ZENIT 10/08

Comunicar a fé hoje


O testemunho da caridade, caminho da nova evangelização
Dom Rino Fisichella discursa no Proclaim 2012, na Austrália

ROMA, sexta-feira, 10 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – “Tentar calar o desejo de Deus não nos levará à nossa autonomia”. “O homem está em crise, mas não é marginalizando o cristianismo que teremos uma sociedade melhor”.

Estas exclamações estiveram no centro do pronunciamento O que é a Nova Evangelização, feito pelo presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, dom Rino Fisichella, em Chatswood, Austrália, no encontro Proclaim 2012, de acordo com informações da Rádio Vaticano.

“O grande desafio para o futuro está todo aqui: ​​quem quer a liberdade de viver como se Deus não existisse pode tê-la, mas precisa saber para onde está indo com essa escolha”. Dom Fisichella traça o perfil da crise do homem contemporâneo, que “se esqueceu do essencial”, superprotegendo a sua independência e a sua responsabilidade pessoal pelo próprio estilo de vida.

Não é excluindo Deus da própria vida que o mundo será melhor: os católicos não aceitam ser marginalizados e continuarão a trazer ao mundo a boa nova de Jesus. O anúncio dos crentes, no entanto, “não pode recorrer à arrogância e ao orgulho” nem expressar “um sentimento de superioridade em relação aos outros”, mas, pelo contrário, devem ser feito ​com “doçura, respeito e reta consciência”.

Nisto consiste a nova evangelização, a missão da Igreja de hoje, de toda a Igreja, composta por bispos, padres e leigos: não é nada diferente do passado, mas uma nova maneira de transmitir a mesma mensagem de salvação do Senhor que ressuscitou por nós.

Com Bento XVI, Fisichella recorda que “não é a diluição da fé que ajuda, mas apenas o vivê-la inteiramente em nosso hoje… Não seremos salvos pelas táticas, o cristianismo não será salvo pelas táticas, mas por uma fé repensada e revivida de modo novo, mediante a qual o Cristo, e, com Ele, o Deus vivo, entra neste nosso mundo”.

A primazia deve ser dada ao testemunho, portanto, como principal instrumento para levar a toda pessoa, de qualquer lugar e em todo tempo, o anúncio de que a salvação se tornou realidade; e à caridade, porque a vida só encontra a sua plena realização no horizonte da gratuidade.

“Na palavra do Senhor”, acrescentou Fisichella, “privilegiamos tudo o que o mundo considera inútil e ineficiente. Os doentes crônicos, os moribundos, os marginalizados, os deficientes e tudo o que exprime aos olhos do mundo a falta de futuro e de esperança, tudo isso conta com o compromisso dos cristãos”.

Paralelamente, no entanto, “também precisamos mudar a maneira de evangelizar, como Paulo VI já apontou, e encontrar novas formas, desenvolver a nossa adaptabilidade”, prosseguiu.

A expressão “nova evangelização” foi usada pela primeira vez por João Paulo II em 1979, e as suas sementes continuaram a ser cultivadas por Bento XVI com a criação do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

Mas não podemos fazer evangelização sem evangelizadores, nota o religioso, porque a responsabilidade do anúncio é de todos e não admite ser delegada. Daí o convite aos cristãos a discernir entre a verdade e a mentira, entre o que dá frutos e o que é efêmero: o principal desafio da Igreja de hoje.

(Tradução:ZENIT)

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Ser católico por inteiro
Discutindo o problema da adesão à fé católica

Edson L. Sampel*

SAO PAULO, sexta-feira, 10 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Gostaria de discutir o problema da adesão à fé católica, não na perspectiva prática, porque nesta seara, infelizmente, por causa do pecado, os católicos vivemos os ditames do evangelho mais ou menos.

Quero tratar do tema no viés doutrinal. Neste diapasão, ou se é 100% católico ou não se é católico em hipótese nenhuma. Não posso ser católico e, ao mesmo tempo, advogar a tese de que Jesus não fundou nenhuma Igreja específica; apenas instaurou uma novel religião. Não posso ser católico e perfilhar a teoria de que nossa Senhora teve relações sexuais com seu casto esposo. Não posso ser católico e, concomitantemente, asseverar que não há demônios nem Satanás. Não posso ser católico e, outrossim, prestar atenção ao espiritismo. Não posso ser católico e fazer ouvidos moucos ao que o papa ensina. Não posso ser católico e me escusar de divulgar o parecer da Igreja contrário ao homossexualismo. Não posso ser católico e me colocar em prol do aborto, ou, então, ficar em cima do muro.  Eis somente alguns exemplos.

Qual é a questão de fundo? Em minha opinião, é o relativismo, já bastas vezes  exprobrado por Bento XVI, combinado com uma equivocada interpretação do ecumenismo. Exemplificando, a pretexto de não vulnerar a suscetibilidade dos nossos irmãos separados, a doutrina protestante não é mais herética: cuida-se apenas de visões diferentes, verberam alguns. Deixemos o mínimo que nos separa, postulam outros, e nos unamos no máximo que nos é comum! Que máximo é esse, se frei Lutero solapou todos os sacramentos, preservando unicamente o batismo?

Quando o mal da não adesão plena e obsequiosa é perpetrado por certos padres ou teólogos, estamos em face de uma vicissitude gravíssima. Aqui, em vários casos, vigem a arrogância e a soberba, uma espécie de desdobramento do pecado original: quer-se saber mais do que a Igreja de Cristo!

Temos de ser ecumênicos sim, sempre amorosos com os outros cristãos e com os membros de qualquer credo, cônscios de que não somos melhores do que eles e que Deus ama todos os homens. No entanto, devemos resgatar nossa belíssima identidade católica, assumindo-a plenamente, sem respeitos humanos, acatando cabalmente o magistério infalível. Esta obrigação é ainda mais urgente por parte dos padres, que têm o múnus de industriar a puríssima doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo, custodiada pela Igreja católica.

