pobreza que o Haiti vive, agravada com o terremoto de janeiro de 2010. É o que confirma o Conselheiro-Geral dos Lassalistas para a América Latina, Ir. Edgar Nicoden, que recentemente visitou a ilha. (SP)