ZENIT 23/08

Santa Sé


“A realeza de Maria é serviço a Deus e à humanidade
Bento XVI o afirmou hoje na Audiência Geral

Por Paul De Maeyer

CASTEL GANDOLFO, quarta-feira, 22 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Bento XVI dedicou a catequese da Audiência Geral de hoje para o tema da realeza de Maria. Justo hoje, na oitava da festa da Assunção, a Igreja celebra a memória litúrgica da Beata Virgem Maria Rainha.

Embora tenha origens antigas, – lembrou o Pontífice no começo da sua catequese – é uma festa de instituição recente. Foi criada em 1954 por Pio XII na conclusão do Ano Mariano. Embora o Papa Pacelli tenha fixado a data da memória no dia 31 de maio, depois da reforma pós-conciliar do calendário litúrgico, foi colocada depois de oito dias da festa da solenidade da Assunção, “para enfatizar a estreita ligação entre a realeza de Maria e a sua glorificação em alma e corpo junto ao seu Filho”. Para o Papa, a origem da memória de hoje está no fato de que a Mãe do Redentor “é Rainha porque associada de modo único com o seu Filho, seja no caminho terreno, seja na glória do Céu”. “Tudo na Virgem está relacionado a Cristo e tudo depende dele: por causa dele Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe toda santa e a adornou de dons do Espírito, não concedidos a mais ninguém”, disse o Santo Padre citando a Exortação apostolica Marialis Cultus (n. 25) do Papa Paulo VI (1974).

Bento XVI deixou claro que a realeza de Maria e do seu Filho não deve ser entendida em termos terrenos. Maria é Rainha – disse o Papa –  porque “participa da responsabilidade de Deus pelo mundo e do amor de Deus pelo mundo”. A sua realeza está portanto profundamente ligada com a de Cristo, “cheia de humildade, de serviço e de amor”.

“A realeza de Jesus não tem nada a ver com a dos poderosos da terra”, disse o Pontífice, que lembrou que Cristo é “um rei que serve os seus servos”. E isso também se aplica a Maria, que é “Rainha no serviço a Deus e à humanidade; é Rainha do amor, que vive o dom de si a Deus para entrar no desenho de salvação do homem”.

Nossa Senhora é portanto Rainha porque Serva obediente do Senhor. Para o Papa Bento XVI, emblema da realeza de Maria é a resposta que deu ao anjo no momento da Anunciação: “Eis aqui a Serva do Senhor” (Lc 1, 38).

E no entanto, como Maria exerce esta sua realeza de serviço e amor? “Cuidando-nos, seus filhos  – respondeu Bento XVI – que se dirigiu a Ela na oração, para agradecê-la ou para pedir a sua materna proteção e a sua celestial ajuda”. Na serenidade ou na escuridão da existência, nós nos dirigimos a Maria – explicou o Papa – confiando-nos à sua contínua intercessão, para que nos possa obter do Filho toda graça e misericórdia necessárias para a nossa peregrinação ao longo das estradas do mundo.”

Bento XVI também lembrou outro aspecto da realeza de Maria. Maria é uma Rainha celestial, disse o Papa, e por meio dela nós nos dirigimos ao seu Filho, “àquele que rege o mundo e tem nas mãos os destinos”. De fato, ao longo dos séculos – disse o Papa – Maria “foi invocada como Rainha dos Céus”, “como a nossa mãe ao lado do seu Filho Jesus na glória do Céu”.

Por este motivo, a devoção a Nossa Senhora é um elemento “importante” da vida espiritual dos cristãos, continuou o Santo Padre, pedindo aos fiéis para não esquecerem de dirigir-se com confiança àquela, que “não faltará de interceder por nós junto ao seu Filho”, e a aprender “de Maria a viver”. “Maria – concluiu Bento XVI – é a Rainha do céu que está próxima de Deus, mas é também a mãe que está perto de cada um de nós, que nos ama e ouve a nossa voz”

[Tradução Thácio Siqueira]

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Os direitos humanos no mundo


“Fomos atacados e mortos, mas a esperança continua”
Encontro de Rímini: dom Kaikama explica como fomentar a paz e a coexistência evitando o ódio

