Radio Vaticano 21 de Junho

Ano da Fé é apresentado no Vaticano: um percurso para a Nova Evangelização

◊   Cidade do Vaticano (RV) – Foi apresentado na manhã desta quinta-feira, na Sala de Imprensa da Santa Sé, o Ano da Fé convocado por Bento XVI a ser celebrado no período de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013.

O Ano da Fé, através de um calendário repleto de grandes eventos, tem a finalidade de favorecer a fé de tantos fiéis que na fadiga cotidiana não cessam de confiar a sua existência ao Senhor – disse o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella.

“Somente crendo a fé cresce e se reforça” (Porta fidei, 7). À luz das reflexões contidas na Carta Apostólica Porta fidei, Bento XVI convocou um Ano da Fé que terá início em concomitância com o 50º aniversário do Concílio Vaticano II (1962). O objetivo príncipe do Ano da Fé é favorecer a fé de tantos fiéis que na fadiga cotidiana não cessam de confiar com convicção e coragem a sua existência ao Senhor Jesus – explicou o Arcebispo Fisichella.

“O último Ano da Fé foi celebrado em 1968. Para agora foi pensado se poder fazer um momento, justamente, de reflexão, sobretudo, num contexto de crise generalizada. Não escondemos que existe uma crise de fé.”

No atual contexto caracterizado por um secularismo que impele a “viver no mundo como se Deus não existisse” – frisou Dom Fisichella –, o Ano da Fé se propõe como um percurso que a comunidade cristã oferece a tantas pessoas que vivem com saudade de Deus e o desejo de encontrá-lo novamente.

Os objetivos indicados pelo Papa para o Ano da Fé – contidos na Carta Apostólica Porta fidei – são repercorridos com um programa que envolve a vida ordinária de todo fiel e a pastoral ordinária voltados a dar vida à nova evangelização.

Para isso, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos aprovou o formulário de uma santa missa especial “Pela Nova Evangelização”. Todos os movimentos, antigos e novos, terão na vigília de Pentecostes um papel fundamental na transmissão da fé e na renovação do espírito missionário.

“O Ano da Fé é um ano que impele os movimentos a reencontrar na nova evangelização um elemento de participação comum em favor do crescimento da Igreja.”

O primeiro evento do Ano da Fé terá lugar no domingo, 21 de outubro próximo, com a canonização de seis mártires e confessores da fé. Teremos, em seguida, muitas iniciativas voltadas para os jovens, em vista da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, e voltadas também para os leigos em geral mediante a experiência das Confrarias e da piedade popular, precisou o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da nova Evangelização.

Ademais, o Ano da Fé terá um logotipo e hino próprios, caracterizando assim os eventos oficiais. Para informar-se sobre todos os eventos afins foi criada uma página na Internet em italiano, inglês, espanhol, francês, alemão e polonês no endereço www.annusfidei.va. (RL)

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Presidente de Montenegro no Vaticano: ratificação de Acordo fortalece relação entre os Estados

◊   Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã desta quinta-feira, 21, o Papa Bento XVI recebeu o Presidente de Montenegro, Filip Vujanovic, o qual se encontrou, em seguida, com o Cardeal Secretário de Estado Tarcísio Bertone. Acompanhou-os os Secretário para as Relações com os Estados, Arcebispo Dominique Mamberti.

O principal objetivo da visita foi a troca de Instrumentos de Ratificação do Acordo de Base entre Santa Sé e Montenegro, realizada pelo Cardeal Bertone e o Presidente Vujanovic ao final do encontro. Com tal ato, o Acordo entrou em vigor.

O documento havia sido assinado em 2011, estabelecendo, no âmbito civil, a personalidade jurídica pública da Igreja Católica e reconhecendo as suas principais instituições, bem como a liberdade e a independência na atividade apostólica e na regulamentação das matérias de competência específica da Igreja. Reconhecidas também as liberdades de culto e de ação nos âmbitos cultural, educativo, pastoral e caritativo.

Considerou-se o Acordo como um sinal de consolidação do Estado de Direito e dos princípios democráticos nos quais o Estado de Montenegro deseja fundamentar o próprio futuro.

Montenegro é uma pequena república situada nos Balcãs, independente desde 2006, quando um referendo popular decidiu pela sua separação da Sérvia. Em 3 de junho daquele ano, portanto, o parlamento montenegrino declarou oficialmente a independência do novo país, obtendo o reconhecimento das Nações Unidas no dia 28 do mesmo mês. Atualmente, Montenegro está em pré-negociação para a sua entrada na União Europeia, no que é apoiado pela Santa Sé. (ED)

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Novo apelo de Bento XVI em favor da Síria: “Tirar o país da atual situação de violência e de crise”

◊   Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Bento XVI fez esta quinta-feira mais um apelo em favor da Síria. A ocasião foi a audiência com os membros da Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO).

“Não se deve poupar nenhum esforço para tirar a Síria da atual situação de violência e de crise, que dura há muito tempo e corre o risco de se tornar um conflito generalizado que teria consequências fortemente negativas para o país e para toda a região”, disse o Pontífice, lançando mais um apelo para que seja garantida a assistência humanitária à população.

“Esta reunião da ROACO, afirmou, é também uma ocasião para reafirmar a minha solidariedade para os nossos irmãos e irmãs que sofrem na Síria, em especial as crianças inocentes e os mais indefesos”, afirmou o Papa, que pediu o fim imediato do derramamento de sangue e da violência.

Recordando a inauguração do Ano da Fé, em outubro próximo, Bento XVI disse que este evento oferecerá fecundas orientações para a Igreja no Oriente, para que seja sempre sinal eloquente da caridade que brota do coração de Cristo.

Sobre os problemas que afligem a região, o Papa citou em especial a falta de liberdade religiosa pessoal e comunitária. “Este direito deve ser garantido na sua profissão pública e não somente em termo culturais, mas também pastorais, educativos, assistenciais e sociais – todos aspectos indispensáveis ao seu exercício efetivo.”

Bento XVI concluiu seu discurso falando do Líbano, seu próximo destino internacional, em setembro próximo.

“Que a Mãe de Deus proteja minha próxima viagem, que – se Deus quiser – realizarei ao Líbano para por o selo sobre a Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos. Desejo desde já antecipar à Igreja e à Nação libanesa o meu abraço de pai e de irmão.”

(BF)

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Igreja no Brasil

A presença da CNBB na Cúpula dos Povos

◊   Rio de Janeiro (RV) – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está participando da Cúpula dos Povos, que se conclui no Rio de Janeiro (RJ) esta sexta-feira, 22 de junho.

No interior da Cúpula dos Povos, existe o espaço “Religiões por Direitos”, no qual a CNBB participa através de uma coalizão ecumênica, de caráter internacional, que congrega diferentes igrejas, organizações cristãs e tradições religiosas.

Nesse espaço de “Religiões por Direitos”, a Comissão de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da CNBB coordenou uma celebração inter-religiosa, no dia 18, e uma mesa de diálogo dos líderes religiosos presentes na Cúpula dos Povos, no dia 19. Ambos os eventos foram realizados em parceria com a organização inter-religiosa internacional Religions for Peace.

A celebração contou representantes judeus, cristãos, muçulmanos, tradições afro e indígenas, e teve como tema principal o desenvolvimento de uma “mística do cuidado da criação”. Cada líder religioso pôde fazer uma breve meditação acerca do tema, seguida de momentos de silêncio, cantos e gestos.

