Radio Vaticano 23/08

Bento XVI: Igreja precisa de leigos que sejam co-responsáveis da sua missão

◊   Cidade do Vaticano (RV) – A Igreja precisa de leigos maduros, que sejam “co-responsáveis” da sua missão universal e não considerados simples “colaboradores” do clero. É o que afirma Bento XVI na Mensagem enviada aos participantes do Fórum Internacional da Ação Católica, em andamento em Iaşi, na Romênia. Que a Associação de vocês seja neste nosso tempo “um laboratório de globalização da caridade”, auspicia o Papa.

A distinção ganhou nitidez ao longo dos séculos, mas no ano zero da Igreja a questão nem mesmo existia: pastores e leigos “eram um só coração e uma só alma”. O Santo Padre apresenta esse exemplo de unidade à atenção dos muitos membros da Ação Católica – provenientes de 35 nações de 4 continentes –, que desde esta quarta-feira até o próximo sábado se encontram na referida cidade romena para a sexta plenária de seu Fórum internacional.

Bento XVI ressalta com clareza que os leigos na Igreja são convidados a viver como protagonistas da missão eclesial, e, portanto, sendo “co-responsáveis” junto aos sacerdotes e não redimensionados a meros “colaboradores do clero”.

“Sintam como compromisso de vocês o empenho em atuar pela missão da Igreja: com a oração, com o estudo, com a participação ativa na vida eclesial, com um olhar atento e positivo para o mundo, na busca contínua dos sinais dos tempos.”

“Não se cansem de afinar sempre mais, com um sério e cotidiano empenho formativo, os aspectos da vocação peculiar de vocês de fiéis leigos, chamados a serem testemunhas corajosas e críveis em todos os âmbitos da sociedade”, exorta o Pontífice.

O Santo Padre reitera que os leigos, com a sua experiência, podem ajudar os pastores “a julgar com mais clareza e oportunidade” quer nas coisas do espírito, quer nas coisas do mundo.

Mas justamente enquanto chamados na linha de frente a serem testemunhas do Evangelho, os leigos têm a responsabilidade de anunciá-lo com “linguagem e modos compreensíveis em nosso tempo”: num modo que muda facilmente, esse é o “desafio da nova evangelização”, escreve.

E dirigindo sua reflexão para o empenho específico da Ação Católica, o Papa recorda que ela tem “como traço fundamental assumir a finalidade apostólica da Igreja em sua globalidade”, em equilíbrio entre Igreja universal e Igreja local.

“Assumam e partilhem as escolhas pastorais das dioceses e das paróquias favorecendo ocasiões de encontro e de sincera colaboração com os outros componentes da comunidade eclesial, criando relações de estima e de comunhão com os sacerdotes, em favor de uma comunidade viva, ministerial e missionária”, exorta o Papa.

“Cultivem autênticas relações pessoais com todos, a começar pela família, e ofereçam a disponibilidade de vocês à participação, em todos os níveis da vida social, cultural e política, buscando sempre o bem comum”, acrescenta.

“Nesta fase da história”, e em sintonia com a história associativa de vocês, renovem o compromisso a “trilhar no caminho da santidade” e “à luz do Magistério social da Igreja, trabalhem também para ser sempre mais um laboratório de ‘globalização da solidariedade e da caridade’, para crescer, com a Igreja inteira, na co-responsabilidade de oferecer um futuro de esperança à humanidade, tendo também a coragem de formular propostas exigentes”, conclui Bento XVI. (RL)

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Mons. Zeidan sobre visita do Papa ao Líbano: uma esperança de paz para todos os libaneses

◊   Beirute (RV) – O Papa chegará ao Líbano, com previsto, no dia 14 de setembro, “apesar das dificuldades políticas” na área médio-oriental. Foi o que confirmou nesta quarta-feira o presidente do Comitê central encarregado de preparar a visita de Bento XVI ao país, Mons. Kamil Zeidan.