Antonio Gaspari

RÍMINI, Itália, quarta-feira, 22 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Um pequeno grupo de extremistas tenta desencadear uma guerra civil na Nigéria. Eles se chamam de Boko Haram, dizem que são contra a educação e a cultura ocidental, atacam e incendeiam igrejas cristãs, disparam contra os fiéis. Desde janeiro, mataram mais de 800 pessoas. O governo não faz nada e os militares são incapazes de detê-los. Em face destes ataques, muitos cristãos se vêem tentados a responder com as armas: a tentação é forte, mas seria o início de uma guerra civil.

Convidado do Encontro de Rímini para a Amizade entre os Povos, dom Ignatius Kaikama, arcebispo de Jos e presidente da Conferência Episcopal da Nigéria, afirmou aos repórteres que quando as igrejas são queimadas, os bens destruídos, os amigos e parentes mortos, explode uma raiva “difícil de aplacar”.

“Os ataques puseram à prova a fé de muitos, porque não é fácil falar de amor e de perdão nessas condições”.

Em 11 de março deste ano, o Boko Haram atacou a igreja de São Finbar e matou 15 pessoas. “Quando eu cheguei no local”, conta o arcebispo, “achei tudo destruído. Os jovens estavam revoltados e tristes e me pediam para fazer alguma coisa. Alguns me acusavam de ser muito amigável com os muçulmanos e queriam pegarem armas. Eume virei e me ajoelhei diante das imagens sagradas. De repente, os rapazes fizeram silêncio. Eu disse para eles irem para casa e não deixarem prevalecer a raiva e o ódio”.

“Mesmo sozinho e sujeito aos ataques, a graça do Senhor está sempre comigo”, ressalta Kaikama. “Fomos atacados e mortos, mas a esperança continua”, acrescenta.

Em entrevista concedida a Zenit, o presidente da Conferência Episcopal da Nigéria comenta que os cristãos estão espalhados por todo o país. É verdade que há áreas em que alguns pretendem estabelecer a sharia e caçar ou converter à força os cristãos, mas também é verdade que, na maioria dos casos, não é difícil estabelecer boas relações entre os cristãos e os muçulmanos.

Kaikama criou um centro de formação na diocese de Jos, onde cristãos e muçulmanos estudam juntos. É um centro de paz e de diálogo.

O atual presidente da Nigéria é cristão e dom Kaikama acredita que os ataques de fundamentalistas são apoiados por forças políticas que querem derrubar o governo e criar confusão. Não há provas suficientes de que o Boko Haram seja sustentado por forças externas ao país.

Em todo caso, de acordo com o arcebispo, a única solução é fortalecer o diálogo e a paz. Dom Kaikama conta que a Igreja Católica dedica muito tempo a ajudar as pessoas, fornecendo educação, serviços de saúde, água potável e muitas outras formas de apoio.

Para promover a paz e a amizade, o arcebispo nigeriano compartilhou suas refeições com os muçulmanos. Há alguns dias, ele foi convidado à mesquita para celebrar o fim do Ramadã.

O presidente da Conferência Episcopal da Nigéria concluiu seu discurso enfatizando que Jesus morreu na cruz com os braços abertos para “abraçar toda a humanidade”, e pediu orações pelo fim da violência e para garantir que a Nigéria permaneça unida.

(Trad.:ZENIT)

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Comunicar a fé hoje


Deus está na moda
Arcebispo de Burgos fala de conversões

BURGOS, Espanha, quarta-feira, 22 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Em meio a um laicismo e relativismo que afeta continentes inteiros, em especial a Europa, e a poucas semanas da abertura da Assembleia Especial dos Bispos sobre a Nova Evangelização, dom Francisco Gil, arcebispo de Burgos, reflete sobre este fenômeno trazendo à tona casos que são um verdadeiro retorno a Deus.

A seguir, o texto integral da sua mensagem.