Já a mesa de diálogo dos líderes religiosos contou a participação de 10 representantes de diferentes tradições religiosas e teve como tema “A responsabilidade da religião com o cuidado da vida na terra”.

“Como resultado do diálogo de lideres religiosos, constatou-se que a agenda das religiões na atualidade deve incluir os elementos que traçam os projetos do ser humano na busca de realização da sua existência e afirmar compromissos efetivos com a defesa da vida no planeta. Religiões, sociedade e meio ambiente não são realidades distanciadas, mas estreitamente correlatas. As tradições religiosas contribuem para a ampliação da consciência dos seus seguidores sobre os valores fundamentais da vida, pessoal, social e ambiental, orientando para a convivência pacífica e respeitosa entre os povos, culturas e credos, e destes com toda a criação”, explicou o assessor da Comissão para o Diálogo Inter-religioso da CNBB, Padre Elias Wolff.

A Cúpula dos Povos é um evento realizado por organizações da sociedade civil, em nível internacional, e tem como finalidade discutir as questões socioambientais que afetam os povos do mundo inteiro. Esse evento foi organizado no contexto da Rio+20.
(BF-CNBB)

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Bispos reunidos em Brasília para reunião do Conselho Permanente da CNBB

◊   Brasília (RV) – Está em andamento, em Brasília, a reunião do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).Participam a Presidência da CNBB, 12 bispos presidentes das Comissões Episcopais Pastorais e os 17 presidentes dos Regionais que compõem a CNBB.

Na abertura, na tarde desta quarta-feira, os integrantes do Conselho Permanente ouviram o Bispo Emérito de Pelotas (RS), Dom Jayme Henrique Chemello, sobre sua viagem a Chernobil, na Ucrânia. “Passaram-se 26 anos do maior desastre nuclear da história. O Brasil deve se preocupar com a utilização da Energia Nuclear. Temos um exemplo recente, que foi o caso do Japão. Devemos estar atentos com a utilização dessa energia”, disse dom Jayme.

Já o membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo vinculado à CNBB, Francisco Whitaker, disse que a Igreja “sabiamente” está estudando e se movimentando contra a implantação da energia nuclear no país.

Outro assunto abordado foi a 5ª Semana Social Brasileira, sobre o tema “Estado para que e para quem?”. O Padre Nelito Dornelas falou sobre os seminários e colóquios que estão sendo realizados em vários estados brasileiros.

“As Pastorais Sociais estão puxando as discussões sobre a Semana Social Brasileira. Já os movimentos sociais estão ainda muito tímidos, precisamos ampliar o debate”, destacou o Padre Nelito.

O secretário executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz, Pedro Gontijo, fez a análise de conjuntura econômica e política.

Gontijo tratou de temas como a dificuldade financeira na Europa, o mercado financeiro, o agravamento da seca no Semiárido, CPMI do Cachoeira, situação carcerária e legislação penal, Comissões Laicais, Rio+20 e movimentos sociais.

(BF-CNBB)

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CNBB destaca personalidade “entusiasta” de Dom Aloysio Penna

◊   Brasília (RV) – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil manifestou pesar pela morte de Dom Aloysio José Leal Penna, Arcebispo Emérito de Botucatu (SP), ocorrida na manhã da terça-feira, 19 de junho. Dom Aloysio faleceu aos 79 anos de idade por falência múltipla de órgãos, em Belo Horizonte (MG).

A CNBB destaca a personalidade “entusiasta” de Dom Aloysio, “dedicado ao serviço da Família e da Juventude, além de intrépido educador tanto no meio do povo quanto na colaboração generosa com a formação dos padres”.

Leia a Nota:

Nota de condolências pelo falecimento de dom Aloysio José Leal Penna

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta o seu pesar pelo falecimento de Aloysio José Leal Penna, bispo emérito de Botocatu (SP). A morte desse nosso irmão nos entristece, mas renova em nosso coração a esperança jubilosa da ressurreição em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Dom Aloysio foi um entusiasta dedicado ao serviço da Família e da Juventude, além de intrépido educador tanto no meio do povo quanto na colaboração generosa com a formação dos padres, especialmente no período em que colaborou com o Colégio Pio Brasileiro, em Roma. Colaborou, com particular zelo, com o Conselho Episcopal Latino-Americano e com a nossa Conferência, especialmente na animação da Pastoral da Criança.
“Vim para servir” foi o lema escolhido por dom Aloysio para seu ministério como bispo. Desse versículo da palavra do Senhor, contido no evangelho de São Mateus, encontramos a substancial marca da espiritualidade que moveu a vida de um homem de fé robusta, de abnegado serviço em frentes desafiadoras da ação evangelizadora no mundo dos nossos tempos e de cristalina entrega ao Reino de Deus.
Estamos unidos aos familiares de dom Aloysio, a dom Maurício Grotto e a todo o povo de Botocatu nesse momento de ação de graças e de profundo mergulho na experiência de confiança e de fé nas promessas do ressuscitado.

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo auxiliar de Brasília
Secretário geral da CNBB

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Celebração ecumênica na Cúpula dos Povos: teologia da criação para combater injustiças

◊   Rio de Janeiro (RV) – O Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Nelson Francelino, presidiu uma celebração ecumênica na tarde da última terça-feira, 19 de junho, na tenda 35 da Cúpula dos Povos. O ato contou com a presença de lideranças religiosas membros do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), além de diversos movimentos católicos e novas comunidades, como Focolares, Comunidade Shalom, Comunidade Bom Pastor, Comunidade Coração Novo para refletir sobre o compromisso de cada religião na preservação da natureza. O encontro contou também com a participação da teóloga Maria Clara Bingemer, que fez uma reflexão após a leitura bíblica.

Dom Nelson ressaltou a importância da Cúpula dos Povos para a pluralidade da cultura entre os povos. Ele ressaltou que, através da percepção da teologia da criação, os cristãos não devem se afastar de debates sobre as questões relacionadas à biodiversidade:

“Esse é um momento importante para nós, principalmente no que diz respeito à nossa fé, no que diz respeito ao que nos move, porque aqui no Aterro podemos perceber essa pluralidade de cultura, essa diversidade, e nós, cristãos, não podemos ficar distantes, sobretudo porque, movidos por uma boa compreensão da teologia da criação, temos muito o que contribuir a esse debate, até por força da nossa própria vocação de cuidar da natureza, afirmou o Bispo.

Dom Nelson, que também é presidente do CONIC-Rio destacou o Credo, que em seu primeiro e maior artigo afirma a crença de Deus sobre todas as coisas, e disse que é preciso ter respeito à vontade do criador:

“A teologia da criação inspira em nós a vocação do cuidado, a vocação para colaborar para que a diversidade caminhe nessa unidade, que, em última instância, é o respeito à vontade do Criador, à lei natural. Eu creio que a ecologia, a economia sustentável se dão, sobretudo, no respeito, e numa compreensão cada vez mais alargada da lei natural, que nos reporta diretamente ao Criador e, nesse sentido, nós, cristãos, temos muito que contribuir nesse debate” – afirmou.

Para o Reverendo Daniel Rangel, da Igreja Anglicana, o encontro ecumênico foi uma oportunidade de reunir representações das religiões cristãs para mostrar a necessidade da união no combate às injustiças, principalmente com a natureza.