O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa convocada em Beirute para ilustrar as medidas adotadas a fim de assegurar o bom êxito da peregrinação papal na terra dos cedros.

A visita do Pontífice a convite oficial do Presidente da República do Líbano “será de interesse para todos os libaneses, cristãos e muçulmanos, não somente para os católicos”, ressaltou Mons. Zeidan evidenciando também a relevância pastoral dessa viagem. Na ocasião, Bento XVI assinará e entregará oficialmente a Exortação apostólica pós-sinodal para o Oriente Médio.

Mons. Zeidan acrescentou que foram formados dois comitês para o acolhimento do líder da Igreja Católica: um que reúne o Conselho dos bispos e o outro que representa o Estado libanês, cuja missão será coordenar com o núncio apostólico o bom êxito da visita.

Ademais, a visita “deverá oferecer uma bonita imagem” da sociedade libanesa, “onde os cristãos e muçulmanos vivem juntos”, acrescentou Mons. Zeidan, concluindo que a viagem do Papa ao Líbano será feita, “apesar das dificuldades políticas no país e na região, dificuldades que confortaram a insistência do Pontífice em fazer essa viagem na esperança de ajudar o Líbano e a região a alcançar a paz e a segurança”. (RL)

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Dom Fisichella: “A grandeza de crer”

◊   Cidade do Vaticano (RV) – Em artigo publicado no L’Osservatore Romano, com o título de “A grandeza de crer”, Dom Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, recorda várias intervenções de Bento XVI que são de grande atualidade. O arcebispo afirma que “não se pode falar de Fé como se tratasse de fórmulas químicas sabidas e decoradas à memória. Sem dúvida, se falta a força da opção sustentada por confrontação com a verdade sobre a própria vida, tudo se racha. A força da Fé é a alegria de um encontro com a pessoa viva de Jesus Cristo que transforma a vida. Saber dar razão a isso, permite aos crentes serem novos evangelizadores em um mundo que muda”.

A coerência entre aquilo que se crê e a vida diária é lembrada por Dom Fisichella, uma vez que vivemos em uma época em que os modelos e exemplos a seguir são cada dia mais necessários. Os jovens de hoje procuram seguir alguém. Esse alguém, com maiúscula, é Jesus Cristo, mas, também é verdade que eles O seguirão com mais facilidade na medida em que seus discípulos sejam críveis.

“O mundo contemporâneo – afirma o arcebispo – tem fome de testemunhos. Sente uma necessidade vital de testemunhos porque procura coerência e lealdade”, pois, – conclui ele -, “uma fé que suporta as razões do coração é mais convincente, porque contem a força da credibilidade. Assim, o desafio é poder conjugar a fé vivida com sua inteligência e vice versa”.

Saber raciocinar aquilo que se crê e manifestar as razões pelas quais se crê é sem dúvida umas das tarefas pendentes em muitos cristãos. Porque, como bem assinala Dom Fisichella, “sem uma sólida reflexão teológica capaz de apresentar as razões de crer, a opção do crente é fraca. Fica numa repetição de fórmulas ou de celebrações, porém não mantém a força da convicção. Não é só uma questão de conhecimento de conteúdos, mas de liberdade”. (SP)

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Entristecido, Papa envia condolências por morte de cardeal chinês

◊   Castel Gandolfo (RV) – O Papa ficou ‘profundamente triste’ ao saber da morte do Cardeal Paul Shan Kuo-hsi, bispo emérito de Kaohsiung. E na manhã de quinta-feira, enviou um telegrama expressando seu pesar ao Bispo de Kaohsiung, Dom Peter Liu Cheng-chung.

“Recordo-me com gratidão seus anos de serviço como Bispo de Hwalien e Presidente da Conferência Regional dos Bispos Chineses. Ofereço ao clero, religiosos e fiéis leigos, e à Igreja inteira em Taiwan, as minhas condolências e a certeza de minhas orações”.