*****

+ Francisco Gil Hellín

Talvez alguns pudessem pensar que a história dos grandes convertidos é água passada. A realidade é bem outra. As letras francesas, por exemplo, seguem as pegadas de Paul Claudel, Péguy e Mauriac, e, cada vez mais, são frequentes os romances e ensaios que têm como protagonista a fé cristã. Seguindo o caminho de escritores de tanta envergadura como Tournier e Decoin, está surgindo uma nova geração de autores crentes, cujas obras literárias e filosóficas procuram a concordância com a mensagem evangélica.

Mais ainda: autores como Sylvie Germain estão vendo que as suas obras começam a seduzir pessoas na laica França e mesmo além das suas fronteiras, de acordo com informações recentes do diário italiano Avvenire. Nas páginas de Le Figaro, François Tallandier, outro talentoso escritor da nova literatura francesa, explicou as razões da sua silenciosa conversão ao catolicismo, depois de longos anos de profundo ceticismo. “Talvez pelo esplendor de Bourges, que dava asas a Stendhal para ser cristão. Talvez pela modesta doçura da igreja românica de Ennezat. Talvez porque um dia, ouvindo pronunciar a palavra ‘católico’ com o desprezo de quem não precisa de mais razões, eu me cansei e me disse abertamente: ‘Eu sou católico’”.

O caminho criativo de F. Hadjadj também é uma referência na cultura francesa. Este escritor e intelectual judeu se converteu ao catolicismo depois de uma longa fase de niilismo. Num ensaio, ele analisa com ironia e paixão a própria indiferença diante da morte das sociedades do Ocidente, ao mesmo tempo em que convoca à profunda alegria alicerçada nas razões que a fé aponta. O próprio Dactec, intelectual excêntrico e controverso, se atreveu a gritar em público que “não há futuro para a humanidade fora de Cristo”.

São exemplos desse cada vez mais numeroso grupo de conversos que estão chegando ao catolicismo e, o que talvez chame ainda mais a atenção, não têm nenhum complexoem declará-lo. Elesme trazem à mente personagens históricos de tanto destaque como Tertuliano, o mais brilhante advogado de Cartago; São Cipriano, igualmente brilhante advogado convertido em plena idade madura; e o sem igual Santo Agostinho. Mais próximos de nós, a italiana Alessandra Borghese e a espanhola Maria Nájera.

Sem que seja uma conversão em sentido estrito, não deixa de chamar a atenção o caso de Akiko Tamura. Ela tem 37 anos e uma brilhante carreira como cirurgiã torácica na Clínica Universitária da Universidade de Navarra [Espanha]. Depois de fazer suas primeiras práticas na Universidade de Harvard e ampliar a especialidade no Hospital de Massachussets, aterrissou em Pamplona e conseguiu um grande prestígio profissional. Na última quinta-feira santa, conforme ela mesma contou em entrevista ao jornal [espanhol] ABC, “estava no meu carro, bem tranquila, e de repente, dentro do meu coração, notei claramente que Deus me pedia para ser carmelita descalça. Não ouvi vozes nem tive visões; só senti uma paz e um amor de Deus indescritível”. “Eu nunca teria pensando em virar freira num convento”, prossegue ela, mas “é o plano de Deus”. Tamura acaba de entrar como carmelita descalça no convento de Zarautz.

Sem sair da nossa diocese [de Burgos], as religiosas da Iesu Communio poderiam nos contar muitos casos parecidos. Não foram poucas as que deixaram a profissão, como engenheiras, arquitetas e médicas, e hoje são “loucamente felizes” vestindo um tosco e singelo hábito. Sem entrar nos muros de um convento, quantos profissionais de prestígio, estudantes universitários, donas de casa e jovens já descobriram “no meio da rua” a verdade do que Santa Teresa de Jesus dizia com grande convicção: “Só Deus basta”. No fundo, esta é a razão de aderirem à fé tantos profetas e apóstolos do niilismo e do ceticismo, ou de saírem da letargia religiosa tantos crentes mornos, que se transformam em verdadeiros crentes e apóstolos

(Trad.:ZENIT)

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Familia e Vida


Encontro Nacional de Estudos sobre Família em novembro
Dom João Carlos Petrini aos arcebispos, bispos, padres e religiosos

BRASILIA, quarta-feira, 22 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Em nota enviada a ZENIT nessa quarta-feira, o presidente da Comissão Episcopal e Pastoral para a Vida e Família da CNBB, Dom João Carlos Petrini, Bispo de Camaçari – BA, convida os Arcebispos, bispos, padres e religiosos (as) que se dediquem especificamente ao trabalho com as famílias, para participarem, nos dias 12, 13 e 14 de novembro, em São Paulo, do Encontro Nacional de Estudos sobre Família dos Bispos referenciais e assessores da Pastoral Familliar.