“Espiritualmente conseguimos transmitir para o povo a necessidade de ter mais consciência com a natureza, mais consciência com o nosso planeta e mais consciência de que nós mesmos, juntando forças, conseguimos combater a injustiça, a intolerância e principalmente a destruição da natureza. Se congregarmos forças, vamos conseguir combater toda essa maldade do ser humano, ponderou”.

Já a pastora Christiane Drini, da Igreja Evangélica de confissão luterana lembrou que o compromisso dos cristãos com a biodiversidade está presente na bíblia.

“Está sendo muito significativo porque nós, cristãos, temos a bíblia que fala que Deus pôs o homem no jardim para usufruir, sim, mas para cuidar e não para estragar. Então acho que os cristãos têm um compromisso, sim, com esta terra, com essa água, com os recursos; e a gente precisa viver isso e se comprometer mais, opinou”.

Ao final, os líderes religiosos formularam alguns princípios e assinaram esse compromisso em defesa da vida do planeta, visando uma economia sustentável para toda a humanidade. As organizações defendiam uma afirmação do direito das mulheres à escolha sobre a reprodução, com acesso a serviços de saúde e educação sexual. “Isso tem uma vinculação clara com a questão ambiental, porque muitas políticas de proteção ambiental passam pelo controle populacional e as mulheres são o objeto dessas políticas”, aponta Lygia.
(CM)

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Card. Scherer na Rio+20: “Ética e dignidade meçam progresso econômico”

◊   Rio de Janeiro (RV) – Na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, o Cardeal Odilo Scherer, legado pontifício e chefe da Delegação da Santa Sé, discursou terça-feira, 19 de junho, em evento paralelo à Rio+20, sobre “Agricultura e Sociedades sustentáveis: segurança alimentar, terra e solidariedade”.

O evento foi uma iniciativa da Caritas Internacional, da aliança de agências católicas CIDSE e da organização Franciscana Internacional. Também participaram do evento o arcebispo de Dioulasso, em Burquina-Fasso, Dom Paul Yembuado Ouédraogo, e o Observador Permanente da Santa Sé na ONU, Arcebispo Francis Chullikatt.

Em seu discurso, o cardeal ressaltou que “a centralidade da pessoa humana no Princípio 1º da Conferência de 1992 é um lembrete de que o desenvolvimento sustentável não é alcançado através do desenvolvimento econômico, ambiental ou político isoladamente, mas antes, e acima de tudo, deve ser medido pela sua capacidade de promover e salvaguardar a dignidade da pessoa humana”.

Dom Odilo recordou a responsabilidade da sociedade para com o meio ambiente e ressaltou, porém, que não se pode tirar a dignidade humana e nem deixar de lado o direito a vida “a centralidade da pessoa humana requer que a sociedade meça o progresso econômico, sobretudo pela capacidade de promover a pessoa humana. Isso requer que a ética não seja separada das tomadas de decisões econômicas, mas sim que seja reconhecida”. Ao finalizar seu discurso, o arcebispo reforçou que a Santa Sé tem procurado “promover um desfecho que respeite a dignidade da pessoa humana”, e que o maior recurso do planeta é o ser humano. E este está “no centro do desenvolvimento sustentável”.

Leia a íntegra do discurso, em tradução cedida pela Arquidiocese de São Paulo.