“Unindo-me a vocês e a todos os que choram por ele, incluindo seus irmãos jesuítas, encomendo a sua alma sacerdotal à infinita misericórdia de Deus, nosso Pai amoroso. A todos os reunidos na missa solene dos funerais, como penhor de paz e consolação no Senhor, concedo de coração a minha Bênção Apostólica”.
(CM)

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Igreja no Brasil

Condenado por morte de Dorothy Stang é libertado. A indignação de Dom Erwin

◊   Altamira (RV) – O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu recurso de habeas-corpus em favor do fazendeiro Regivaldo Galvão, o “Taradão”, que cumpre pena de 30 anos em Altamira pela morte da missionária Dorothy Stang.

Segundo a Promotoria, a missionária estadunidense foi morta a tiros em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu (PA). Dorothy foi assassinada porque defendia a implantação de assentamentos para trabalhadores rurais em terras públicas que eram reivindicadas por fazendeiros e madeireiros da região.

Outros quatro acusados de participação no caso, entre executores e mandantes, foram julgados e condenados a penas que variam de 17 a 27 anos de reclusão.

O fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão foi condenado a 30 anos reclusão no dia 30 de abril de 2010. Na sentença, o juiz Raimundo Alves Flexa, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, decretou a prisão preventiva do réu.

O fazendeiro foi beneficiado por uma liminar da desembargadora Maria de Nazaré Gouvêa para aguardar o julgamento do recurso de apelação em liberdade provisória.

“Recebo essa informação com espanto”, declarou o Bispo da Prelazia do Xingu (PA), Dom Erwin Krautler.

“Não posso admitir que seja esta a Justiça de nosso país. Que Deus tenha pena de todos nós”, afirma o bispo, que avalia que a decisão do STF desconsidera o que foi determinado pelo Tribunal de Júri do Pará. “Esta notícia envergonha a todos”.

Regivaldo foi solto na tarde desta quarta-feira. Está marcado, para o próximo dia 3, o depoimento do policial federal Fernando Luiz Raiol, que recentemente protocolou documento em cartório, revelando fatos sobre o assassinato da missionária que poderão ensejar a reabertura do caso.
(CM)

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Signis Brasil e Tvs Católicas cobrirão juntas a JMJRio 2013

◊   São Paulo (RV) – A Signis Brasil realizou seu terceiro encontro, nesta quarta-feira, 22 de agosto, na sede do SEPAC (Serviço à Pastoral da Comunicação), com representantes das TVs Católicas em SP.

A missão da Signis Brasil é animar, unir e congregar todos os meios de comunicação católicos e de inspiração cristã do país e a formação de comunicadores, para que vivenciem seu carisma em colaboração, em vista dos objetivos comuns.

A presidente da Signis Brasil, Ir. Helena Corazza, e o vice-presidente Padre César Moreira, acolheram e deram as boas-vindas aos representantes das Tvs Católicas.

Durante a reunião foi articulado um plano de trabalho entre as emissoras para a cobertura da Jornada Mundial da Juventude Rio 2013. Padre Josafá Moraes, diretor de programação da TV Aparecida, apresentou aos representantes das Tvs Católicas o cronograma da cobertura do ‘pool’ das Tvs para a visita do Papa Bento XVI durante a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013.

A presidente da Signis Brasil, Ir. Helena Corazza, disse que “estiveram presentes representantes de todas as Tvs Católicas, inclusive a Tv Nazaré de Belém, e isso é muito esperançoso. Estou contente do caminho feito até aqui. Estamos caminhando na articulação, unidos nos projetos conjuntos de transmissões, tendo em vista a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013. As TVs não estão somente organizando para as transmissões, mas para a partilha. Estamos criando justamente esse senso de participação e de comunhão.”