Edson Luiz Sampel

Doutor em direito canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano.

Membro da Sociedade Brasileira de Canonistas (SBC)

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Cultura


Dante Alighieri, do norte ao sul da Itália
Programação da Casa de Dante em Roma

Por Antonio D’Angiò

ROMA, sexta-feira, 10 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – O site da Casa de Dante em Roma (www.casadidanteinroma.it) já apresenta a programação da Lectura Dantis para o período 2012-2013, que acontecerá, como de costume, no Palácio de Anguillara, na praça romana Sidney Sonnino, todo domingo, de novembro a abril, a partir das 11 horas.

Neste ano, serão lidos e aprofundados os cantos XVIII a XXXIII do Purgatório. Haverá também três dias especiais de estudos, coordenados, respectivamente, pelo profº Enrico Malato, vice-presidente da associação, sobre a poesia popular de Dante Alighieri; pelo cardeal Gianfranco Ravasi, novo presidente da Casa de Dante em Roma, sobre o Dante exegeta dos salmos, e, finalmente, em 21 de abril de 2013, pelo professor Guido Trombetti, sobre Dante e a matemática.

Algum tempo atrás, publicamos a história do octogenário coronel paduano Gianni Coltraro, estudioso de Dante Alighieri e dono de cerca de 200 edições da Divina Comédia, que, com duas cartas, uma escrita ao papa João Paulo II e a outra a Bento XVI, tornou-se promotor de uma insólita proposta de beatificação de Dante.

Recebemos há alguns dias uma publicação de Coltraro, semelhante a tantas outras autofinanciadas por apaixonados homens de letras, que narram, além das ligações de Dante com a Sicília e referências dantescas à medicina, também passagens significativas da Divina Comédia em que ele menciona a aritmética, a geometria, a astronomia e a música, ou seja, as artes matemáticas. Entre elas, lemos no canto IV do Inferno:

Euclides geômetra e Ptolomeu,

Hipócrates, Avicena e Galieno,

Averroes que o grande comentário fez.

No segundo número de 2012 da revista trimestral Studi Cassinati, publicado em julho, há um ensaio do diretor Emilio Pistilli chamado Il Codice Cassinese della Divina Commedia [O Código de Montecassino sobre a Divina Comédia, ndr], que pode ser adquirido na íntegra pelo site www.studicassinati.it.

“Entre os bens mais valiosos guardados nos Arquivos de Montecassino, mas também um dos menos conhecidos, está o código da Divina Comédia de Montecassino, manuscrito que remonta aos anos imediatamente sucessivos à morte do sumo poeta italiano, acompanhado de um capítulo escrito pelo filho de Dante, Jacopo.

Por ocasião da solene celebração do sexto centenário de Dante, a obra foi impressa com os tipos da nova tipografia monástica em1865. Atiragem foi limitada a 219 cópias, às quais o tempo deu grande valor, não apenas histórico e literário.

A história e a importância do código é bem destacada nos Prolegomena (páginas I-LV), redigidos por Luigi Tosti, Andrea Caravita e Cesare Quandel, todos de Montecassino.

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Familia e Vida


O aborto, por qualquer motivo, sempre deixa uma marca profunda (Parte II)
Entrevista com Mons. Vitaliano Mattioli, missionário italiano no Brasil

Por Thácio Siqueira

BRASILIA, sexta-feira, 10 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Em entrevista a ZENIT, Mons. Vitaliano Mattioli, missionário italiano fidei donum no Brasil, revela os principais perigos do aborto para uma mulher e para uma nação.

Publicamos a segunda parte da entrevista hoje. Para ler a primeira parte clique aqui.

***

ZENIT: Por que o aborto é uma coisa ruim para a mulher?

ZENIT: Falar de mulher é sinônimo de maternidade. É uma sensibilidade totalmente feminina que o homem não possui, pelo menos nesse nível. Quando uma mulher está grávida não diz: “Dentro de mim tenho um zigoto ou um embrião”, mas diz: “estou esperando um filho”. Ela sabe que aquela realidade que está amadurecendo dentro dela é um outro ser humano, seu filho. Fiquei impressionado com uma página de um romance grego (Sec I ou II d.C.). Uma senhora tornou-se escrava enquanto se encontrava no segundo mês de gravidez. Confidenciou a uma amiga a sua preocupação. Esta respondeu-lhe que a solução era abortar. Mas a mulher disse: “Como, você que é uma mulher, me aconselha matar o meu filho?” (Caritón de Afrodisias, O Romance de Caliroe). O corpo da mulher, que deve ser o primeiro berço da criança, o lugar privilegiado para o desenvolvimento de uma vida, transforma-se em um lugar de morte, em um cemitério. A mulher sabe que traiu seu filho, mas especialmente que traiu a si mesma. O seu organismo genital, onde Deus trabalha para gerar e amadurecer uma vida, foi profanado. À ação divina de amadurecer e proteger uma vida, substituiu-se uma vontade humana de condenar à morte.

ZENIT: O senhor tem atendido algum caso de casal que tenha abortado?

MONS.VITALIANO: Atendi vários casos. É preciso muita compreensão e, ao mesmo tempo

atrair essas pessoas para se tornarem apóstolos da vida, ajudando outras mulheres que se encontram nesta situação para não cometerem o mesmo erro. De um mal pode vir bem.

ZENIT: O brasil está a ponto de votar pela aprovação do novo código penal que despenalizará o aborto até a 12 semana. O que essa legislação pode trazer para o Brasil e para as famílias brasileiras?