“Excelências, Senhoras e Senhores,
É uma honra e um grande prazer estar aqui hoje como enviado Especial de Sua Santidade o Papa Bento XVI à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Primeiramente, gostaria de agradecer Sua Excelência Arcebispo Francis Chullikatt por sua dedicação permanente, tanto nas Nações Unidas, quanto nesta Conferência. Ainda, gostaria de agradecer Sua Excelência Arcebispo Paul Ouedraogo, Senhora Gisele Henriques, Senhora Cristina Dos Anjoys e Senhora Maria Elena Aradas por terem se juntado a nós neste dia. O trabalho, a nível base, da CARITAS Internationalis, CIDSE e da Franciscans International, é uma grande contribuição para a promoção do ser humano centrado no desenvolvimento sustentável. Vinte anos atrás, líderes do mundo vieram para o Rio de Janeiro para estabelecer um novo modelo e estrutura para promoção do desenvolvimento sustentável. Nessa reunião, eles reconheceram que, na da promoção de uma nova e mais justa parceria para o desenvolvimento sustentável, o princípio básico que deve orientar o desenvolvimento global exige colocar a pessoa humana no centro das preocupações para o desenvolvimento sustentável. A centralidade da pessoa humana no Princípio 1 da Conferência de 1992 é um lembrete de que o desenvolvimento sustentável não é alcançado através do desenvolvimento econômico, ambiental ou político isoladamente, mas antes, e acima de tudo, deve ser medido pela sua capacidade de promover e salvaguardar a dignidade da pessoa humana. Agora, vinte anos depois, nós continuamos a ver as consequências para o desenvolvimento humano quando a pessoa humana não é colocada no centro desenvolvimento político, ambiental ou social, mas é bastante colocado à sua mercê. A contínua promoção das abordagens neo-malthusianas para o desenvolvimento, que veem o ser humano como obstáculo para o desenvolvimento, em vez de um benefício para este, levou à adoção de programas que promovem a destruição da vida humana e desenvolveu uma cultura hostil à vida. Os efeitos de uma abordagem não centrada no ser humano podem ser verificados no envelhecimento de comunidades ao redor do mundo hoje e nos milhões de órfãos que nunca tiveram a oportunidade de nascer e cujas contribuições graduais para o nosso planeta, portanto, ficarão para sempre em falta. A centralidade da pessoa humana requer que a sociedade meça o progresso econômico sobretudo pela capacidade de promover a pessoa humana. Isso requer que a ética não seja separada das tomadas de decisões econômicas, mas sim que seja reconhecida. A ética da justiça e da solidariedade serve como a fundação de uma eficiência social e econômica, crucial para reparar injustiças e reformar instituições fundadas para perpetuar a pobreza, o subdesenvolvimento e a degradação ambiental, permitindo a todos o direito de participar na vida econômica para o progresso de suas comunidades e sociedades. Quando a dimensão ética é negligenciada na elaboração de políticas econômicas, podemos facilmente ver os efeitos desumanizantes e desestabilizantes resultantes de um crescimento econômico realizado à custa do detrimento dos seres humanos. A atual crise financeira e econômica atesta os perigos do desenvolvimento econômico que desdenha imperativos éticos e morais e demonstra que o interesse próprio e a ganância apenas fomentam o agravamento da desigualdade social e da divisão. A consequência de uma ordem econômica ambivalente com os imperativos morais e éticos pode ser visto nos rostos das mulheres e homens desempregados que lutam para sustentar suas famílias, na agitação política crescente que assola o mundo, enquanto os líderes políticos tentam estabilizar a sistemas econômicos, nas vidas dos mais pobres da sociedade, cujos filhos morrem de fome ou sucumbem por doenças facilmente tratáveis e controladas. Estas realidades emergem onde as políticas econômicas não conseguem reconhecer o vínculo essencial entre a moralidade e a vida econômica. A centralidade da pessoa humana no desenvolvimento sustentável deve orientar não só o trabalho dos gestores políticos, mas também do setor privado. Embora o desenvolvimento da riqueza seja um objetivo da economia, a criação de riqueza deve se concentrar no progresso em qualidade e da moralidade, e não apenas na quantidade de riqueza gerada. Quando a acumulação de riqueza for valorizada como um bem social em si, ciclos insustentáveis de produção e consumo vão continuar a provocar o esgotamento inexorável de recursos, deixando as pessoas e as comunidades ansiosas por uma felicidade autêntica. O que é necessário, antes, é o meio para a promoção do desenvolvimento humano integral, que reconhece que o real desenvolvimento solicita mais que o simples desenvolvimento econômico, social ou políticos, mas exige, acima de tudo, que o desenvolvimento da pessoa humana seja mantido na frente e no centro de tudo. A encíclica do Papa Bento XVI, Caritas in veritate, elabora as necessidades da promoção do desenvolvimento integral, a fim de estimular o verdadeiro desenvolvimento humano e, portanto, o desenvolvimento sustentável. Tal desenvolvimento integral requer o reconhecimento que abordagens puramente institucionais para o desenvolvimento não podem ser suficientes para o genuíno desenvolvimento, mas que cada membro individual da sociedade é dotado de uma atitude vocacional que livremente assume a responsabilidade, na genuína solidariedade para com o outro e toda criação. O reconhecimento de uma dimensão ética para o desenvolvimento não se limita apenas à criação de riqueza, mas também é relevante para o nosso papel como administradores da criação. Nós não somos chamados para subjugar e dominar a criação (cf. Gn 1:28) sem referência a quaisquer critérios determinados. Em vez disso, estamos a exercer este mandato numa gestão responsável da criação para o florescimento da geração atual e as futuras gerações. Isso requer o reconhecimento de uma responsabilidade primordial para com o meio ambiente para a melhora de o nosso futuro e que de todo o planeta. A gestão adequada da criação reconhece a importante contribuição que a ciência e a tecnologia trazem para a proteção ambiental e fornece os recursos necessários para a sobrevivência humana. No entanto, os avanços tecnológicos e científicos devem ser sempre prudentes e responsáveis, para que seus reais objetivos sejam servir toda a humanidade. Os avanços científicos e tecnológicos não podem, portanto, tornarem-se um novo meio para a criação de barreiras para os pobres, nem podem ser permitir provocar novos, longos e duradouros detrimentos que ferem o delicado equilíbrio de vários ecossistemas nossos. O direito à alimentação e à água potável continua a ser dois dos mais elementares direitos humanos que ainda não foram cumpridos em tantas partes do nosso planeta. Os avanços científicos e tecnológicos certamente tornaram possíveis que toda a comunidade internacional pudesse se beneficiar da generosidade de criação para o bem de toda a humanidade, mas milhões de pessoas ainda vivem sem esses direitos mais básicos. Uma ordem internacional mais eficaz requer mais solidariedade e maior responsabilização perante os nossos irmãos e irmãs, especialmente os mais necessitados. As crianças que passam fome e morrem de disenteria são nossas crianças: isso não é problema local, mas é um problema que requer que toda a comunidade internacional se una para trabalhar para cumprir o mais básico dos direitos humanos. O progresso tecnológico, científico e humano tornou-se de vital importância se quisermos abordar a segurança alimentar e a promoção de produtos agrícolas saudáveis e boa gestão da terra. Como o Papa Bento XVI tem sublinhado recentemente, “a fome não é muito dependente da falta de coisas materiais como na escassez de recursos sociais”. Para resolver esta falta de recursos sociais é imperativo máximo que os líderes da sociedade tomem as medidas necessárias para resolver as causas estruturais da insegurança alimentar e promovam um maior investimento no desenvolvimento agrícola nos países pobres.Com o acesso maior e mais equitativo às mercadorias e às tecnologias agrárias, como a irrigação e o eficiente armazenamento e transporte de mercadorias e de transporte e a remoção de programas do mercado distorcidos, podemos fazer uma contribuição substancial para a resolução da segurança alimentar e erradicação da pobreza.No desenvolvimento de tais políticas, temos de assegurar que a cooperação, em conformidade com o princípio da subsidiariedade, oriente nossos esforços para garantir estas escolhas das comunidades locais e precisam ser tratadas de forma adequada e tidas em consideração. Assim, a agricultura, a assistência ao desenvolvimento e os programas de reforma agrária não deveriam ser implementados de cima para baixo, mas deveriam sim ativamente ser levados em consideração e cooperar com as comunidades locais. Um dos primeiros passos a serem tomados no tratamento a reforma agrária é resolver a falta de direitos de terra e propriedade por marginalizados dentro da sociedade. A crescente concentração da propriedade da terra e produção agrícola por poucos apresentam uma obrigação moral para os líderes políticos e sociais para encontrar meios equitativos e justos para uma reforma agrária em longo prazo. Em particular, maiores investimentos em agricultura familiar e pequenas propriedade proporcionam uma oportunidade única, tanto para apoiar a família e quanto para apoiar um futuro mais sustentável para a agricultura em longo prazo. O destino universal dos bens da terra também se aplica à água, esse elemento vital, essencial para nossa sobrevivência e para a agricultura. A Sagrada Escritura tem também a água como um símbolo de vida, sustento e purificação. Por sua própria natureza, a água nunca pode ser tratada como mais uma mercadoria, mas deve sim ser reconhecida como um direito inalienável de ser compartilhada em solidariedade e generosidade com os outros. A água é um bem público, o que significa que é da responsabilidade da liderança política garantir que todas as pessoas tenham acesso à água potável, especialmente os pobres. O descumprimento de obrigações tais resultados em sofrimento, conflitos e doenças e, portanto, prejudica o direito inerente à vida. Ao redor do mundo, graves problemas ecológicos e humanos exigem uma mudança fundamental no estilo de vida se quisermos ser melhores administradores da criação e promover uma mais justa comunhão econômica internacional. Métodos de produção de alimentos, portanto, demandam análise atenta para garantir o direito a alimentos suficientes, saudável e nutritiva e água, e para alcançar esse direito, de forma a reconhecer as nossas obrigações de proteger o meio ambiente como uma herança compartilhada para as gerações atuais e futuras. Isto exige romper com o longo ciclo d e mais de consumo e produção, de pobreza e de degradação ambiental. Aqui, devemos reconhecer que todas as decisões econômicas têm implicações morais que exigem de nós redescobrir os valores de longa data da sobriedade, da temperança e autodisciplina. Um mundo no qual os ricos consomem uma percentagem esmagadora de recursos humanos e naturais é escandaloso e chama para uma renovada disposição para se tornar mais consciente da interdependência de todos os habitantes da terra. A autêntica solidariedade global deve motivar indivíduos e líderes políticos a reavaliar suas escolhas de estilo de vida, a fim de fazer escolhas que promovam a dignidade humana e a solidariedade global. A este respeito, devemos reconhecer o papel fundamental que a família desempenha na aprendizagem e ensino dos valores necessários para se formarem cidadãos responsáveis que fazem escolher responsáveis de estilo de vida. Antes de concluir, eu gostaria de tocar em algumas das preocupações constantes da Santa Sé no processo de negociações. Enquanto a Santa Sé tem procurado promover um desfecho que respeite a dignidade da pessoa humana, nós continuamos a ver algumas delegações tentando promover estas questões como “dinâmica populacional” ou “direitos reprodutivos”, como uma forma de desenvolvimento sustentável. Estas propostas são baseadas em uma noção errada de que o desenvolvimento sustentável e a proteção ambiental só podem ser alcançados através da garantia de que haja menos pessoas em nosso planeta. Sublinhada por uma hermenêutica da suspeita que fere profundamente a solidariedade humana, tal ideologia levou a um alarmante destruição na família e, fundamentalmente, priva o planeta de seu maior recurso, a pessoa humana, que está no centro do desenvolvimento sustentável.Além disso, um grande volume de trabalho continua em busca um olhar para o futuro consciente, ciente que o documento resultante é de responsabilidade de todos os países. Os esforços para assegurar que os países em desenvolvimento tenham acesso à tão necessária amigável tecnologia ecológica, e financeira para a transição para um futuro mais sustentável são apenas dois dos muitos exemplos em que uma maior solidariedade entre países em desenvolvimento e nas economias desenvolvidas é necessária, se quisermos fazer uma diferença duradoura no mundo. Da mesma forma, maior solidariedade é necessária para promover o acesso a empregos decentes e cuidados básicos de saúde, bem como os direitos dos migrantes. Essa é a nossa esperança, que o texto final do documento seja satisfatório na abordagem destas questões para que possa ser dito de contribuir para o bem-estar material e espiritual de todas as pessoas, suas famílias e suas comunidades. Obrigado.
Cardeal Odilo Scherer Arcebispo de São Paulo
Legado Pontifício para a Conferência Rio+20
(CM)

