Radio Vaticano 06/08

Igreja maronita no Líbano: visita do Papa encorajará oprimidos e sofredores

◊   Beirute (RV) – Aumenta a expectativa dos católicos e da Igreja libanesa pela visita de Bento XVI ao país. O site oficial da visita, www.lbpapalvisit.com, está publicando textos e mensagens de boas-vindas, enviados pelos líderes de várias Igrejas que aguardam o Papa, de 14 a 16 de setembro.

O Patriarca da Igreja maronita, maior expressão do catolicismo no Líbano, Bechara Rai, se dirige ao Pontífice diretamente: “Você entra peregrino de solidariedade e compaixão, incentivando todos os que exercem a sua cruz, aqueles que são oprimidos por sua liberdade e dignidade, aqueles que sofrem no coração ou em seus corpos. A eles, Você vem dizer que elevem seus olhos a Cristo na cruz, para que ali encontrem a fonte da vida e da saúde. É Ele que, tendo suportado humilhações, discriminações e torturas, nos liberta”.

Continuando, o Patriarca maronita diz aguardar o momento da chegada de Bento XVI com fervor, confiante no valor dos momentos intensos e frutuosos de oração, reconciliação e abertura o país e a região viverão.

“A sua estadia em nossa terra trará bênçãos da graça de Deus a todos os que virão de toda a região para encontrá-lo, sedentos de ouvirem a Sua Palavra – a Palavra do Senhor – e serem salvos na esperança, uma esperança que não decepciona”.

Assim se encerra a mensagem de Boutros Bechara Raí, Patriarca de Antioquia e todo o Oriente, Presidente da Assembleia dos Patriarcas e Bispos Católicos do Líbano.
(CM)

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Recordam-se hoje os 34 anos da morte de Papa Paulo VI

◊   Cidade do Vaticano (RV) – A Igreja celebra hoje, 6 de agosto, a festa da Transfiguração de Jesus. Uma celebração que desde 1978 está também associada à memória de Paulo VI, falecido neste dia, há 34 anos, em Castelgandolfo. Às 17 horas locais, na Basílica Vaticana, o Cardeal Dionigi Tettamanzi preside a Santa Missa em recordação a Papa Montini. Estará presente uma delegação de Concesio (Brescia), região de origem de Paulo VI.

Como lembrou Bento XVI, durante o Angelus de 2 de agosto de 2009:

“…não posso deixar de recordar a grande figura do Papa Montini, Paulo VI. A sua vida, tão profundamente sacerdotal e rica de tanta humanidade, permanece na Igreja como um dom do qual dar graças a Deus”.

Também em outra ocasião, em 2008, desta vez, em 3 de agosto, em Bressanone, nos Alpes italianos, o Bento XVI evocou seu predecessor.

“Como supremo Pastor da Igreja, Paulo VI guiou o povo de Deus para a contemplação do rosto de Cristo, Redentor do Homem e Senhor da História. E precisamente a amorosa orientação da mente e do coração para Cristo foi um dos elementos fulcrais do Concílio Vaticano II, uma atitude fundamental que o meu venerado predecessor João Paulo II herdou e relançou no Grande Jubileu do Ano 2000.

No centro de tudo, sempre Cristo: no âmago das Sagradas Escrituras e da Tradição, no coração da Igreja, do mundo e de todo o universo.” (SP)

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Igreja no Brasil

A mensagem de Dom Petrini para a Semana da Família. Ouça

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Brasília (RV) – Entre os dias 12 e 18 de agosto será realizada a Semana Nacional da Família 2012. O evento anual faz parte do calendário de praticamente todas as paróquias do Brasil. Para a ocasião, foi elaborado um subsídio que apresenta reflexão sobre o tema: “A Família: o trabalho e a festa”.