MONS.VITALIANO: O Brasil é um país maravilhoso. Espero que o Congresso de Brasília não cometa o mesmo erro que o italiano e de outras Nações. Pergunto-me: qual é o significado desta 12ª semana, ou seja, o terceiro mês. A genética nos diz que o feto, no terceiro mês, é um bebê completamente formado. Mas já a partir do momento da concepção o novo indivíduo possui todo o patrimônio genético, possui a sua carta de identidade genética. Só precisa de tempo para desenvolver-se, para amadurecer. Todas as transformações depois da concepção não são mais do que desenvolvimento das suas características que já possui desde o começo da sua existência. O zigoto é um ser humano com todas as potencialidades e não um ser humano em potência. No primeiro caso trata-se de desenvolver o que o zigoto, embrião, feto já tem em sua composição genética; no segundo trata-se de uma intervenção de fora para dar-lhes o que não possui. Mas não há uma outra intervenção externa depois da concepção. Portanto, o desenvolvimento da gestação consiste no amadurecimento daqueles elementos que o novo indivíduo possui desde o começo. É necessário chamar a realidade com o próprio nome e não com outras palavras que obscurecem a verdadeira essência da ação. A palavra aborto é indolor. O mesmo: interrupção de uma gravidez. Mas se falamos: o aborto é a interrupção de uma vida humana nas primeiras fases da sua existência, ou seja, é um assassinato, o impacto psicológico é muito diferente. Se o Brasil aprova essa lei, mais do que dizer: lei que permite o aborto, seria mais honesto dizer: “lei que permite a interrupção de uma vida humana nas primeiras fases da sua existência, ou seja, um assassinato. As conseqüências desta lei são desastrosas, como ocorre naqueles Países onde o aborto é legalizado. Antes de mais nada, a desvalorização da vida humana. Quando um Governo permite a uma mãe matar o seu próprio filho, não devemos mais surpreender-nos se a vida humana não tem mais valor. Além disso, o relaxamento dos costumes sexuais, já muito em crise, vai aumentar. Em vez de formar uma sociedade forte, o mesmo Governo irá contribuir de forma decisiva para formar uma sociedade fraca e frágil. O Brasil é um país que conserva uma grande sensibilidade e um grande amor à vida. No mundo a população mundial é invejada pelo desejo, a alegria, o gosto de viver. Tomara que não seja justamente o Governo que prive este povo maravilhoso, de tanta felicidade e alegria.

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Semana Nacional da Família, do 12 ao 18 de agosto de 2013
Perguntas e respostas do Pe. Wladimir Porreca

BRASILIA, sexta-feira, 10 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Do 12 ao 18 de agosto a Igreja do Brasil celebrará em cada uma das dioceses, a semana nacional da família.

Para uma maior compreensão dessa semana, Pe. Wladimir Porreca, assessor nacional da Pastoral Familiar da CNBB, enviou à redação de ZENIT, em forma de perguntas e respostas, as principais ideias sobre esse acontecimento.

Dr. Pe. Wladimir Porreca é padre da Diocese de São João da Boa Vista/SP, psicoterapeuta e doutor em psicologia(USP) e serviço social (UNESP) e  pesquisador da temática Família.

Publicamos a seguir o texto na íntegra:

***

Como  o tema ‘A Família: Trabalho e festa’ será abordado pela CNBB durante a Semana Nacional das Famílias?

A Semana Nacional da Família tem como objetivo geral promover, fortalecer e evangelizar a família, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, (cf. Jo 10,10) rumo ao Reino definitivo (DGA).  Nesse ano de 2012, a Semana Nacional da Família procurou seguir o o VII Encontro Mundial das Famílias, em Milão, por isso, que a Comissão Episcopal  Pastoral para a Vida e a Família sugeriu para ser trabalhado na Semana Nacional da Família  (12 a 18 de agosto), e/ou em outras oportunidades, quando não for possível nesse período, nos grupos familiares e comunitários, grupos de famílias vizinhas, de uma comunidade, de uma quadra, rua, escola, grupos de oração, grupos de reflexão, de ambientes de trabalho, de escolas e outros, o tema: FAMÍLIA: TRABALHO E FESTA.
A Hora da Família é um precioso instrumento para que, por meio de reuniões familiares e de grupos, em todos os ambientes, se aprofunde a reflexão sobre o valor único e próprio da família e o grande bem que ela representa para cada pessoa e para a sociedade

O que traz este subsídio  elaborado pela Comissão Vida e a Família?

Este periódico “Hora da Família” foi elaborado a partir das catequeses do Encontro Mundial das Famílias com o Papa Bento XVI em Milão, nos dias 30 de maio a 03 de junho, em Milão na Itália. Família, trabalho e festa é dividido em três grupos, conforme a sequência a família (A família gera a vida, A família e a superação das dificuldades, A família geradora de uma sociedade justa e fraterna ), o trabalho (O trabalho  na família, O trabalho, recurso para a família, O trabalho, desafio para a família) e a festa (A festa, tempo para a família, A festa, tempo para o Senhor, A festa, tempo para a comunidade) e introduzidas por uma catequese sobre o estilo de vida familiar (O segredo de Nazaré), os temas desejam iluminar a união entre a vivência familiar e a vida quotidiana na sociedade e no mundo pelo trabalho e pela festa.são um trinômio que começa com a família, para compartilhá-la com o mundo. O trabalho e a festa são modos através dos quais a família ocupa o “espaço” social e vive o “tempo” humano. O tema coloca em evidência o casal homem- mulher junto ao seu estilo de vida: o modo de viver os relacionamentos (a família), de habitar o mundo (o trabalho) e de humanizar o tempo (a festa). O objetivo do tema é pensar na família como patrimônio da humanidade sugerindo, assim, a ideia que a família é patrimônio de todos, e que ao mesmo tempo contribui universalmente para a humanização da existência. Além dos dez encontros catequéticos, como acontece todos os anos, a Comissão elaborou no subsídio “Hora da Família” outras cinco sugestões de celebrações que envolvem os membros da família em ocasiões comemorativas  e possibilitem celebrações em outros ambientes que vão além da comunidade eclesial, tais como: escolas, universidades, fábricas, escritórios e outros.

Agosto, é o mês das vocações,  e nesta semana vamos e refletir sobre as famílias. Para o senhor quais as dificuldades  que hoje as famílias vem  enfrentando e que precisam ser sanadas?