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Igreja no Mundo

Morrer de esperança: oração ecumênica em Roma recorda migrantes que perderam a vida no Mediterrâneo

◊   Roma (RV) – “Morrer de esperança” é o tema da oração ecumênica em memória das vítimas das viagens em direção à Europa que se realiza na tarde desta quinta-feira, 21 de junho, na Basílica de Santa Maria em Trastevere.

A oração ecumênica será presidida pelo Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, Card. Antonio Maria Vegliò.

Participam do evento comunidades e associações de imigrantes, refugiados e organizações de voluntariado. É organizado pela Comunidade de Santo Egídio, pela Fundação Migrantes, pela Caritas Italiana, pela Federação das Igrejas Evangélicas na Itália e pelo Centro Astalli (serviço dos jesuítas para os refugiados na Itália).

Sobre o significado desta oração ecumênica, a Rádio Vaticano entrevistou o Presidente do Centro Astalli, Pe. Giovanni La Manna:

Trata-se de uma tradição que tem alguns anos em que, todos juntos, temos o dever de fazer memória dos que tentaram chegar à Itália e à Europa para pedir asilo político. São pessoas que não escolhem deixar seu país, mas são obrigadas por guerras, conflitos e passam por prisões, por experiência de tortura. Nós não temos ideia de quantas pessoas morreram no Mediterrâneo, mas esses mortos pesam sobre a nossa consciência e temos o dever de fazer memória dessas pessoas. Não se trata só de fazer memória, mas pedimos à União Europeia e aos membros da comunidade internacional que busquem instrumentos para salvar essa gente, porque não podemos assistir de maneira indiferente à morte de nem mesmo uma única pessoa.

(BF)

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Formação

Nova Evangelização e Redemptoris missio – a missão de Cristo Redentor

◊  
Cidade do Vaticano (RV) – Amigo ouvinte, mais uma vez estamos de volta ao nosso encontro semanal dedicado à nova evangelização. Na edição passada iniciamos nossa revisitação à Redemptoris missio, Carta encíclica de João Paulo II sobre a validade permanente do mandato missionário, publicada em 7 de dezembro de 1990.

Nossa revisitação a alguns documentos magisteriais pertinentes à ação evangelizadora da Igreja se insere como iniciativa de preparação para a XIII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos de outubro próximo, Sínodo este cuja edição terá como tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.

Não se trata apenas de uma revisitação, mas de colher novamente aqueles elementos basilares presentes em nossa rica tradição magisterial dos quais partir para uma reflexão, debate e discussão a que são chamados os padres sinodais. De fato, a partir deles e à luz das situações novas que se nos apresentam, os padres sinodais devem buscar responder à urgência de uma nova evangelização – questão prioritária para a Igreja em nossos dias.

Ao apresentarmos brevemente a encíclica, dissemos, na edição passada, que com ela João Paulo II quis convidar toda a Igreja a renovar o seu empenho missionário. Detivemo-nos, por razão de tempo, ao nº 1 do documento magisterial.

Na edição de hoje retomamos a Redemptoris missio trazendo o nº 2. Nele, o Papa Wojtyla destaca, dentre outros, que a missão compete a todos os cristãos e que a grave crise da espiritualidade missionária é sinal de crise da própria fé, apresentando-nos, em seguida, motivos e finalidades de sua encíclica. Diz o texto no nº 2:

2. “Já são muitos os frutos missionários do Concílio: multiplicaram-se as Igrejas locais, dotadas do seu bispo, clero e agentes apostólicos próprios; verifica-se uma inserção mais profunda das Comunidades cristãs na vida dos povos; a comunhão entre as Igrejas contribui para um vivo intercambio de bens e dons espirituais; o empenhamento dos leigos no serviço da evangelização está mudando a vida eclesial; as Igrejas particulares abrem-se ao encontro, ao diálogo e à colaboração com os membros de outras Igrejas cristãs e outras religiões. Sobretudo está-se a afirmar uma nova consciência, isto é, a de que a missão compete a todos os cristãos, a todas as dioceses e paróquias, instituições e associações eclesiais.
No entanto, nesta « nova primavera » do cristianismo não podemos ocultar uma tendência negativa, que, aliás, este Documento quer ajudar a superar: a missão específica ad gentes parece estar numa fase de afrouxamento, contra todas as indicações do Concílio e do Magistério posterior. Dificuldades internas e externas enfraqueceram o dinamismo missionário da Igreja ao serviço dos não-cristãos: isto é um fato que deve preocupar todos os que creem em Cristo. Na História da Igreja, com efeito, o impulso missionário sempre foi um sinal de vitalidade, tal como a sua diminuição constitui um sinal de crise de fé.
À distancia de vinte e cinco anos da conclusão do Concílio e da publicação do Decreto sobre a atividade missionária Ad gentes, a quinze anos da Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi de Paulo VI, de veneranda memória, desejo convidar a Igreja a um renovado empenhamento missionário, dando, neste assunto, continuação ao Magistério dos meus predecessores. O presente Documento tem uma finalidade interna: a renovação da fé e da vida cristã. De fato, a missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece! A nova evangelização dos povos cristãos também encontrará inspiração e apoio, no empenho pela missão universal.
Mas o que me anima mais a proclamar a urgência da evangelização missionária é que ela constitui o primeiro serviço que a Igreja pode prestar ao homem e à humanidade inteira, no mundo de hoje, que, apesar de conhecer realizações maravilhosas, parece ter perdido o sentido último das coisas e da sua própria existência. « Cristo Redentor — como deixei escrito na primeira Encíclica — revela plenamente o homem a si próprio. O homem que a si mesmo se quiser compreender profundamente (.. ) deve aproximar-se de Cristo (…) A Redenção, operada na cruz, restituiu definitivamente ao homem a dignidade e o sentido da sua existência no mundo ».
Não faltam certamente outros motivos e finalidades: corresponder a inúmeros pedidos de um documento deste gênero; dissipar dúvidas e ambiguidades sobre a missão ad gentes, confirmando no seu compromisso os beneméritos homens e mulheres que se dedicam à atividade missionária e todos quantos os ajudam; promover as vocações missionárias; estimular os teólogos a aprofundar e expor sistematicamente os vários aspectos da missão; relançar a missão, em sentido específico, comprometendo as Igrejas particulares, especialmente as de recente formação, a mandarem e a receberem missionários; garantir aos não cristãos, e particularmente às Autoridades dos Países aos quais se dirige a atividade missionária, que esta só tem uma finalidade, ou seja, servir o homem, revelando-lhe o amor de Deus manifestado em Cristo Jesus.”