O subsídio foi construído com a participação de representantes da Comissão para a Vida e a Família, membros dos Regionais da CNBB e assessores especializados. “Vamos trabalhar o mesmo tema que foi aprofundado durante o 7º Encontro Mundial das Famílias com o Papa, em Milão” – disse o presidente da Comissão Episcopal Família e Vida da Conferência nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e bispo de Camaçari (BA), Dom João Carlos Petrini.

Para ele, “o tema ajudará cada família a viver melhor a relação com o trabalho, sem ser absorvido e estraçalhado pelas necessidades e exigências do mundo do trabalho”.

A primeira Semana Nacional da Família foi realizada em 1992, e traz todos os anos um tema que defende os valores familiares e cristãos. “É um evento extraordinário que mobiliza a Pastoral Familiar, outros movimentos e grupos de família de todo Brasil” – afirma Dom João Carlos Petrini.

O subsídio começou a ser editado com a visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1994 e passou a ser publicado anualmente. Atualmente está em sua 16ª edição, com uma tiragem de 200 mil exemplares. “Neste subsídio queremos auxiliar os encontros da Pastoral Familiar que acontecerão em todo o país, mas de uma maneira mais particular, na Semana Nacional da Família” – disse um dos assessores da Comissão para a Vida e a Família, Padre Wladimir Porreca.

Ouça a mensagem de Dom João Carlos Petrini para a abertura oficial da Semana Nacional da Família 2012 clicando acima.
(CM-CNBB)

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Agosto, “Chamados à vida plena em Cristo”

◊   Brasília (RV) – O mês de agosto é tradicionalmente dedicado na Igreja à promoção e oração pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias. Por este motivo, a Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e Vida Consagrada preparou um subsídio com sugestões para as celebrações deste período, com o apoio do Instituto de Pastoral Vocacional e da Rogate – revista de animação vocacional.

O tema que deve iluminar a reflexão do mês vocacional é “Chamados à vida plena em Cristo”, e o lema “Eis que faço novas todas as coisas!” (Ap 21,5). São quatro celebrações, dedicadas a uma reflexão eclesiológica da vocação, da seguinte maneira:

1º Domingo – 5 de agosto: celebramos a Vocação dos Ministros Ordenados (bispos, padres e diáconos);

2º Domingo – 12 de agosto: celebramos a Vocação da Vida em Família (em sintonia com a Semana Nacional da Família);

3º Domingo – 19 de agosto: celebramos a Vocação da Vida Consagrada (religiosas, religiosos, leigas e leigos consagrados);

4º Domingo – 26 de agosto: celebramos a Vocação dos Ministros Não Ordenados (todos os cristãos leigos e leigas).

O material – arte do cartaz e o roteiro das celebrações – foi enviado às dioceses de todo o país e pode ser baixado no site da CNBB.

A indicação de agosto como mês vocacional foi feita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – em 1981, em sua 19ª Assembléia Geral. Em 1983, reforçando esta caminhada, foi celebrado em todo o Brasil um Ano Vocacional. O objetivo principal foi instituir um tempo voltado prioritariamente para a reflexão e a oração pelas vocações e os ministérios.
(CM)

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Igreja na América Latina

Caritas do Uruguai completa 50 anos e lança prêmio à solidariedade

◊   Cidade do Vaticano (RV) – No último dia 2 de agosto, a Caritas uruguaia completou meio século de atividades e, para comemorar a data, foi lançado um prêmio à solidariedade e também um concurso fotográfico. O lançamento oficial deve acontecer no próximo dia 15 de agosto.

O prêmio Caritas à Solidariedade será um reconhecimento a pessoas, propostas ou instituições que, fieis a seu compromisso cristão junto aos mais necessitados, trabalham para criar uma realidade mais justa. Por sua vez, o Concurso Fotográfico vai premiar as imagens que traduzam ações de solidariedade, reconhecendo o autor, o projeto ou a instituição retratada.

(RB)

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Campanha da Igreja está pacificando cárceres em Honduras

◊   San Pedro Sula (RV) – Com um dia dedicado exclusivamente à catequese e presidido por Dom Romulo Emiliani, Bispo auxiliar de San Pedro Sula, prossegue a campanha pela paz nas prisões, organizada pela Comissão da Pastoral para os detentos.