Como assessor do evento estará o Padre filósofo Merecki Jaroslaw, professor do Pontifício Instituto pela Família “João Paulo II”, de Roma, e autor de vários livros na temática de família, especialista no pensamento sobre família a partir do beato João Paulo II e pesquisador dos desafios da família cristã nos tempos contemporâneos.

O objeto do Encontro é criar momentos de estudos e reflexão sobre a atuação da Igreja junto à família brasileira, através do esforço evangelizador de não só defender e promover o respeito à dignidade da família, seus direitos e deveres, mas também destacar a importância e centralidade da família como o principal recurso para a pessoa, para a sociedade e para a Igreja.

O tema do encontro será: A família no magistério de João Paulo II com ênfase na Teologia do Corpo.

Para participar entre em contato com Pe. Wladimir, assessor da Comissão: familia@cnbb.org.br

TS

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Mundo


Não acreditem em quem diz que não há mais nada a fazer
Jovens e desenvolvimento: primeiro-ministro italiano em sintonia com o Encontro da Amizade em Rímini

Antonio Gaspari

RÍMINI, Itália, quarta-feira, 22 de agosto de 2012 (ZENIT.org). “Não acreditem naqueles que dizem que não há mais nada a ser feito. Já começou um novo período na Itália para a construção, não para as lamentações!”.

Esta exortação foi feita para mais de dez mil pessoas no último domingo, no Encontro de Rímini, pelo presidente da Fundação para a Subsidiariedade, Giorgio Vittadini, antes do discurso do primeiro-ministro italiano, Mario Monti.

O tema do encontro era “Os jovens para o crescimento” e se seguia à mostra “Momento imprevisível: jovem para o crescimento”, promovida pela Fundação para a Subsidiariedade em parceria com estudantes e professores universitários.

Vittadini afirma que “a crise é um desafio para a mudança (…) A crise é viver a realidade como uma provocação que desperta o desejo e a exigência que, na Itália, também significa inteligência, conhecimento, criatividade, força de agregação”.

De acordo com o presidente da fundação, o desejo de ação que faz renascer a certeza é “o momento imprevisível em que alguém se recoloca em ação sem esperar que os outros e especialmente o Estado resolvam os problemas”.

A exposição conta muitas histórias desse imprevisível instante em que homens e mulheres geraram novidades, produtos, serviços, valor agregado, beleza, para si e para os outros, sem que as condições pudessem explicar o aumento do valor e da riqueza na Itália.

De acordo com Vittadini, para encontrar o caminho em tempos de crise, todos temos que investir no recurso mais importante: a pessoa humana.

“A pessoa é um bem maior do que a crise”, escreveu ele, para concluir citando Giussani, que afirmava que “quando as garras de uma sociedade adversa se lançam contra nós, a ponto de ameaçar a vitalidade da nossa expressão, e quando uma hegemonia cultural e social tende a penetrar no coração, incitando as já naturais incertezas, então é porque chegou o tempo da pessoa”.

Vittadini evoca o que dizia don Camillo, em uma das histórias de Guareschi: “Quando o rio sai das suas margens e invade os campos, temos que salvar a semente que frutificará, e as espigas túrgidas e douradas darão aos homens o pão da vida e da esperança”.

Na história de Guareschi, Jesus diz a don Camillo: “Temos que salvar a semente: a fé. Don Camillo, é preciso ajudar aqueles que ainda têm fé para mantê-la intacta”.

Emilia Guarnieri, presidente da Fundação Encontro para a Amizade entre os Povos, explicou que muitas ações virtuosas contadas na mostra “O momento imprevisível” são “o fruto do trabalho, da competência e da generosidade de muitas pessoas, que nós oferecemos para a construção da civilização”.