Amigo ouvinte, semana que vem destacaremos alguns pontos do texto e prosseguiremos nossa revisitação. A você, um forte abraço e até lá, se Deus quiser! (RL)

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Missão Continental na Diocese de Limeira: formação e testemunho – na esteira de Aparecida

◊  
Cidade do Vaticano (RV) – Amigo ouvinte, chegamos ao momento do nosso encontro semanal dedicado ao Brasil na Missão Continental, projeto de animação missionária oriundo da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe – projeto este que se configura resposta significativa da Igreja no “Continente da Esperança” ao chamado à Nova Evangelização, nova em seus métodos, em suas expressões, em seu ardor missionário.

Como ressaltado na edição passada, ouvindo os nossos pastores, sacerdotes e leigos engajados nesse grande projeto de animação missionária, temos encontrado na formação dos leigos e das lideranças comunitárias um dos traços que certamente mais têm caracterizado essa tarefa pastoral para a Igreja em nosso subcontinente.

Nesta edição concluímos a participação do Bispo de Limeira, SP, Dom Vilson Dias de Oliveira, a quem agradecemos pela generosa contribuição que veio enriquecer este nosso espaço trazendo-nos a experiência da Missão Continental em sua diocese.

Na edição de hoje Dom Vilson nos fala, ainda, sobre a formação dos leigos, e, ademais, destaca a importância fundamental do testemunho, sem o qual não há anúncio do Evangelho que possa alcançar sua eficácia. Vamos ouvir: (RL)

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Atualidades

Desenvolvimento sustentável e distribuição igualitária no Brasil

◊   São Paulo (RV) – A propósito de desenvolvimento sustentável e distribuição igualitária desse desenvolvimento – assuntos que estão no centro dos debates da Rio+20 -, vale recordar uma análise da situação brasileira feita nesse quesito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no ano de 2010.

Dela resulta que, embora os índices de pobreza no Brasil tenham experimentado queda mais acelerada nos últimos anos, a melhoria das condições econômicas da população desde o Plano Real não teve uma distribuição uniforme entre as regiões do País.

O estudo chama-se “Dimensão, evolução e projeção da pobreza por região e por Estado no Brasil” e foi noticiado pela Agência Estado na ocasião da sua publicação.

Os números mostraram que, enquanto a taxa de pobreza absoluta caiu 33,6% entre 1995 e 2008 em todo o País, a redução foi de apenas 12,7% na região Centro-Oeste. Já a queda da taxa de pobreza extrema, cuja média nacional caiu 49,8% no período, foi reduzida em apenas 22,8% na Região Norte. A Região Sul, contudo, teve resultados bem acima da média nacional nos dois casos: queda de 47,1% da pobreza absoluta e 59,6% da extrema.

Segundo o Ipea, os dados mostram que a redução da pobreza não tem uma relação direta apenas com o crescimento econômico. A região Centro-Oeste, que teve a menor queda na proporção de brasileiros com renda per capita abaixo de meio salário mínimo (pobreza absoluta), registrou no período estudado a melhor média do País de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) por habitante: média de crescimento anual de 5,3%.

Por outro lado, o Sul reduziu a pobreza em maior proporção, mesmo tendo registrado o menor ritmo de crescimento do PIB por habitante entre as regiões: 2,3% anuais. O órgão sugere a combinação entre crescimento e políticas públicas voltadas para o combate à pobreza.

O prognóstico é positivo principalmente para o Sul e o Centro do Brasil. Com base no ritmo da redução da pobreza no governo Lula (2003-2008), o Paraná poderá se tornar o primeiro Estado brasileiro a erradicar a pobreza absoluta já em 2013. A mesma condição já poderia ser alcançada no ano seguinte por São Paulo. Em 2015, a pobreza estaria eliminada no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.

Já entre os Estados em que o desafio é maior para que a média nacional da taxa de pobreza absoluta fique em 4% da população em 2016, como projeta o estudo, estão Alagoas, Maranhão, Pernambuco, Paraíba e Piauí. Nesses Estados, a taxa de pobreza absoluta ainda estava acima de 50% da população em 2008.

No que concerne à pobreza extrema, que se caracteriza pela miséria de famílias com rendimento per capita abaixo de um quarto de salário mínimo, o Ipea prevê que esta será eliminada em todo o País até 2016. O estudo prevê que os estados de Santa Catarina e Paraná superarão essa condição já em esse ano.

No ano seguinte, atingiriam o mesmo objetivo Goiás, Espírito Santo e Minas Gerais. Em 2014, a miséria seria eliminada em Estados como São Paulo e Mato Grosso. “Mas para que essa projeção se torne realidade, os Estados terão de apresentar ritmos diferenciados de redução da miséria, uma vez que registram enorme assimetrias de taxas atuais de pobrezas extremas, como se pode observar entre Alagoas (32,3%) e Santa Catarina (2,8%)”, diz um trecho do estudo. (Estadão/ED)

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Unicef na Rio+20: o desafio é distribuir o desenvolvimento sustentável

◊   Rio de Janeiro (RV) – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou sua mensagem na Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O Organismo pôs ênfase no que significa desenvolvimento sustentável para os dois bilhões e 200 milhões de crianças que existem no mundo, sua tutela e proteção.

Para o Unicef, o desenvolvimento sustentável depende das novas gerações, da oportunidade de as crianças crescerem sãs, instruídas e protegidos da violência e das privações. Destacou também a importância de que tenham acesso à água potável, ar puro e alimento, e a incongruência de termos 180 milhões de crianças com menos de cinco anos no planeta irreversivelmente afetados pela desnutrição crônica.

Outros dados: 783 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável e dois milhões e meio não são beneficiados com serviços básicos de saúde pública.

Nesse momento em que as mídias de todo o mundo estão voltadas para a Rio+20, o Unicef recorda que os progressos das últimas décadas não tiveram precedentes no que diz respeito à redução da mortalidade infantil e da pobreza, no aumento da escolaridade, no melhoramento do acesso à água potável. Isso tudo, porém, com a ressalva de que tais progressos ainda não se traduziram em desenvolvimento sustentável.

Como exemplo, um estudo recente do Organismo da Onu no qual vê-se que a disparidade entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres da população, nos 18 dos 26 países examinados, não diminuiu embora tenha-se reduzido a mortalidade infantil. Por isso, o Diretor da Comunicação do Unicef, Khaled Mansour, ressaltou que o desafio maior daqui para frente será o de distribuir o desenvolvimento entre todos.