A iniciativa, “La Paz no tiene rejas” (A paz não tem barreiras), foi proposta pelos próprios detentos, cuja atitude foi elogiada por Dom Emiliani: “Os presos vivem intensamente este momento e pedem catequeses centradas no amor pela vida; é bela essa situação, estou convencido de que muitos estão mudando sua atitude perante a vida” – disse.

“Nós conversamos sobre o compromisso de viver com Cristo, buscar o Senhor. Devemos continuar com esta forma de evangelização, porque eles estão totalmente abertos para Cristo” – acrescentou o bispo, que salientou também que a sociedade deve colaborar para dar uma mão aos detentos que descontam suas penas. “Quando eles finalmente saírem, é preciso dar-lhes uma oportunidade. Eles têm todo o direito de recomeçar, ninguém está livre de cair em situações difíceis. Se conseguem um emprego decente, as pessoas com um bom trabalho não tem tempo para pensar em coisas ruins”.

O diretor da prisão de San Pedro Sula, Oquelí Mejia Tinoco, que acompanhou a iniciativa, disse estar empolgado com o que está acontecendo nesses dias, pois é uma forma de reforçar a paz. Há mais de 60 dias não há eventos violentos”.

“Queremos a paz e o fim da violência, mas não pode haver paz se não houver justiça. Os detentos devem ser tratados como todos os seres humanos; eles têm direito à saúde e à educação e merecem uma segunda oportunidade” – enfatiza Zobeida Mendoza, membro e coordenadora da Comissão para a Pastoral Carcerária.

(CM-Fides)

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Peru: VIII Curso de Direito Canônico em Lima

◊   Cidade do Vaticano (RV) – A Associação Peruana de Canonistas vai realizar, entre 14 e 17 de agosto, no auditório da Conferência Episcopal Peruana, o VIII Curso de Atualização em Direito Canônico. O curso é voltado a Vigários Judiciais, juizes eclesiásticos, administradores de bens eclesiasticos, reitores, religiosos, advogados e estudantes de teologia que queiram aprofundar-se em temas de organização da Igreja Católica, relação Igreja-Estado e os benefícios do Acordo Internacional entre a Santa Sé e o Estado Peruano.

O programa de atividades prevê quatro dias nos quais serão oferecidas informações atualizadas sobre a evolução da jurisprudência, orientação e soluções juridico-pastorais adequadas a cada caso. Os temas terão enfoque, prinpalmente, para aqueles que administram justiça nos tribunais eclesiásticos, professores em seminários e párocos.

Informações:
canonistas_peru@hotmail.com
www.canonistasperu.org.pe

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Igreja no Mundo

Patriarca Kirill faz visita história à Polônia

◊   Varsóvia (RV) – Pela primeira vez na história, o Patriarca da Igreja ortodoxa russa, Kirill, visitará oficialmente a Polônia de 16 a 19 de agosto, para se encontrar com o presidente da Conferência episcopal polonesa, dom Jòsef Michalik. Os dois assinarão um apelo conjunto pela reconciliação entre as Igrejas cristãs da Rússia e da Polônia.

O evento, explica uma nota da embaixada polonesa junto à Santa Sé, “poderá se tornar no futuro de grande importância para as relações entre a Polônia e a Rússia, em particular para o diálogo entre os fiíes ortodoxos e católicos”. O Patriarca Kirill será recebido pelo presidente da República da Polônia, Bronislaw Komorowski e pelo presidente do Senado. Também visitará o monte santo de Grabarka, importante lugar de culto para os ortodoxos. (SP)

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Angola: Encontro Justiça e Paz

◊   Luanda (RV) – Realizou-se em Luanda de 1º a 5 de agosto, um encontro dos Coordenadores das Comissões regionais Justiça e Paz da África. Objetivo: estudar os sucessos e dificuldades detectados até agora na difusão e aplicação prática da Exortação Apostólica pós-Sinodal, “Africae Munus”. Promovido pelo SCEAM, Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar, o encontro foi aberto por um dos Vice-presidentes do organismo, Dom Gabriel Mbilingi, Arcebispo da cidade angolana do Lubango.