Todos somos chamados a santidade, essa é a grande vocação dos filhos de Deus. Com a preocupação de que essa vocação não tenha condições e instrumentais para crescer e desenvolver O Papa Bento XVI tem apontado para todos nós, na maioria dos seus pronunciamentos, o cuidado e atenção a ditadura do individualismo e relativismo. E de fato, essas duas concepções na realidade da pessoa humana e da família diante da realidade em que estamos, influenciam, quando não condiciona, todas as dimensões da pessoa humana e, por consequência, a dinâmica familiar, por fragmentar o ser humano e as relações familiares, distanciando os membros das famílias entre si e com toda forma de instituição, em especial a Igreja. Nessa ótica o trabalho é visto como meio de gerar lucro pelo lucro e meio de satisfação de consumismo, passa assim a  tomar o primeiro lugar nas vidas dos membros das famílias. Se o individualismo e o relativismo entram em nossa casa de forma total, por consequência não existe lugar para Deus e nem para os valores de Jesus Cristo e a grande festa nunca acontecerá.

A instituição ‘família’, podemos assim dizer,  vem sendo desvalorizada muitas vezes pela mídia e pelas pessoas no geral. A partir disso e das situações como a Igreja esta se posicionando e reafirmando a importância da família?

Na Sessão inaugural dos trabalhos da V CONFERÊNCIA GERAL DO EPISCOPADO DA AMÉRICA LATINA E DO CARIBE (2007), em Aparecida,o nosso Papa Bento XVI se refere a família como “patrimônio da humanidade”, um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos… escola de fé, comunicadora de valores humanos e cívicos, lar em que a vida humana nasce e é acolhida generosa e responsavelmente, tudo isso para deixar claro que a Igreja acredita e ama a família como sujeito e bem social. Mesmo que exista posições que desvalorizam a família, formada de um homem, uma mulher e filhos o desejo e a necessidade de estar e formar uma família é inerente a todos os seres humano, por isso que as novas configurações familiares  buscam aquilo que é fundamental na formação de uma família. Ser família e não outra coisa é o que nos pedia o Beato João Paulo II, nas conclusões da Familiaris Consortio, como dizendo, se a família realmente é família ela cumpre bem sua vocação de ser lugar privilegiado de plena reciprocidade, gratuidade e espontaneidade.
A Pastoral familiar se empenha nesse anúncio, muito mais do que falar do que não está bom na família, temos um anúncio concreto e salutar: Vale a pena a Família. Nós acreditamos e amamos a Família e nos espelhamos naquela que foi família perfeita, a Sagrada Família.

Padre Wladimir, como os pais devem enfatizar aos filhos desta importância de se viver em família, já que hoje devido a rotina do pais os filhos ficam pouco com os pais?

Na temática do trabalho e da festa, procurando com que o trabalho não ocupe o papel central nos relacionamentos familiares e nem mesmo na dinâmica da própria casa. Melhor ter menos e ser com o outro mais. Valorizar os momentos de festa, não ficar esperando momentos especial, mas fazer dos momentos, por menores que sejam, especiais. Usar a criatividade, o tempo e os recursos a partir da primazia do estar juntos em família.
Uma família saudável é aquela que não se fecha em si, por isso, estar atenta, sensível, solidária com outras famílias. Os pais podem mostrar e proporcionar aos filhos momentos de partilha com outras famílias.
Incentivar e possibilitar com que os membros da família rezem juntos, nas refeições, o terço, numa viagem, e em especial participem da missa juntos. E por último, os estarem presente como sujeitos transmissores da fé e dos valores entre o casal e aos filhos.

Qual é a recomendação da Comissão Vida e Família  para as pastorais familiares trabalharem com as famílias da sua comunidade?

a) que se crie, com bastante antecedência, uma Comissão Organizadora, integrada por membros das diferentes pastorais, movimentos e serviços;
b)  que se busque a aproximação ecumênica nesta organização;
c)  que se apresente logo o tema central, neste ano: “Família: Trabalho e Festa”;
d)  que se planeje o trabalho e se busquem simbologias adequadas;
e)  que se criem as equipes necessárias para todas as áreas de trabalho, como: equipe de divulgação, de secretaria, de liturgia, intercessão, alimentação e saúde, decoração e outras;
f)  que se reze muito pelo evento;
g)  promova vigílias de oração pela família;
h)  que as equipes realizem, com antecedência, as reflexões propostas.

Enfim, ter um espaço na vida da Igreja para celebrar a vida familiar é proporcionar e motivar as famílias católicas, ou não, e as Comunidades Paroquiais, em comum unidade, a terem um olhar especial para a vida familiar, com o propósito de garantir e promover o valor da família como um bem para a pessoa humana e para toda a sociedade.

O senhor poderia deixar uma mensagem para as famílias do Brasil?
O presidente da nossa Comissão, dom João Carlos Petrini,  deixou uma mensagem que a deixo como final dessa entrevista: Como casal das Bodas de Canaã, em especial na Semana Nacional da Família, nós também podemos convidar o Senhor e a Mãe, a Virgem Maria, bem como os discípulos a tomarem parte de nossa vida. A oração e a vida fraternal na comunidade de famílias realizam isso. Podemos, então, ter a firmeza esperança que Ele, na sua compaixão e misericórdia, vai nos socorrer em nossas faltas para que a festa continue, como fez em Canaã providenciando o vinho que faltava. Dom Petrini, ainda faz votos que cada família se fortaleça na unidade e na paz  e encontre razões para viver com dedicação e equilíbrio o trabalho e saiba valorizar o Dia do Senhor para celebrar a festa do amor na comunhão com Cristo e com os irmãos.