O diretor de Comunicação da JMJ Rio 2013, Padre Márcio Queiroz, presente na reunião, disse “a Jornada Mundial da Juventude está a todo vapor. Sabemos que este é um grande evento católico do mundo e que será realizado no Brasil. Todo o trabalho de comunicação esta sendo ampliando, desde quando começamos com 6 pessoas e hoje estão sendo ampliados. Somos cerca de 120 pessoas trabalhando em todo o mundo que colaboram conosco, correspondentes, aqueles que alimentam as mídias sociais que já ultrapassamos os 800 mil seguidores e pretendemos chegar a um milhão até ao final de ano”.
(CM)

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Conselho Indigenista Missionário, 40 anos junto aos povos nativos

◊   Miracema (RV) – A Assembleia do Regional Goiás/Tocantins publicou uma mensagem em celebração aos 40 anos do Cimi, Conselho Indigenista Missionário.

“À beira do rio Tocantins, em Miracema (TO), bispos, missionários e missionárias, indígenas dos Estados de Goiás e Tocantins, nos reunimos para celebrar os 40 anos de uma nova forma de presença, luta e testemunho missionário junto aos povos indígenas.

Foi um grande momento de agradecimento e louvor ao Deus da Vida pela caminhada esperançosa de quatro décadas junto aos povos indígenas.

A memória perigosa e o sangue dos mártires nos reanimaram em nosso compromisso com a causa desses povos, em sua caminhada de luta, resistência e afirmação de seus projetos de vida, de bem viver.

Vemos com alegria que povos praticamente condenados ao desaparecimento, como os Avá Canoeiro, assumiram a luta pelos seus direitos, especialmente seu território tradicional. Igualmente vemos com esperança a crescente participação e protagonismo das mulheres nas lutas pela vida e direitos dos povos indígenas da região.

Constatamos que os decretos de extermínio dos povos indígenas perpassaram esses 40 anos e continuam se atualizando a cada dia, através de um sistema perverso de negação e violação dos direitos desses povos.

Após os sofrimentos e ameaças dos grandes projetos, como as hidrelétricas, agora pesam sobre os povos da região e do país, as ameaças da extração mineral (Projeto de Lei 1.610), com seu mar de lama e destruição do meio ambiente e impacto mortífero sobre as populações.

Com eles denunciamos as intenções e práticas genocidas embutidos na portaria 303, no PEC 215 e outras iniciativas e ações advindas dos três poderes, que desrespeitam e ferem a Constituição e os direitos originários desses povos, por seus territórios, recursos naturais e formas plurais de viver em paz e serem felizes.

Continuaremos apoiando os processos de informação e formação das comunidades indígenas, na perspectiva de fortalecer seu poder de mobilização na luta pelos seus direitos e construção da autonomia em seus territórios.

Continuaremos honrando o sangue mártir dos que tombaram e deram sua vida pela causa indígena nestes 40 anos do Cimi, selando e renovando nosso compromisso e testemunho com essa causa.

Que as águas revoltas dos rios represados e os fortes ventos de agosto nos embalem no renovado vigor de nossa missão com a vida, direitos e Bem Viver dos povos indígenas de Abya Yala, Ameríndia, América.”

Miracema, TO, 22 de agosto de 2012.

Cimi Regional Goiás/Tocantins

Povos: Avá Canoeiro, Xerente, Krahô, Karajá, Apinajé, Krahô-Kanela, Karajá de Xambioá, Tapuia, Javaé.

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“A família no magistério de JPII” será curso em SP

◊   Brasília (RV) – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), anunciou a realização na cidade de São Paulo, do Encontro Nacional de Estudos sobre a Família, destinado aos bispos referenciais e assessores da Pastoral Familliar. O encontro servirá para que os arcebispos, bispos, padres e religiosos que trabalham com as famílias, tenham um momento de reflexão.

Dom João Carlos Petrini, Bispo de Camaçari (BA), convida arcebispos, bispos, padres e religiosos (as) que se dedicam especificamente ao trabalho com as famílias, a participarem, nos dias 12, 13 e 14 de novembro.

Com o tema: “A família no magistério de João Paulo II com ênfase na Teologia do Corpo”, o objetivo do Encontro será criar momentos de estudos e reflexão sobre a atuação da Igreja junto à família brasileira, e destacar a importância e centralidade da família como o principal recurso para a pessoa, para a sociedade e para a Igreja.