Nas palavras que pronunciou, referiu-se ao grande abismo econômico que em Angola diferencia uma minoria de ricos da grande multidão de pobres – informa o site da Conferência Episcopal angolana, “O Apostolado”. Segundo esta mesma fonte, Dom Gabriel Mbilingi evocou também o importante papel que a Igreja desempenha na formação cívica dos cidadãos e pediu a contribuição dos sacerdotes, consagrados, consagradas e leigos, para que Angola seja um país onde melhores condições de vida sejam garantidas a todos por forma a poderem viver com dignidade. O evento aconteceu no momento em que Angola celebra os dez anos de paz e Moçambique 20 anos.

Momento certo, frisa o “Apostolado”, para os coordenadores de Justiça e Paz falarem sobre a boa governança e consolidação da paz, de modo particular no continente berço da humanidade, a África. Além dos debates sobre o Africae Munus, que tem, como tema o papel da Igreja na promoção da reconciliação, Justiça e Paz em África, os participantes no encontro puderam também visitar vários locais de interesse econômico e social e bairros periféricos da capital angolana. Com base nas análises feitas, o encontro vai apresentar novas estratégias para a continuação da difusão da Exortação de Bento XVI. “Africae Munus”. (SP)

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Londres: oração em tempo de Olimpíada

◊   Londres (RV) – Viver a vida como uma corrida que tem por objetivo não tanto vencer, mas de chegar com o olhar sempre em direção de Cristo, “recordando que a nossa fé não é construída primariamente sobre doutrinas, dógmas, lei e regras, mas ao redor de uma Pessoa que é precisamente Jesus”. Com essas palavras Dom Thomas McMahon, Bispo da Diocese de Brentwood em Londres, acolheu na última quinta-feira os participantes da “Joshua Camp”, uma das muitas manifestações religiosas promovidas pela Igreja Católica da Inglaterra e Galles por ocasião das Olimpíadas.

O evento se realiza durante todo o período dos Jogos na Escola São Boaventura, perto da Vila Olímpica. Tomam parte centenas de jovens provenientes de cerca 20 países de todo o mundo que por 12 dias rezam, refletem juntos e compartilham experiências e testemunhos de fé com os jovens dos bairros de Londres, apoiando projetos de serviço e de hospitalidade já ativos na capital.

Na homilia da Missa de abertura, Dom McMahon se deteve sobre dois temas centrais das Olimpíadas: a tocha olímpica e a competição esportiva. Temas – sublinhou – que têm uma grande importância simbólica também para os cristãos: como na antiga Grécia, a chama é de fato, um “símbolo de fé e de esperança em um mundo escuro”.

O bispo exortou em seguida os presentes a seguirem a luz de Cristo e a serem portadores da luz ao mundo, testemunhando os valores cristãos com a própria vida. Detendo-se sobre o tema da competição, Dom McMahon recordou o espírito dos antigos Jogos Olímpicos: a participação, ao invés do sucesso e da fama. Em conclusão, convidou os presentes a correrem sempre com o olhar em direção a Jesus, “na consciência de que a corrida não é para os vencedores, mas para quem chega à meta”. (SP)

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Austrália: Encontro sobre a Nova Evangelização

◊   Sydney (RV) – Mais de 450 pessoas, entre jovens religiosas, religiosos, párocos, agentes de pastoral e voluntários diocesanos, diretores de escolas, professores de ensino religioso de todas as idades participarão do Primeiro Encontro nacional sobre a Nova Evangelização que acontecerá de 9 a 11 de agosto na Austrália. O evento terá sua sede no “The Concourse”, da cidade de Chatswood, no Estado Novo Gales do Sul, e contará com a participação de pessoas não só da Austrália, mas também da Nova Zelândia e está prevista a presença de um pequeno grupo de jovens africanos.