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O Pai e a Família
Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, reflete sobre o dia dos pais

RIO DE JANEIRO, sexta-feira, 10 de julho de 2012 (ZENIT.org) – Neste domingo celebramos o Dia dos Pais! Dentro da comunidade família, o pai é chamado a viver o seu dom. Os pais são planos de Deus para a família. Esta comemoração, que veio através da sociedade civil, nos ajuda a valorizar no âmbito religioso a vida familiar. Apesar da exploração comercial deste dia, a Igreja no Brasil, neste mês vocacional, recorda a vocação à vida em família. Por isso mesmo começamos a viver também nesse dia a Semana Nacional da Família.

Hoje, ultrapassamos a ideia do chamado pai provedor, enquanto ele é capaz de trabalhar, até arduamente, para abrigar sua família, colocar comida na mesa e pagar as contas no final do mês. A paternidade começa no compromisso de vida do marido para com sua esposa, baseando-se no amor desinteressado e generoso.

Os filhos e filhas devem reconhecer no pai a presença do amor, da escuta e do apoio oportuno para o seu crescimento, para se tornarem pessoas com conhecimento dos seus direitos e responsabilidades; o apoio para alcançar a auto-estima, a autêntica autonomia e independência e também para compartilhar e celebrar os seus sucessos, e dar conforto quando confrontado com o fracasso.

O que conta para o cristão é a forma como o Pai orienta seus filhos para Jesus Cristo, e qual o papel de modelo de fidelidade de valores ele realmente quer apresentar no seio de sua família.

Neste sentido, o pai é chamado a assegurar o desenvolvimento harmonioso e de união entre todos os membros da sua família. Deve partilhar com a esposa a formação dos filhos.

Podemos afirmar que a paternidade é própria de uma verdadeira espiritualidade da família. Deus é a fonte da vida e do amor em que a família vive no mundo de hoje. O saudoso Papa Paulo VI já nos recordava na Encíclica Humanae Vitae que o casamento “não é efeito do acaso ou do produto da evolução de forças naturais inconscientes: é uma instituição sapiente do Criador para realizar na humanidade o seu desígnio de amor (HV 8).

Daí que, na missão de pai, este é convidado a frutificar e ter a vida ao máximo, exercendo sua função específica biológica e psicológica no contexto da família.

Poderíamos dizer que a missão do Pai é uma vocação, em última instância, do próprio matrimônio. Este significa, antes de tudo, a união de uma pessoa com todos os seus valores e tudo o que deve representar a medida de sua própria dignidade. Todo homem e toda mulher deve doar-se mutuamente em dom sincero de si, através das expressões de sua masculinidade e de feminilidade, o que transpassará certamente para o seu relacionamento com os filhos que virão de sua união.

A família é sempre desafiada com variados problemas urgentes, que são, na verdade, provocados pelas tendências de sua secularização.

Neste contexto, surge o conceito de Pai como serviço no amor. Novamente nos adverte Paulo VI: “na tarefa de transmitir a vida, os pais não são livres para procederem à vontade, como se pudessem determinar, de forma totalmente autônoma, as vias honestas a seguir, mas devem conformar a sua atividade de acordo com a intenção criadora de Deus, expressa na própria natureza do matrimônio e de seus atos”.

A criança não pode exercer certas fases de sua maturidade psicológica sem a ajuda paterna, que a ajude a ousar e a enfrentar as adversidades da vida. O pai educa principalmente pela sua conduta pessoal, que consigo também carrega os seus variados aspectos da masculinidade do ser humano. Os filhos e filhas olham para a figura paterna muito mais do que apenas como uma extensão de seus conhecimentos limitados. Olham para seus gestos, suas expressões e para o seu testemunho. Procuram neste um valor e um sentido de suas vidas, que encontrarão, certamente, na realidade das coisas, na vida que se apresentará diante deles, um dia.

Em suma, a paternidade é um “link” para as consciências dos filhos, que os orienta na condução moral e nos princípios éticos de suas existências.

Roguemos, hoje, a São José, como modelo de pai que abraçou por inteiro as suas responsabilidades, ressaltando a sua firmeza e sua perseverança, confiando sempre em Deus e no seu plano. Quantos pais estão diante das frustrações da procura por emprego, ou de desejo de dar o melhor pela sua família, sem poder fazê-lo!

São Bento, grande mestre da espiritualidade, diz que o abade de um mosteiro tem que mostrar a atitude dura de um mestre e a ternura de um pai. O mesmo deveria se aplicar aos pais de família. Devem ser tanto carinhosos com seus filhos, enquanto agem com firmeza em sua educação.

Que a Semana Nacional da Família, ecoando o tema do Encontro Mundial das Famílias com o Papa, neste ano, em Milão, “A família, o trabalho e a festa” nos ajude a apresentar a beleza da vida em família cristã que procura ouvir a voz de Deus e colocar em prática a Sua Palavra.

Eis um belo momento de apresentar ao mundo a importância e a necessidade das famílias cristãs e a proposta de sua presença na sociedade!

† Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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Mundo


“Lets Bridge”: pontes entre as pessoas para superar as divisões
12.000 jovens promovem no Genfest a fraternidade universal

ROMA, sexta-feira, 10 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – 12.000 jovens de uma centena de países participarão em Budapeste, de 31 de agosto a 2 de setembro, do encontro Genfest, um grande intercâmbio de experiências práticas em que eles estão envolvidos há anos. Economia, arte, questões sociais, diálogo intercultural: estas são algumas das “pontes” que contam histórias pessoais e de grupos. São pontes entre indivíduos, grupos e povos.

Mundo unido, fraternidade: palavras abstratas? O que significa trabalhar em algo tão desafiador é explicado por eles com fatos da vida cotidiana.

Z., sírio, é soldado. A partir de março, ele terá que lidar com os novos recrutas. Entre as suas tarefas, ele terá que visitar as famílias dos soldados mortos para dar essa notícia.

Youssef também é soldado. Ele conta que, uma vez, um colega tinha que ir pessoalmente buscar os novos recrutas em uma cidade distante, com o risco de serem atacados durante a viagem. O colega estava com medo. Youssef se ofereceu para ir em seu lugar. No último momento, os superiores decidiram mandá-lo de avião.