Participará do evento o padre filósofo Merecki Jaroslaw, professor do Pontifício Instituto pela Família “João Paulo II”, de Roma, e autor de vários livros na temática de família, especialista no pensamento do Beato João Paulo II e pesquisador dos desafios da família cristã nos tempos contemporâneos.

Para participar entre em contato com Pe. Wladimir, assessor da Comissão: familia@cnbb.org.br
(CM)

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Aos 74, morre Dom José Foralosso

◊   Brasília (RV) – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta o seu pesar pelo falecimento de Dom José Foralosso, bispo emérito de Marabá (PA). O falecimento ocorreu na manhã desta quarta-feira, 22 de agosto. O bispo estava internado, em estado de coma, desde 5 de junho, quando celebrava, caiu e bateu com a cabeça, sendo levado ao Hospital Regional Geraldo Veloso, em Marabá. No hospital foi constatado o Acidente Vascular Cerebral (AVC).

“A biografia de Dom José tem a marca do entusiasmo e dedicação ao serviço pastoral. Italiano, fez a sua preparação para o ministério presbiteral em Roma, onde professou como religioso salesiano. Em sua congregação, colaborou por alguns anos na formação e na pastoral paroquial.

Transferido para o Brasil, atuou, por mais de vinte anos, em diversas paróquias, e fez o curso superior de pedagogia. Em 1991, foi nomeado pelo Papa João Paulo II como bispo da diocese de Guiratinga (MT), onde esteve até 2000, quando foi transferido para Marabá (PA).

Seu lema episcopal “Ut vitam habeant” (Para que tenham vida) resume a dedicação com que serviu à Igreja em frentes desafiadoras da ação evangelizadora. Estamos unidos aos familiares de Dom José, a Dom Jesus Maria, Administrador Apostólico, aos religiosos salesianos e ao povo de Marabá. Agradeçamos a Deus, na experiência de confiança e de fé nas promessas do Ressuscitado”.

A nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é assinada por Dom Leonardo Ulrich Steiner, Bispo Auxiliar de Brasília, e Secretário-Geral da CNBB.
(CM)

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Igreja na América Latina

Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina e das Filipinas

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Cidade do Vaticano (RV) – Isabel Flores y de Oliva nasceu em Lima em 1586. Seus pais eram espanhóis que se mudaram para o Peru.

O nome Rosa foi o apelido dado pela empregada da família, a índia Mariana, maravilhada pela extraordinária beleza da menina. Ela exclamou: “Você é bonita como uma rosa!”

Sua crisma foi ministrada por São Turíbio de Mongrovejo.

Levada à miséria com sua família, ainda na adolescência, ganhou a vida com o duro trabalho da lavoura e da costura, até altas horas da noite. Exatamente nessa situação de grande pobreza, apareceu-lhe a oportunidade de se tornar muito rica através de um casamento, mas Rosa o rejeitou por fidelidade a Jesus Cristo.

No jardim de sua casa, edificou um eremitério, uma pequena cela no fundo do quintal. A cama era um saco de estopa.

Aos vinte anos entrou para a Ordem Terceira de São Domingos e fez os votos religiosos e passou a se chamar Rosa de Santa Maria.
Foi modelo de vida penitente e de oração contínua na simplicidade da vida laical.

“Se não fosse mulher dedicar-me-ia inteiramente à salvação dos índios.”

Particularmente devota de Nossa Senhora, pediu a ela, de modo especial, pelo crescimento da Igreja, especialmente entre os índios americanos.

Frequentemente visitava os enfermos e os pobres.

Sua vida foi rica em provações dolorosas, contudo Rosa jamis perdeu a serenidade, imitando Cristo pobre e crucificado. Quando doente, disse: “Se os homens soubessem o que é viver em graça, não se assustariam com nenhum sofrimento e padeceriam de bom grado qualquer pena porque a graça é o fruto da paciência.”