Pronunciou-se então o primeiro-ministro Mario Monti, que convidou os jovens a uma “greve generacional”, alegando que está sendo desperdiçada a geração da faixa dos quarenta anos, que paga pela falta de visão dos políticos.

O primeiro-ministro falou sobre o infinito como algo que “perturba a todos nós”, e criticou muitas decisões políticas que foram tomadas por “total falta de infinito, mesmo entendido apenas como tempo e espaço”.

De acordo com Monti, a Itália se revalorizará e “encontraremos um mínimo de confiança específica dos cidadãos no Estado e dos cidadãos uns nos outros”.

(Trad.:ZENIT)

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Cardeal Erdő: satisfação com acordo entre a Igreja católica polonesa e a ortodoxa russa
Presidente do episcopado europeu aplaude reconciliação entre as igrejas eslavas

ST. GALLEN, quarta-feira, 22 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – O presidente do Conselho das Conferências Episcopais de Europa (CCEE), cardeal Péter Erdő, arcebispo de Esztergom-Budapeste, enviou neste sábado uma carta ao presidente da Conferência Episcopal Polonesa, dom Jozef Michalik, e ao patriarca Kirill, de Moscou, que assinaram uma mensagem conjunta das duas igrejas, para testemunhar a sua alegria por este histórico ato de reconciliação.

“Agradecemos a Deus por esta declaração exemplar”, escreve o purpurado, “e esperamos que ela possa ser de ajuda para toda a Europa na promoção dos verdadeiros valores humanos e cristãos”.

“Em um momento de grande confusão espiritual e social em todo o nosso continente,”, prossegue Erdő, “a sua declaração nos dá esperança, porque testemunha que Jesus Cristo é de verdade a nossa paz e a nossa reconciliação”.

Consciente das atuais dificuldades que a Europa atravessa, o cardeal Erdő também se associou às preocupações que a mensagem manifesta a respeito do continente, incentivando “o chamamento aos responsáveis políticos e às pessoas de cultura para sustentar esta iniciativa”.

Por último, o cardeal reconhece o valor simbólico e exemplar da declaração conjunta, e augura que “esta declaração seja um primeiro passo em um novo caminho nas relações entre a Polônia e a Rússia. Esperemos que ela possa ser um exemplo para todos aqueles que ainda não tiveram a coragem de se deixar guiar pela sabedoria e pela bondade de Deus, que sempre conduz ao perdão e à reconciliação”.

(Trad.:ZENIT)

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A idéia de pena no século XXI
Meeting de Rimini: Dr Tomaz de Aquino Resende apresenta a APAC, modelo brasileiro na recuperação de condenados

Por Maria Emília Marega

RIMINI, quarta-feira, 22 agosto de 2012(ZENIT.org) – A situação das prisões e dos detentos foi o assunto do encontro – Qual a idéia de pena no século XXI – durante o Meeting de Rimini, organizado pelo Movimento Comunhão e Libertação. O encontro contou com a presença do Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, Tomaz de Aquino Resende.

Tomaz de Aquino apresentou o serviço da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), referência internacional na recuperação e ressocialização de condenados. O objetivo da APAC é promover a humanização das prisões, sem perder de vista a finalidade punitiva da pena. Seu propósito é evitar a reincidência no crime e oferecer alternativas para o condenado se recuperar.

O Procurador falou da “intersetorialidade” – governo, mercado e organizações sem fins lucrativos, ou voluntários – e explicou que o elemento principal é o ponto de convergência entre eles. “É preciso que o Estado estabeleça a regra; que o marcado financie e que as organizações sem fins lucrativos façam o que tem competência para fazer, sem entrar no âmbito de governo. Enfim, nosso conceito para “intersetorialidade” é de alinhar esses pontos de convergência”.

O sistema APAC não conta com agentes carcerários e nem empregados públicos, são, em sua maioria, voluntários da Pastoral Penitenciária e até mesmo o próprio detento a prestar serviço, tornado-se co-responsável na recuperação. Este oferece um sistema de recuperação onde o detento estuda e trabalha, e demonstra que “a pena redime quando o homem é tratado como um ser humano”, afirmou Dr Tomaz. A reincidência neste sistema é de apenas 10%.