“Faça aos outros o que você gostaria que fizessem para você”, avalia Gergely, da Hungria, 26 anos. “Esta frase, que todos entendem, me dá uma orientação diária”.

Emergências humanitárias provocadas por catástrofes, desastres naturais ou conflitos, sempre têm jovens na linha de frente da reação: das inundações da Ligúria, na Itália, ao êxodo de refugiados iraquianos na Jordânia, ou do terremoto em Fukushima ao terremoto no Chile.

Na Colômbia, a chuva não dá trégua há mais de um ano: são mais de 500 mortos ou desaparecidos e cerca de 3 milhões de pessoas prejudicadas. Os jovens colombianos começaram a reagir em Soacha, cidade nos arredores de Bogotá, e, junto com os adultos, organizaram uma campanha para arrecadar alimentos e roupas. Receberam 200 pares de botas e alimentos que distribuíram para as famílias necessitadas. A situação piorou devido a doenças e problemas de convivência nos acampamentos. Mas os jovens continuam angariando ajuda e acompanhando as pessoas.

Na Síria dos últimos meses, os jovens de Aleppo se organizaram para distribuir às famílias pobres refeições gratuitas doadas por uma grande empresa. Graças à comunhão de bens entre amigos e familiares, eles mandam alimentos regularmente aos necessitados. É o que fizeram também em Damasco, quando os refugiados se abrigaram nos jardins e nas escolas da cidade. Mediante fóruns de cinema e encontros, eles têm procurado também difundir a cultura da paz e da fraternidade.

A juventude do Cairo apresentará em Budapeste o seu projeto “Eu pertenço”, que enfatiza a necessidade da união nacional.

Jovens budistas e cristãos deram vida a três simpósios de intercâmbio e debate sobre temas como o compromisso com a paz e a vivência e transmissão da fé, criando uma rede de amizade e de fraternidade inter-religiosa, intercultural e internacional.

72 muçulmanos e cristãos de 5 países do Oriente Médio e do Norte da África se reunirão em Budapeste pela primeira vez, e, em tempo recorde, repassarão a coreografia que aprenderam em seus respectivos países, graças a aulas virtuais via YouTube. Os jovens da Índia também: hindus do movimento ghandiano Shanti Ashram e cristãos do país trabalharam juntos durante meses para criar a sua dança, que quer expressar a diversidade das religiões e das castas dentro da Índia.

Num, budista da Tailândia, falará sobre a sua vida no dia 1º de setembro no Genfest, e no mesmo dia um cristão de Nazaré e uma muçulmana de Jerusalém contarão o que significa viver a fraternidade no coração do conflito palestino-israelense e da difícil coexistência de três religiões: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Entre os participantes, há também jovens sem crenças religiosas, mas que partilham o compromisso de viver num mundo mais unido. Cada um está na linha da frente no lugar onde vive, com os problemas e desafios de todos os dias.

Santiago, Chile: 100 jovens estão envolvidos na atividade “Natal na rua”, que eles desenvolvem com os mendigos da cidade. Preparação de mesas, presentes personalizados, atenção a cada detalhe… Tudo é projetado para restituir a dignidade àqueles irmãos.

Catânia-Bujumbura: a ponte entre os jovens dessas duas cidades, uma da Itália e a outra de Burundi, se materializou em um teclado. Depois de uma chamada via Skype, em que o grupo africano Smile Gen cantou no idioma kirundi, os jovens estudantes de Catânia tiveram a iniciativa de lhes presentear um teclado. Para isto, lançaram a operação “Um sorvete para Burundi”. Quando se reconectaram pelo Skype, já houve um concerto virtual intercontinental, com palco em Burundi e um tecladoem Catânia. Oteclado já está destinado ao país africano.

O projeto Mundo Unido, concebido e desenvolvido por jovens do movimento dos Focolares e aberto à cooperação de todos, será lançado em Budapeste para promover a fraternidade praticada por indivíduos, grupos e nações. O projeto terá ainda um observatório internacional permanente, reconhecido pela ONU.

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Apelo sobre as vítimas de tráfico humano no Sinai
Líderes da Igreja Católica na Terra Santa preocupados com os africanos que pedem asilo

Por Maria Emilia Marega

ROMA, sexta-feira, 10 de agosto de 2012(ZENIT.org) – Um novo apelo da Assembléia dos Ordinários Locais Católicos da Terra Santa sobre as vítimas de tráfico humano no Sinai foi ecoado nesta quinta-feira (09).

O documento foi divulgado no site da Associação de Saint James do Vicariato do Patriarcado Latino de Jerusalém, fundada em 1955, dedicada ao desenvolvimento das comunidades católicas de língua hebraica em Israel.

Os líderes da Igreja Católica na Terra Santa demonstram uma profunda preocupação com o destino dos africanos que pedem asilo e vêm sendo sequestrados quando passam pelo Sinai.

“Nos últimos dias, mudanças dramáticas têm acontecido no Sinai. Devido ao envio de tropas egípcias ao Sinai após a recente onda de violência na fronteira Israel-Egito, uma janela de oportunidade se abre”, afirma o documento.

Até o momento, apesar da “crescente pressão internacional, as autoridades egípcias diversas vezes explicaram que sob as restrições do acordo de Camp David de 1978 e a desmilitarização da zona, o Egito é incapaz de tomar as ações necessárias”.

O apelo dirigido ao governo egípcio espera que a recente implantação de forças permita “às autoridades fecharem estes campos e certificarem-se que o tráfico de seres humanos termine”.

O documento recorda que neste exato momento, “ainda existem centenas de vítimas (predominantemente da Eritréia e do Sudão) que estão sendo mantidos em tais campos no Sinai. Neste exato momento, eles são torturados (suspensos pelos membros, queimados por ferros quentes, eletrocutados em partes de seus corpos e sistematicamente violados). Tudo isso foi corajosamente documentado por ativistas de direitos humanos. Neste exato momento, os familiares das vítimas pagam dinheiro de extorsão para libertar seus entes queridos”.