Com não conseguia explicar seus sentimentos, acrescentava: “Posso explicar só com o silêncio. O prazer e a felicidade que o mundo pode me oferecer são simplesmente uma sombra em comparação ao que sinto.”

Ao mesmo tempo admitia: “Eu não acreditava que uma criatura pudesse ser acometida de tão grandes sofrimentos. Meu Deus, podes aumentar os sofrimentos, contando que aumentes meu amor por ti.”

Teve o conhecimento do dia em que morreria, por isso, a cada 24 de agosto, passava-o em oração e dizia: “ Este é o dia das minhas núpcias eternas.” Morreu em um deles, o do ano 1617, com 31 anos.

Canonizada em 1671, foi a primeira santa das Américas. É padroeira do Peru, de toda América Latina e das Ilhas Filipinas.

Para ouvir, clique acima.

(CAS)

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Peru: Jesuítas tentam resolver impasse entre a Santa Sé e Universidade

◊   Lima (RV) – Os jesuítas se articulam para tentar resolver o impasse entre a Santa Sé e a Universidade do Peru, que em 21 de julho, com o Decreto do Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, perdeu a faculdade de apresentar os títulos de “Pontifícia” e “Católica”. Numa longa e detalhada carta, escrita a Dom Salvador Piñeiro, Presidente da Conferência Episcopal do Peru – enviada também para conhecimento aos cardeais Bertone, Zenon Grocolewski (Prefeito da Congregação para a Educação Católica) e ao novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Müller – o Provincial dos Jesuítas no Peru, Padre Miguel Gabriel Cruzado Silveri, propõe a retomada do diálogo para se chegar a uma solução partilhada.

Padre Cruzado na carta, datada 20 de agosto, cita o papel significativo realizado pelos jesuítas na Universidade ao longo de sua história, afirma que a atual situação está criando mal-estar e pede para que sejam feitos “todos os esforços possíveis para que o diálogo seja retomado”. Afirma que a Universidade “continua sendo um instrumento idôneo e eficaz para a evangelização e para dar a conhecer valores que não se podem perder”.

Fala ainda da capacidade da Universidade de “plasmar e transmitir os conteúdos próprios da educação cristã conforme as diretrizes da Igreja” e lembra como importantes personalidades eclesiásticas a tenham visitado ao longo dos anos, entre eles o então Cardeal Joseph Ratzinger e o atual Prefeito da Doutrina da Fé, Dom Müller.

O Provincial do Peru cita também as numerosas presenças de sacerdotes e religiosos vindos de vários movimentos e a tradicional abertura da Universidade a pessoas de outros credos: “A Universidade representa um espaço de encontro entre fé e razão na nossa sociedade”. Padre Cruzado não esconde as dificuldades existentes, mas sugere uma saída concreta para a solução do conflito, considerando que isto “pode vir na linha da proposta de reforma dos estatutos” debatida no pré-acordo entre os representantes da Arquidiocese de Lima e da Universidade em 31 de março, destacando que aí “se podia chegar à solução definitiva” do problema.

“Pela falta de acordo – conclui o superior jesuíta – corre-se o risco da Igreja perder uma instituição acadêmica de grande qualidade e excelência, e com a polarização das posições acentuam-se os sentimentos de amargura e de contrariedade em relação à nossa Igreja”. (SP)

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Guatemala convoca líderes mundiais

◊   Cidade da Guatemala (RV) – O Governo da Guatemala convocou “líderes mundiais, pensadores, filósofos e cientistas” para participarem da Cúpula Mundial da Humanidade, que se realizará em 21 de dezembro, data em que segundo o calendário maia se inicia uma nova etapa para a humanidade. “Este dia marca a finalização da duração do Grande Ciclo do atual calendário maia, chamado 13 Baktun, e o início de uma nova era de 5.200 anos”, assinalaram as autoridades guatemaltecas.