Em diversos documentos do governo sobre a implementação do Sistema destaca-se a importância da experiência com Deus no processo. No Boletim n° 53 do Ministério Público do Estado do Paraná – CAOP Criminais do Júri e de Execuções Penais lê-se:

O método APAC se inspira no princípio da dignidade da pessoa humana e na convicção de que ninguém é irrecuperável, pois todo homem é maior que a sua culpa. Alguns dos seus elementos informadores são: a participação da comunidade, sobretudo pelo voluntariado; a solidariedade entre os recuperandos; o trabalho como possibilidade terapêutica e profissionalizante; a religião como fator de conscientização do recuperando como ser humano, como ser espiritual e como ser social; a assistência social, educacional, psicológica, médica e odontológica como apoio à sua integridade física e psicológica; a família do recuperando, como um vínculo afetivo fundamental e como parceira para sua reintegração à sociedade; e o mérito, como uma avaliação constante que comprova a sua recuperação já no período prisional.

A idéia de pena no século XXI “é dar sentido à pena, inícia com um encontro, um impacto com a realidade, com alguém que leve o encarcerado a reencontrar-se – afirmou Nicola Boscoletto – presidente da Cooperativa Rebus, em Pádova, Itália.

Na experiência da cooperativa na prisão de Pádova, com detentos que cumprem longas penas por reatos gravíssimos, oferecendo serviço de escuta, diálogo, formação e trabalho, o percentual de reincidência é muito baixo, apenas 1%. Ao contrário, no sistema tradicional o percentual é de 90%.

O encontro destacou que não será o estado a mudar o detento. “Todos juntos podemos ajudar a criar uma sociedade melhor”, afirmou Boscoletto.

Participaram do Encontro Giovanni Maria Pavarin, Presidente do Tribunal de Vigilância de Veneza e Luciano Violante, Presidente do Fórum Reforma do Estado do Partido Democrático.

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Audiência de quarta-feira


“Maria é Rainha porque está associada de modo único ao seu Filho”
Catequese do Santo Padre durante a Audiência Geral desta manhã

CASTEL GANDOLFO, quarta-feira, 22 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Retomamos a seguir o  texto da catequese do Papa Bento XVI durante a Audiência Geral, que foi realizada esta manhã, em Castel Gandolfo.

***

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje é a memória litúrgica da Santíssima Virgem Maria invocada com o título: “Rainha”. É uma festa instituída recentemente, ainda se a devoção seja de origem antiga. Foi criada pelo Venerável Pio XII, em 1954, no final do Ano Mariano, definindo a data para o 31 de maio (cf. Carta Encíclica Ad Caeli Reginam, 11 de outubro de 1954: AAS 46 [1954], 625-640). Nesta ocasião, o Papa disse que Maria é Rainha mais do que qualquer outra criatura pela elevação de sua alma e pela excelência dos dons recebidos. Ela nunca deixa de conceder todos os tesouros do seu amor e dos seus cuidados pela humanidade (cf. Discurso em honra de Maria Rainha, 1º de novembro de 1954). Agora, após a reforma do calendário litúrgico, foi colocada depois de 8 dias da solenidade da Assunçaõ para sublinhar a estreita relação entre a realeza de Maria e a sua glorificação em alma e corpo junto ao seu Filho. Na Constituição sobre a Igreja do Concílio Vaticano II lemos assim: “Maria foi assunta à glória celeste, e exaltada por Deus como Rainha do universo, para que fosse mais plenamente conformada com o seu Filho” (Lumen gentium, 59).

Esta é a raiz da festa de hoje: Maria é Rainha porque está associada de modo único com o seu Filho, seja no caminho terreno, seja na glória do Céu. O grande santo da Síria, Efrém, o Sírio, afirma, sobre a realeza de Maria, que deriva da sua maternidade: Ela é Mãe do Senhor, do Rei dos reis (cfr. Is 9, 1-6) e nos mostra Jesus como vida, salvação e nossa esperança. O Servo de Deus Paulo VI lembrava na sua Exortação Apostólica Marialis Cultus: “Na Virgem Maria tudo é relativo a Cristo e tudo depende dele: por ele Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe toda santa e a adornou de dons do Espírito, concedidos a mais ninguém “(n. 25).