A iniciativa com o título “Proclaim 2012”, promovida pela Conferência episcopal australiana (Acbc), è organizada pela Catholic Mission Australia e pelo Catholic Enquiry Centre’s National Office for Evangelism. “O que vos disse na escuridão, proclamai-o na luz; o que ouvistes ao pé do ouvido anunciai-o sobre os telhados” é o tema do “Proclaim 2012” que se inspira no versículo do Evangelho de Mateus (10, 27).

Dirigido aos sacerdotes, religiosas, voluntários, casais, indivíduos, jovens e menos jovens, o encontro contará com a participação, entre outros, do Arcebispo Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, que falará em duas ocasiões: a 9 de agosto, abordará o tema “O que é a nova evangelização e o que significa para a Igreja”, enquanto a 11 de agosto o prelado abordará “Jesus e o Ano da fé — a urgência da nova evangelização”.

“É um evento muito importante — explica ao jornal vaticano o Arcebispo Fisichella — é o primeiro momento da nova evangelização que se realiza na Austrália. Um País distante, mas que representa uma presença muito significativa na Igreja católica. “Proclaim 2012” foi preparado com muita consciência e responsabilidade — continua o prelado — é só consultar o site da Conferência episcopal para entender que atenção foi dada ao evento que quer ajudar a entender como a Igreja na Austrália esteja na vanguarda. Além disso, haverá experiências significativas de nova evangelização.

Proclaim 2012 — conclui o arcebispo — tem um grande valor porque reúne todas as Igrejas na Austrália numa grande manifestação eclesial da qual participarei com grande entusiasmo e confortado pelo apoio do Papa Bento XVI”.

“Proclaim 2012” quer ajudar, ainda, as pessoas a entender a nova evangelização, respondendo assim ao convite de Bento XVI a se comprometer neste âmbito e alcançar com a mensagem de Jesus os fiéis e a cultura de maneiras novas. Objetivo do encontro será “a evangelização nas paróquias, porque — lê-se no site da Conferência episcopal — são as comunidades doadas a nós pela Igreja, nas quais se pode viver a fé católica”. (SP)

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Entrevistas

Prepósito Geral dos Jesuítas: a chave para enfrentar a crise é entrar no coração das pessoas

◊   Cidade do Vaticano (RV) – A chave de tudo é entrar no coração das pessoas. O Prepósito Geral da Companhia de Jesus, Pe. Adolfo Nicolás, reflete sobre os problemas provocados pela atual crise mundial e exorta a “não se perder em projetos superficiais”, fruto de divisões e contrastes, “mas a redescobrir que existe algo mais profundo, mais evangélico”. Em suma, a crise representa uma possibilidade de resgate da humanidade, uma ocasião da qual aproveitar, partindo dos fundamentos da sociedade, como a família. A Rádio Vaticano entrevistou Pe. Adolfo Nicolás sobre esses temas:

Pe. Adolfo Nicolás:- “Há dois aspectos que devem ser levados em consideração: um deles diz respeito à família humana, o outro concerne à família propriamente dita. Refletindo sobre a vida cristã sempre me convenci que a família é realmente o lugar onde se cresce como pessoa. E cresce também no seguimento de Cristo, porque a família apresenta questões aos pais e os genitores aprendem, na família, a esquecer a si mesmos. E isso se dá continuamente, é algo que não cessa: toda idade tem os seus problemas, os seus desafios, os seus percursos de crescimento e tudo isso é muito concreto quando se dá no âmbito de uma família, onde se vê que a relação deve ser uma relação criativa, uma relação dinâmica. Não pode ser uma relação ‘egoísta’: “você tem o seu lugar e eu tenho o meu”, porque isso não funciona. Deve ser uma relação contínua de interação, e então é um desafio para os genitores: ou se cresce juntos ou nenhum vive, a família se torna um inferno. Então, creio que se a Igreja quiser falar hoje em santidade e sobre como seguir Cristo, a família é o lugar onde se aprende. E os outros que não têm como tarefa principal desenvolver a sua família devem realizar um trabalho de assistência, de acompanhamento e de testemunho. O papel essencial da família é ser um lugar de crescimento.”