Segundo o Ministro da Cultura, Carlos Batzin, “estamos em um momento de mudança, um momento de oportunidade, mas, sobretudo, de compromisso, para que paralelamente ao ordenamento natural que a mãe terra está atravessando, também nós, como seres humanos, coloquemos em ordem nossas vidas, nossas civilizações”.

De acordo com o calendário solar maia, em 21 de dezembro termina uma era de 5.200 anos e se inicia um novo ciclo, o que deu margens a conjecturas sobre o fim do mundo. (SP)

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Igreja no Mundo

Roma: encontro de voluntários da Terra Santa

◊   Roma (RV) – “Cristãos e Primavera árabe. Quais perspectivas para o futuro”: será este o tema do Dia dos Voluntários da Terra Santa, que se realizará em Roma no dia 20 de outubro próximo, no Auditorium Antonianum. Em particular, informa um comunicado, se procurará compreender “à luz dos eventos de 2011-2012, que futuro poderá ter a comunidade cristã no Oriente Médio, quais são as preocupações dos bispos e quais as dificuldades e esperanças dos fiéis”.

O encontro, na sua 5ª edição, prevê a presença de Padre Pierbattista Pizzaballa, Custódio da Terra Santa, e é reservado às associações e aos voluntários que trabalham na região. No programa, a escuta de testemunhos de cristãos que vivem naquela área. “Trata-se – continua a nota – de um momento importante de formação, intercâmbio, conhecimento recíproco”.

“Associações e voluntários poderão apresentar suas atividades e iniciativas, fazer propostas e perguntas. A Custódia aproveita a ocasião para agradecer aqueles que trabalham em prol dos cristãos do Oriente Médio”. (SP)

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Jornalista francês defende oração do bispos

◊   Cidade do Vaticano (RV) – O jornalista francês Patrick Kéchichian, em artigo publicado no jornal francês “Le Monde”, qualificou de “escândalo inexistente” os ataques contra a Igreja lançados após o pedido dos Bispos da França por ocasião da festa da Assunção da Virgem Maria, em que se pediu a Deus que as crianças e jovens deixem “de ser objeto dos desejos e dos conflitos dos adultos para gozar plenamente do amor de um pai e de uma mãe”. O pedido dos bispos franceses, que foi lido em todas as paróquias do país no dia 15 de agosto, foi rapidamente criticado pelo lobby gay, que se mostrou ofendido.

Em um texto republicado pelo jornal vaticano L’Osservatore Romano no dia 19 de agosto, Kéchichian, lamentou “a desproporção óbvia entre a delicadeza do texto e as acusações violentas que suscitou”. “Esta prece não ataca, nem julga ninguém, e certamente não julga os homossexuais. Lembro-me da quarta prece, que gerou a polêmica, mas que destacamos que vem depois de outras três, uma das quais é por aqueles que foram ‘recentemente escolhidos para legislar e governar’”, escreveu.

“Esta foi a frase escandalosa, que fez clamar as almas virtuosas seguras do seu bom julgamento: ‘Pelas crianças e pelos jovens, que todos os ajudem a descobrir seu próprio caminho para alcançar a felicidade; que deixem de ser objeto dos desejos e dos conflitos dos adultos para gozar plenamente do amor de um pai e de uma mãe’”.

Kéchichian questionou, não por acaso, como “não é evidente que o que se defende não está acompanhado de nenhuma condenação das pessoas e dos grupos que não compartilham a mesma visão da humanidade e de suas leis?”. “Se estes grupos e estas pessoas não deixam de expressar suas opiniões, por que então a Igreja deveria deixar de expressar seu pensamento sobre um tema que está no primeiro lugar entre suas preocupações?”. Para o jornalista francês, quem criticou os representantes da Igreja na França pela oração “confundem laicidade com anticlericalismo militante”. (SP)

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Senegal: construção do Santuário de São Paulo

◊   Dacar (RV) – Uma nova igreja, uma escola, um centro polivalente de formação e um jardim de infância: apresenta-se assim o projeto do Santuário de São Paulo em Grand-Yoff, subúrbio de Dacar, no Senegal. Por isso, o Arcebispo de Dacar, Cardeal Théodore Adrien Sarr, lançou nos dias passados um apelo às associações profissionais católicas e a todas as pessoas de boa vontade para que contribuam na realização do projeto.