Sobre o assunto, o Secretário Geral da Onu, Ban Ki-Moon, ressaltou que essa mudança se mostra ainda mais necessária nesse momento em que crises econômica, financeira, alimentar e desastres naturais se sobrepõem, contribuindo para a instabilidade e insegurança gerais.

Um documento recente, resultante de uma análise para fins de divulgação (Staff Discussion note), realizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mostra que, quando as sociedades ficam mais igualitárias, o crescimento econômico se revela mais sustentável ao longo do tempo. Por exemplo, foi constatado que uma redução de 10% na desigualdade em uma sociedade prolonga em 50% a duração do crescimento econômico.

O Unicef destacou ainda, a esse propósito, que investir nas crianças e promover a igualdade para elas interrompe a transmissão da pobreza entre as gerações, cria sociedades mais estáveis e contribui para um desenvolvimento sustentável. (ED)

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Abortos seletivos, prática em difusão no Nepal

◊   Catmandu (RV) – A crise econômica e a instabilidade política e social estão difundindo no Nepal a prática de abortos seletivos ilegais, proibida pela lei e punida com a prisão.

Nestes dias, líderes religiosos cristãos e hindus lançaram um apelo ao governo para por fim à prática. Não se conhecem dados oficiais, mas fontes locais revelam que organizações e agentes sociais estrangeiros estariam aproveitando o caos político para difundir o recurso ao aborto seletivo entre as famílias mais pobres.

Católicos e protestantes tentam há anos impedir o recurso ao aborto e à seleção das gestações com base no sexo do feto. Achala Baidhaya, médica cristã, explica que “em muitas áreas do país existe ainda a crença hindu de que se um casal não ter filhos homens não irá para o paraíso.

Esta tradição, unida às dificuldades econômicas, conduz muitas famílias ao aborto seletivo.
Suni Achrya, também médico, explica que quase sempre são os maridos a obrigar suas esposas a abortar, padecendo operações em estruturas não equipadas, que produzem danos graves para a saúde física e psicológica das mulheres.
(CM)

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Rio+20: o alerta da ONU para a vulnerabilidade dos refugiados

◊   Rio de Janeiro (RV) – O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e a Organização Internacional para Migrações (OIM) fizeram quarta-feira, 20, um alerta sobre a vulnerabilidade de migrantes e refugiados que vivem nas cidades.

Durante um painel na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), o alto comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, destacou que, atualmente, a maioria das pessoas que deixaram seus países por situações de conflito ou por motivos políticos, econômicos ou ambientais, vai para as grandes cidades, onde se estabelece em áreas pobres e vive em situações de marginalidade.

Ao mencionar a Convenção da ONU de 1951 sobre o Estatuto dos Refugiados, o alto comissário reconheceu que existe uma lacuna no direito internacional sobre a proteção de pessoas que deixam seus lares para fugir de condições econômicas e ambientais adversas, pois o tratado de seis décadas atrás abrange apenas deslocados forçados.

Por outro lado, Guterres manifestou apoio a esforços governamentais que buscam driblar essa lacuna para acolher essas pessoas, tal como fez o Brasil neste ano para ajudar haitianos que solicitavam refúgio no país. Como a Convenção de 1951 não abrange deslocados não forçados, o governo Dilma Rousseff concedeu-lhes visto permanente ‘por razões humanitárias’. ‘O Brasil fez o certo com os haitianos’ – declarou.

‘É importante que os Estados ouçam essa questão. Deve-se buscar formas de proteção internacional que permitam garantir os direitos, não necessariamente as mesmas da Convenção de 1951, e a dignidade daqueles que são forçados a se moverem por razões de natureza ambiental, social ou outras’, declarou Guterres à Agência Efe.

Ele disse duvidar da possibilidade de a comunidade internacional estabelecer uma nova convenção vinculante sobre o assunto que passe a considerar como refugiados as pessoas que se deslocam por motivos não relacionados a conflitos.

No mesmo evento, o diretor-geral da OIM, William Swing, ressaltou que cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo – um sétimo da humanidade – se encontram atualmente em ‘ação migratória’, seja cruzando fronteiras ou dentro dos territórios nacionais. ‘As migrações vão continuar nas maiores cidades do mundo’, previu Swing, que alertou ainda que cada vez mais mulheres e crianças compõem a população migratória global.
(CM)

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Rio+20: sociedade civil invoca mudanças na economia

◊   Rio de Janeiro (RV) – Cerca de 100.000 ativistas, indígenas e estudantes protestaram nesta quarta-feira sob chuva leve no centro do Rio de Janeiro, carregando cartazes para exigir mudanças radicais na economia, em uma mobilização convocada paralelamente à cúpula Rio+20.

A manifestação, convocada pela Cúpula dos Povos, alternativa à conferência oficial, apresentou diversas exigências: desde deter o desmatamento amazônico e contemplar os indígenas até levar em conta as condições salariais dos funcionários públicos, passando pela reivindicação das minorias.

A polícia estimou entre 80.000 e 100.000 manifestantes no protesto.

A maioria criticava o “fracasso” da cúpula Rio+20, aberta nesta quarta-feira no Riocentro, localizado a 40 km do local do protesto e considerada uma oportunidade histórica para impulsionar um acordo mundial que freie a degradação ambiental do planeta.

Ativistas da ONG ambientalista Greenpeace gritavam “quem não pular é ruralista”, em uma crítica direta aos promotores do Código Florestal, que estabelecerá a porcentagem de florestas que os proprietários rurais devem conservar e que retornou ao Congresso após receber um veto parcial de Dilma.
(CM)

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Rio+20: 50 Igrejas e Ongs católicas assinam declaração conjunta

◊   Rio de Janeiro (RV) – Mais de 50 líderes de igrejas e da sociedade civil assinaram uma declaração conjunta intitulada “Hora de repensar e recuperar o controle sobre o futuro da família humana”, apresentada à imprensa domingo, 17 junho, após a Santa Missa celebrada na Catedral do Rio de Janeiro. Abaixo, a íntegra do documento:

“Tempo de repensar e recuperar o controle sobre o futuro da humanidade”

Os líderes da Igreja e da sociedade civil exigem dos governos que se concentrem nos pobres e traçem um novo caminho para um mundo justo e sustentável na conferência Rio+20.
Nós, os representantes da Igreja Católica e da sociedade civil provenientes de todos os continentes, empenhados na erradicação da pobreza e em prol do desenvolvimento humano integral, apelamos aos líderes mundiais que mostrem liderança política na Conferência Rio+20 e incentivamos todas as pessoas de boa vontade a agirem a favor de um mundo mais justo e sustentável.

Não podemos esperar para repensar e realizar um mundo mais justo e mais verde onde as pessoas, mulheres e homens, reconheçam que são uma parte integral da criação, vivendo em harmonia e respeito consigo e com os outros. A tarefa é urgente, porque construímos um mundo onde ainda demasiadas pessoas não têm alimentação, água e energia suficientes para viverem com dignidade.

Trabalhamos diariamente com aqueles que vivem em grandes dificuldades e queremos dar-lhes uma voz de esperança. As comunidades pobres estão a lutar pela obtenção dos recursos necessários ao seu próprio desenvolvimento, ao mesmo tempo tornando-se cada vez mais vulneráveis às ameaças ambientais com os ecossistemas gradativamente mais esgotados ou destruídos.