RV: A família como ponto de referência a ser ajudada e a ser desenvolvida, mas, ao mesmo tempo, um ponto de referência para o qual olhar, como exemplo, também quando se fala de relações entre os Estados, entre as regiões ricas e as regiões pobres do mundo?

Pe. Adolfo Nicolás:- “Sim, este seria o segundo ponto: o segundo aspecto é a família como família humana. Creio que hoje a consciência do mundo seja maior também em termos de ecologia: temos mais consciência do fato que se destruirmos o nosso mundo também nós sofreremos, de que é a própria vida humana que está em perigo; não é somente a vida dos gorilas ou de alguns animais em extinção que está em perigo, mas é a vida humana a sofrer tais conseqüências. Já podemos notar isso em muitos lugares: em Tóquio, por exemplo, o homem destruiu o habitat dos corvos e eles foram para as cidades tornando-se um grave problema. Os corvos chegam às cidades e procuram alimento no meio do lixo, espalhando-o em todo lugar. Foram colocadas redes para evitar que o lixo fosse espalhado, mas foram criados outros problemas, porque os corvos são inteligentes, estão entre os pássaros mais espertos. É uma situação que vemos nos pequenos sinais, mas também nos grandes sinais: a falta de ar, a falta de água, e outros. Não é uma questão de mera ecologia, mas, sobretudo, de ‘ecologia humana’. A experiência que tivemos recentemente na África (por ocasião da Congregação dos Procuradores da Companhia de Jesus, em Nairóbi, no Quênia, na segunda semana de julho) foi muito importante para nós porque vimos como na África – privada de seus recursos e devastada por conflitos provocados por quem quer tomar posse de tais recursos – os povos conservaram a sua humanidade, que manifestam com um forte sentido de acolhimento, de hospitalidade, de aproximação aos outros. Os africanos sentem em relação com o resto do mundo. É verdade o que nos disse o Provincial da África Leste quando nos saudou com um “Bem-vindos à casa”, porque a África é a casa de todos, é o lugar onde tudo começou, onde podemos encontrar ainda resíduos de humanidade, que a Europa talvez tenha esquecido.”

RV: Falando sobre a crise atual como um tempo de oportunidade, o senhor citou a figura de Santo Inácio. Qual seria a justa interpretação para dar esperança à humanidade de hoje?

Pe. Adolfo Nicolás:- “O nosso tempo é muito parecido com o tempo em que vivia Santo Inácio. Tratava-se de uma época em que tudo estava mudando: a comunicação tinha mudado, a imprensa havia sido criada, tinham início as grandes viagens, se começava a viajar para a América, Ásia… mas se tratava de uma situação análoga à atual no que diz respeito às mudanças nos valores, com uma mudança de perspectiva, mudanças em âmbito científico, novas possibilidades. Uma situação que levou Santo Inácio a descobrir que a chave de tudo é entrar no coração das pessoas. Não se perder em projetos superficiais, mas ir ao coração das pessoas para fazer-lhes descobrir que há algo mais profundo do que apenas a própria geografia, a política ou as divisões que existiam naquela pequena Europa do passado que acreditava representar o mundo. Portanto, creio que é um momento importante para aproveitar a crise sem lamentar-se, mas para descobrir quais são as novas formas de comunicação e de intercâmbio que permitem à família humana desenvolver-se, sobretudo hoje que sabemos ser muito mais complexa e diversa daquilo que acreditavam os europeus da época de Santo Inácio.” (RL)

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Formação

Dez anos depois de Toronto e a expectativa pela JMJ Rio2013

◊   Cidade do Vaticano (RV) – Passaram-se dez anos da 17ª Jornada Mundial da Juventude que se realizou em Toronto de 23 a 28 de julho de 2002. Os jovens de todo o mundo se reuniram no Canadá para rezar e refletir sobre o tema escolhido por João Paulo II, “Vós sois o sal da terra, a luz do mundo”, tirado do Evangelho de Mateus. A distância de uma década, a Igreja canadense celebrou este aniversário com numerosas Missas de Ação de Graças em todas as dioceses do país, enquando a emissora Católica “Sal e luz” preparou transmissões de aprofundamento e reevocação do evento.