“O trabalho é muito grande – disse o purpurado – e cada católico deve dar o seu apoio e contribuição”. “Os trabalhos estão continuando – afirmou – e apelo à generosidade dos católicos”, que em toda a arquidiocese são cerca de 380 mil. Projetada para acolher mais de 10 mil fiéis, a nova igreja começou a ser construída em 2003.

Atualmente, explicou o Pároco, Padre Alphonse Seck, “o edifício principal está quase terminado e se procede à conclusão do estacionamento subterrâneo para 85 veículos. “Estamos na fase de construção dos fundamentos, que é a mais custosa – disse Padre Seck – e é por isso que necessitamos de doações”.

Enfim, o Cardeal Sarr anunciou que em novembro será realizado o “Dia de portas abertas” assim os fiéis poderão ver pessoalmente os trabalhos feitos e fazer perguntas sobre a realização da obra. (SP)

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Formação

Violência: o novo rosto da pobreza no Haiti

◊   Cidade do Vaticano (RV) – Neste espaço dedicado aos Direitos Humanos, voltamos a falar do Haiti.

A Comissão “Justiça e Paz” do país publicou no últimos dias um relatório que alerta para o aumento da violência, que se soma assim aos inúmeros problemas que a população deve enfrentar.

Segundo o relatório, em apenas três meses, pelos menos 212 pessoas foram assassinadas no Haiti. A esses crimes, acrescenta-se aos o aumento de agressões praticadas nas ruas, assaltos e estupros, somando um total de 307 casos.

A Comissão “Justiça e Paz” indica ainda o aumento de linchamentos e também de homicídios de policiais.

A violência é consequência direta da situação de pobreza que o Haiti vive, agravada com o terremoto de janeiro de 2010. É o que confirma o Conselheiro-Geral dos Lassalistas para a América Latina, Ir. Edgar Nicoden, que recentemente visitou a ilha. A entrevista é de Silvonei José:

(BF)

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Atualidades

Um terço dos refugiados no Brasil está em SP. Ouça!

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São Paulo (RV) – A Cáritas Arquidiocesana, que trabalha em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, em Brasília, informou que o número de solicitantes de asilo no Estado de São Paulo quase quintuplicou nos últimos dois anos.

Segundo a Cáritas, São Paulo abriga quase um terço da população de refugiados do país. Eles provêm da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina.

A Arquidiocese atua no território assistindo e oferecendo ajuda pastoral aos refugiados e imigrantes, através de vários serviços. O Cardeal-Arcebispo, Dom Odilo Pedro Scherer, falou sobre isso com o Programa Brasileiro. Ouça, clicando acima, no alto-falante.

No Brasil, há atualmente mais de 4.200 refugiados reconhecidos pelo Governo (2009), provenientes de 75 países diferentes. As mulheres constituem 30% dessa população.

O Brasil é internacionalmente reconhecido como um país acolhedor. Mas aqui também o refugiado encontra dificuldades para se integrar à sociedade brasileira. Os primeiros obstáculos são a língua e a cultura. Os principais problemas são comuns aos brasileiros: dificuldade em conseguir emprego, acesso à educação superior e aos serviços públicos de saúde e moradia, por exemplo.

Para difundir melhor o tema, o Governo do Estado de São Paulo, em parceria com o Acnur, está promovendo a 1ª Oficina Paulista de Jornalismo sobre a Proteção Internacional de Refugiados. O curso reunirá especialistas na proteção internacional e abordará a situação dos refugiados no mundo, no país e no Estado de São Paulo.

Para mais informações sobre a oficina, que será em 17 de setembro, acesse o site do Acnur no Brasil.
(CM)