Mas agora nos perguntamos: o que significa dizer Maria Rainha? É só um título como outros, a coroa, um ornamento como outros? O que significa isso? O que é esta realeza? Como já indicado, é uma conseqüência do seu ser unido ao Filho, do seu ser no Céu, ou seja, em comunhão com Deus; Ela participa da responsabilidade de Deus pelo mundo e do amor de Deus pelo mundo. Há uma ideia vulgar, comum, de rei ou rainha: seria uma pessoa com poder, riqueza. Mas este não é o tipo de realeza de Jesus e Maria. Pensemos no Senhor: a realeza e o ser rei de Cristo está cheio de humildade, serviço, amor: é acima de tudo servir, ajudar, amar. Lembremos que Jesus foi proclamado rei na cruz com esta inscrição escrita por Pilatos: “Rei dos Judeus” (cf. Mc 15, 26). Naquele momento, na cruz, mostra que é rei; e como é rei? sofrendo conosco, por nós, amando até o fim, e assim governa e cria verdade, amor, justiça. Ou pensemos também em outro momento: na Última Ceia inclina-se para lavar os pés dos seus. Portanto, a realeza de Jesus não tem nada a ver com a dos poderosos da terra. É um rei que serve os seus servos; assim o fez durante toda a sua vida. E o mesmo vale para Maria: é rainha no serviço a Deus, à humanidade, é rainha do amor que vive o dom de si a Deus para entrar no desenho da salvação do homem. Respondeu ao anjo: Eis aqui a serva do Senhor (cf. Lc 1, 38), e no Magnificat canta: Deus olhou para a humildade da sua serva (cf. Lc 1,48). Nos ajuda. É Rainha amando-nos, ajudando-nos em cada uma das nossas necessidades; é a nossa irmã, serva humilde. E assim já chegamos ao ponto: como é que Maria exercita essa realeza de serviço e amor?

Cuidando de nós, seus filhos: os filhos que se dirigem a ela na oração, para agradecê-la ou para pedir a sua materna proteção e a sua ajuda celestial, depois de ter perdido o caminho, oprimidos pela dor ou pela angustia por causa das tristes e difíceis vicissitudes da vida. Na serenidade ou na escuridão da existência, nós nos voltamos para Maria confiando-nos à sua contínua intercessão, para que nos possa obter do Filho toda graça e misericórdia necessárias para a nossa peregrinação ao longo das estradas do mundo. Àquele que governa o mundo e detém os destinos do universo nos dirigimos confiados, por meio da Virgem Maria. Ela, por séculos, é invocado como celestial Rainha dos céus; oito vezes, depois da oração do Santo Terço, é implorada nas ladainhas lauretanas como Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores, das Virgens, de todos os Santos e das Famílias. O ritmo dessas antigas invocações, e orações cotidianas como a Salve Rainha, nos ajudam a compreender que a Virgem Santa, como Mãe nossa, junto ao Filho Jesus, na glória do Céu, está conosco sempre, no desenrolar da nossa vida diária.

O título de Rainha é, então, título de confiança, de alegria, de amor. E sabemos que aquela que tem em mãos, em parte, o destino do mundo é boa, nos ama e nos ajuda nas nossas dificuldades.

Caros amigos, a devoção à Nossa Senhora é um elemento importante da vida espiritual. Que na nossa oração não deixemos de dirigir-nos confiados a Ela. Maria não deixará de interceder por nós junto ao seu Filho. Olhando para Ela, imitemos a sua fé, a disponibilidade plena ao projeto de amor de Deus, a generosa acolhida de Jesus.

Aprendamos de Maria a viver. Maria é a Rainha do céu que está perto de Deus, mas é também a mãe que está perto de cada um de nós, que nos ama e escuta a nossa voz. Obrigado pela atenção.

[Tradução Thácio Siqueira]