Em uma nota divulgada no seu site, a Conferência Episcopal local destaca que a JMJ de Toronto “foi o maior evento religioso da história do país”. Um evento que “trouxe abundantes graças à Igreja mesma, tornando-se fonte de novas vocações ao ministério sacerdotal e à vida consagrada”.

E não somente: a JMJ “estimunlou a renovação da pastoral juvenil, reforçou o sentido da identidade católica e a sua influência, ajudou muitos católicos canandenses a apreciarem melhor a sua pertença à Igreja presente em todo o mundo e aprofundar o seu sentido”.

A Jornada Mundial da Juventude de Tornro, além do mais, “deu testemunho de colaboração ecumênica e inter-religiosa e deu início a novas formas de compromisso e novas estruturas de comunicação dentro da Igreja”. Tudo isso, naturalmente – recordam os bispos canadenses -, “foi possível graças à generosidade e à participação das dioceses do país, à dedicação do Comitê organizador e à ajuda de milhares de católicos e de voluntários, pessoas de boa vontade que colaboraram com os peregrinos”.

Os bispos destacam ainda “que se nos detemos a olhar para os últimos 10 anos e para os frutos abundantes de duradouros deixados pela JMJ 2002, compreendemos melhor como tal evento de alcance mundial contribuiu para a construção e o crescimento da Igreja”.

Por sua vez, como disse dez anos atrás, Dom Jacques Berthelet, então Presidente da Conferência Episcopal canadense, “um vento novo sopra sobre a Igreja no Canadá, uma Igreja revigorada e rejuvenecida e agora todos nós temos a missão de compartilhar a fé e difundir a alegria”. Entretanto, as dioceses de todo o mundo olham já para o 2013 – precisamente de 23 a 28 de julho – para o Rio de Janeiro, onde se realizará a 28ª Jornada Mundial da Juventude, com o tema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19).

Sobre os preparativos para a JMJ Rio2013, eis o que nos disse o Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta. (SP)

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Atualidades

Denúncia: chineses dizimam floresta na RDC

◊   Kinshasa (RV) – Há cerca de oito meses, os chineses estão extraindo de modo desordenado a madeira da região de Kasomeno, a 150 km ao norte de Lubumbashi (República Democrática do Congo). A denúncia é feita pelo Observatório diocesano de recursos naturais de Kilwa-Kasenga.

Segundo um comunicado do Observatório, o alvo seria especialmente a madeira umukula, cujo “coração” é muito valorizado: “Todos os dias, são levados para a China, através de Dar es Salaam (Tanzânia), pelo menos quatro grandes caminhões carregados desta madeira de grande valor. O corte acontece de maneira anárquica, tanto é verdade que inteiras regiões da floresta são completamente dizimadas”.

“Diante da amplitude da destruição da biodiversidade em desrespeito à lei congolesa, as denúncias da população local foram abafadas. Com efeito, o grupo de chineses extratores tem o apoio de pessoas que afirmam pertencer à família presidencial” – revela o comunicado.

Neste sentido, o Observatório de recursos naturais da diocese de Kilwa-Kasenga convida as instituições competentes a colocarem fim nisso, condena o saque despudorado da riqueza nacional por parte de estrangeiros que têm o apoio de cúmplices congoleses; e pede, por fim, que a floresta de Kasomeno seja protegida contra os predadores, para o bem da população local – conclui o comunicado.
(CM-Fides)