Vários líderes católicos assinam o documento, incluindo: Fouad TWAL, Patriarca Latino de Jeruslém, Presidente da Assembléia dos Ordinários  Católicos da Terra Santa; Michel SABBAH, Patriarca Latino Emérito de Jerusalém, Presidente do Comitê de Justiça e Paz e + Antonio FRANCO, Delegado Apostólico em Jerusalém e na Palestina,Núncio Apostólico para Israel e Chipre; dentre outros.

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Gesto concreto para recordar a partilha do pão cotidiano da reconciliação
Comunidade de Taizé comemora 50 anos da Igreja da Reconciliação

TAIZÉ, sexta-feira, 10 de agosto de 2012(ZENIT.org) – A Comunidade de Taizé comemora 50 anos da Igreja da Reconciliação, inaugurada em 6 de Agosto de 1962, dia em que se celebra a Transfiguração de Cristo. É o principal local de encontro, onde todas as semanas o irmão Alois, prior de Taizé, encontra os jovens alí presentes.

O irmão Denis, que é arquiteto, elaborou o desenho e jovens alemães de um organismo criado para a reconciliação após a guerra, «Aktion Sühnezeichen», assumiram os trabalhos de construção da Igreja.

O fundador, irmão Roger, falecido em 2005 , escreveu há 50 anos: «Não é por acaso que a inauguração da igreja da Reconciliação foi agendada para o dia da festa da Transfiguração. Devemos, de fato, recordar-nos que Cristo opera a sua obra de transfiguração em nós e no próximo. Converte as resistências mais profundas que se opõem à reconciliação. Pouco a pouco, faz entrar a sua luz nas nossas trevas mais opacas.»

Em comemoração ao 50° aniversario da Igreja, o irmão Alois, prior de Taizé, assumiu um gesto concreto para recordar a partilha do pão quotidiano da reconciliação: “Através da «Operação Esperança», que apoia projetos em diferentes continentes, ajudaremos a partir deste momento e ao longo dos próximos três anos crianças desfavorecidas da cidade de Rumbek”, afirmou o prior. O Sudão do Sul é um país recentemente independente e saído de duas décadas de guerra.

Alguns exemplos de ajudas dadas recentemente pela «Operação Esperança»:Envios humanitários para a Coréia do Norte, medicamentos e material médico reunidos durante o Encontro Europeu de Berlim, no final de 2011; em 2009, Taizé imprimiu um milhão de Bíblias na China, durante o Encontro Europeu que reuniu 40.000 jovens em Bruxelas; apoio na abertura de furos de captação de água e a instalação de sistemas de bombagem de água, no Sahel; dentre outros.

“Permitam-me citar ainda algumas palavras que o irmão Roger escreveu para a inauguração desta igreja, palavras que poderão acompanhar-nos por um tempo:«Um homem reconciliado consigo mesmo e com o seu próximo encontra uma força viva (…) um dinamismo, uma nova Primavera.»”, conclui o irmão Alois, em meditação feita para a ocasião.

Hoje, a Comunidade ecumênica de Taizé reúne uma centena de irmãos, católicos e de diversas origens evangélicas, vindos quase trinta países diferentes. Irmãs de Santo André, uma comunidade católica internacional fundada há mais de sete séculos, irmãs Ursulinas polacas e irmãs de São Vicente de Paulo assumem uma parte das tarefas ligadas ao acolhimento dos jovens.

MEM

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Análise


Voto na cidade
Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, reflete sobre as eleições

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 10 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – As eleições precisam ser oportunidade para uma ampla e profunda formação da consciência social e política. De modo especial, as eleições municipais devem favorecer essa formação, pois é o momento em que o cidadão exerce seu direito sagrado de escolher governantes para a cidade. Oportunidade de rara riqueza na formação indispensável da consciência política.

A tarefa de cultivar essa consciência não se restringe aos partidos políticos. Suas discussões e propostas configuram, incontestavelmente, um capítulo importante nesse processo. No entanto, a dimensão partidária tem uma inevitável limitação. Muitas vezes, é carente de uma visão mais global. É óbvio que a discussão plural proporcionada pela dimensão partidária da política tem sua contribuição própria. Contudo, é preciso cuidado para reconhecer o que entra nesta dimensão pela porta dos interesses grupais, dos engenhos produzidos em função de pretensões pessoais e meramente partidárias.  Situações que podem comprometer a lisura de processos e, sobretudo, atrapalhar o desenvolvimento da cidadania.

Neste processo das eleições municipais é preciso que instituições e segmentos da sociedade ofereçam contribuições para aproveitar o potencial educativo próprio deste momento importantíssimo. Somente a movimentação partidária, por meio da propaganda eleitoral gratuita, do corpo a corpo pedindo votos ou mesmo pelos debates e notícias veiculadas pela mídia, não se consegue alcançar essa meta educacional. Basta avaliar situações concretas como aquelas em que o eleitor interrogado não se lembra em quem votou na eleição anterior, ou mesmo agora, desinformados quanto aos cargos eletivos postos em sufrágio nas eleições municipais 2012.

Na verdade, a propaganda eleitoral, como instrumento de informação, discussão e confronto para formar a opinião pública, muitas vezes é até desinteressante. As razões desse desinteresse são muitas. Ter como objetivo exclusivo angariar votos e candidaturas de personagens que não se encaixam bem no quadro da política partidária, são alguns dos exemplos dessas razões que desestimulam o interesse. Importa, portanto, o entendimento a respeito das eleições municipais como um momento de cidadania que requer a participação de todos, com especial atenção aos jovens. As bases cidadãs, estimulando o interesse pelo bem comum, devem ser edificadas até mesmo nas crianças.

Espera-se que todos os segmentos da sociedade e suas instituições, como a escola e a família, se engajem nessa tarefa educativa que as eleições permitem. Sem investimentos e participações qualificadas a cidadania vai se fragilizar. Deixará espaço para casos de corrupção que marcam negativamente a história do país. Episódios como o nefasto e famigerado esquema chamado mensalão, em julgamento, e vários outros, que corroem o erário público, desfiguram os direitos e a justiça, impedem avanços indispensáveis para garantir a todos uma vida organizada e vivida à altura da dignidade humana.

Como comprometimento iluminado pela ética e pela fé, a Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio do Núcleo de Estudos Sócio-Políticos (NESP), sediado na PUC Minas, está engajada nesse processo educativo. De modo apartidário, oferece um material de notável qualificação, aciona sua capilaridade pela rede de comunidades e, assim, busca cultivar parâmetros éticos e morais.

O resultado, certamente, será a contribuição para a qualificação da eleição. Também, uma capacitação dos cidadãos para acompanhar os processos decorrentes e contribuir com uma adequada participação na tarefa de todos que é edificar uma sociedade mais solidária. Os partidos políticos têm a função de favorecer a participação e o acesso de todos nas responsabilidades públicas. Os meios de comunicação devem ser utilizados para informar e apoiar a comunidade, nos vários setores, econômico, político, cultural, educativo, religioso. As Igrejas, as famílias, as escolas, empresas, instituições de vários gêneros precisam participar e contribuir mais decisivamente nesse processo do voto na cidade.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

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Testemunho


3º bispo da diocese de Guanhães, dom Jeremias Antônio de Jesus.
Ir. Maria Nilza da Silva narra em primeira pessoa a cerimônia

BRASILIA, sexta-feira, 10 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – No dia 4 de Agosto, em Atibaia, SP, houve a consagração episcopal do 3º bispo da diocese de Guanhães, dom Jeremias Antônio de Jesus. A celebração foi presidida pelo bispo de Bragança Paulista, dom Sérgio Aparecido Colombo.

Publicamos abaixo notícia que a Ir. Maria Nilza da Silva enviou a ZENIT, onde narra em primeira pessoa essa recente consagração episcopal.

***

Dia 4 de agosto, 16 horas. O trajeto da procissão de entrada para a Santa Missa passa pelo Santuário, onde Dom Jeremias renova a sua consagração à Mãe e Rainha de Schoenstatt, consagrando também a sua diocese e todo o povo de Guanhães: “Mãe, Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, com profundo amor, alegria e gratidão, renovo nesse dia de minha ordenação episcopal a consagração a vós… Aceitai sobretudo, o meu coração e juntamente com ele, a diocese de Guanhães… Coloco-me em vossas mãos de Educadora, para que possais usar-me como pequeno instrumento na construção do Reino de Cristo”.

Em seguida, o grande e solene cortejo desce para a Tenda. São onze bispos: Dom Sérgio A. Colombo, de Bragança Paulista, Dom Eusébio Oscar Scheid, cardeal emérito de São Sebastião, do Rio de Janeiro, Dom Airton José dos Santoso, arcebispo metropolitano de Campinas/SP, Dom Gilberto Lopes Pereira, arc. emérito de Campinas/SP, Dom Vicente Costa, de Jundiaí/SP, Dom Fernando Mason, de Piracicaba/SP, Dom Vilson Dias de Oliveira, de Limeira/SP,  Dom Fernando Legal, bispo emérito de São Miguel Paulista,  Dom Pedro Carlos Cipolinio, de Amparo/SP, Dom José Maria Pinheiro, bispo emérito de Bragança Paulista e Dom Diamantino Prata de Carvalho, de Campanha/MG, e mais de cem sacerdotes, de várias dioceses de São Paulo e de Guanhães/MG, onde Dom Jeremias assumirá como pastor. A alegria resplandece no rosto de cada um.

Mais de 5 mil pessoas participam dessa hora especial de graças e acolhem o novo bispo com um aplauso demorado e entusiasmado. A celebração transcorre com calma, concentração e muita unção. Na homilia, Dom Sérgio fala sobre a escolha e missão episcopal, conclui com conselhos de pai ao novo bispo: “Ame com amor de pai os que Deus lhe confiou… ouça-os de boa vontade… mostre seu zelo também pelos que não conhecem Jesus… Não viva para si, mas como servo de todos… Nós de Bragança Paulista não perdemos um sacerdote, mas a Igreja ganha um novo bispo.”

Com a unção dos santos óleos, Dom Jeremias é ordenado bispo para sempre e a entrega dos símbolos esclarece sua missão: “Deus os fez participar da plenitude do sacerdócio de Cristo… anuncia a Palavra de Deus… Recebe este anel, símbolo da fidelidade invencível, guarda sem mancha a Igreja… Recebe a mitra e brilhe para ti o esplendor da santidade… Recebe o báculo, símbolo do serviço pastoral e cuida de todo o rebanho…” Nós o entregamos nos braços de Maria.

Ao término da santa missa, Pe. Libero Zappone, vigário geral de Bragança Paulista, saúda o novo bispo, em nome de todo o clero. Ele recorda as suas virtudes como coirmão sacerdote, destaca seu amor mariano, lembra as tantas vezes em que o Dom Jeremias diz: “Eu me coloco no colo da Mãe” e  finaliza: “Hoje, nós o entregamos nos braços de Maria.”

Quando Dom Jeremias toma a palavra comovido, seu coração transborda de gratidão e humildade: “O Senhor olhou para a minha humanidade e teve misericórdia de mim. Não sou digno. Só e unicamente pela graça de Deus, abraço com carinho e amor esta missão de ser continuador da obra de Jesus Cristo, Filho de Deus. Pelo ministério episcopal, eu possa fazer o que agrada ao Pai… Agradeço aos religiosos, às religiosas, aos seminaristas… Nunca me esquecerei o que fizeram por mim… Guanhães é um presente de Deus, lá aprenderei a ser bispo… e conclui: Que a Imaculada, Senhora de Schoenstatt, interceda por nós. Confio inteiramente a ela que eu possa exercer meu ministério com fidelidade e solicitude.” Então, com a bênção final, termina a santa missa e começa a missão.