A procura de terra, água, alimentação, recursos minerais e energia está aumentando drasticamente. Tem sido a origem de violentos conflitos no mundo inteiro e a luta pelos recursos naturais tornar-se-á ainda mais intensa nas gerações vindouras.

As mudanças climáticas são cada vez mais visíveis e rápidas e só poderemos mitigá-las se agirmos já. As pessoas mais pobres e mais vulneráveis no mundo inteiro são as mais afectadas, muito embora elas sejam as menos responsáveis pelas suas causas.

Estamos perante uma tarefa enorme, porque deixamos as regras do mercado descontroladas, a nossa vontade e imaginação distorcida e a diversidade da criação de Deus classificada como «capital natural» e «humano». Permitimos que os nossos desejos e aspirações humanos se tornassem fundamentalmente materialistas, em vez de generosos, impulsionados pelo interesse pessoal em vez de o serem pela solidariedade.

Juntos, seremos capazes de traçar um novo caminho que conduza a um mundo justo e sustentável. Esta mudança depende igualmente do indivíduo, sendo a nossa tarefa fundamental agir para uma conversão radical, promover um estilo de vida alternativo e uma nova cultura de respeito pela criação, de simplicidade e de solidariedade com vista a um desenvolvimento humano mais forte e autêntico e uma melhor qualidade de vida. Os pobres podem ser marginalizados, mas no seu esforço diário pela sobrevivência demonstram criatividade e têm forjado alternativas que constituem uma fonte inesgotável de aprendizagem e referência na elaboração das políticas publicas.

Esta afirmação é apoiada pela aliança internacional de agências Católicas de desenvolvimento CIDSE. Mais informações através www.cidse.org/rioplus20

É tempo de repensar e regressar ao controlo! É tempo de regular o mercado de maneira a servir o bem comum. Os líderes mundiais centram-se no crescimento econômico como principal medida de sucesso. Mas o que significa crescimento se os mais pobres não podem participar nos seus benefícios, se ele não melhora a qualidade de vida e piora as desigualdades persistentes? O que significa crescimento econômico em vista da destruição das nossas florestas, dos nossos oceanos e dos nossos recursos naturais? Precisamos valorizar as coisas que tenham sentido, a economia tem que ser julgada na sua capacidade de reduzir a pobreza, criar postos de emprego dignos emelhorar a sustentabilidade ecológica bem como a estabilidade social. Uma economia que nos conduza verdadeiramente ao desenvolvimento sustentável deve ser justa e equitativa, reconhecendo as valiosas contribuições e soluções locais com amplos benefícios sociais e, acima de tudo, que respeite a dignidade e os direitos humanos, tanto para as mulheres como os homens.

O desenvolvimento sustentável deve ser apoiado por um sistema financeiro, que coloque a dignidade humana, o bem comum e o cuidado pela criação no centro da vida econômica. Um sistema financeiro justo consiste na subsidiariedade, na função social da propriedade privada e na redistribuição através de impostos. O setor informal e das micro empresas deve ser reconhecido e apoiado, porque representa uma parte importante do setor privado e é a fonte de renda e de emprego de milhões de pessoas. As grandes corporações, incluindo as instituições financeiras, representam apenas uma pequena parte do setor privado, embora controlem a maioria do poder e dos recursos. Elas deveriam demonstrar maior transparência e contribuir para o desenvolvimento sustentável atraves da mudancas das práticas insustentáveis e exploradoras.
Os governos devem assegurar que as condições básicas dessem prioridade às necessidades básicas e ao direito das comunidades e dos países pobres, como por ex. água, alimentação e energia. Além disso é indispensável assegurar o acesso a recursos naturais e partilha de benefícios.

Deve ser dada prioridade às mulheres que são a maioria das pessoas que vivem na pobreza e são afetadas adversamente pelas injustiças sociais, ambientais e econômicas atuais. Medidas fortes de promoção da igualdade entre mulheres e homens são necessárias aos níveis social, econômico e ambiental nas ações dos governos para um desenvolvimento justo e sustentável.
O escândalo de um bilhão de pessoas sofrendo fome, em violação do direito humano à alimentação, não pode continuar. Maior apoio deve ser destinado aos milhões de famílias agrícolas que produzem respeitando o meio ambiente; são elas a principal fonte da segurança alimentar para os pobres a nível mundial.

É necessário dar maior ênfase à luta contra as mudanças climáticas induzidas pelo ser humano. Isto é a principal ameaça que enfrentamos, particularmente os mais pobres. Devem ser tomadas medidas mais ambiciosas baseadas nos princípios da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas.

Por último, o quadro previsto para o desenvolvimento sustentável deve ser baseado nas conquistas realizadas; deve definir as responsabilidades e os desafios dos países desenvolvidos, os em via de desenvolvimento e os menos desenvolvidos; deve ser mensurável e compreensível por todos.

Esperamos que a Cúpula do Rio transmita uma mensagem de esperança bem fundada para todos aqueles que estão sofrendo e para as gerações futuras! Esperamos que os líderes mundiais assumam a sua responsabilidade e se responsabilizem pelos seus compromissos. Exigimos dos líderes mundiais e de todas as pessoas de boa vontade que não deixem passar esta oportunidade de caminharmos juntos em prol de um desenvolvimento baseado nos direitos e equitativo, rumo a uma vida verdadeiramente humana e a um mundo onde aceitemos que somos parte da criação que nos foi dada para dela cuidarmos.

Lista de signatários
Líderes da Igreja:
• Mgr Pedro Ricardo BARRETO JIMENO – Archbishop of Huancayo and President of the
Commission for Justice and Solidarity of CELAM (Consejo Episcopal Latinoamericano) (PERU)
• Mgr Jean-Claude HOLLERICH – Archbishop of Luxembourg (LUXEMBOURG)
• Mgr Gabriel MBILINGI – Vice President of SECAM (Symposium of Episcopal Conferences of Africa and Madagascar), Archbishop of Lubango (ANGOLA)
• Mgr Paul OUEDRAOGO – Archbishop of Bobo-Dioulasso (BURKINA FASO)
• Mgr Werner THISSEN – Archbishop of Hamburg (GERMANY)
• Mgr John ARNOLD – Auxiliary Bishop of Westminster (ENGLAND)
• Mgr Paul BEMILE – Bishop of Wa (GHANA)
• Mgr Markus BÜCHEL – Bischop of St. Gallen (SWITZERLAND)
• Mgr Claude CHAMPAGNE – Bishop of Edmundston, New Brunswick (CANADA)
• Mgr Raymond FIELD – Auxiliary Bishop of Dublin and Chairman of the Council for Justice and
Peace of the Irish Bishops’ Conference (IRELAND)
• Mgr Theotonius GOMES – Auxiliary Bishop of Dhaka (BANGLADESH)
• Mgr Richard GRECCO – Bishop of Charlottetown, Prince Edward Island (CANADA)
• Mgr Bernard HOUSSET – Bishop of La Rochelle (-Saintes) and President of the Conseil pour la
Solidarité (FRANCE)
• Mgr Aloysius JOUSTEN – Bishop of Liège (BELGIUM)
• Mgr John KIRBY – Bishop of Clonfert (IRELAND)
• Mgr Gerard de KORTE – Bishop of Groningen-Leeuwarden (THE NETHERLANDS)
• Mgr Peter MORAN – Bishop Emeritus of Aberdeen (SCOTLAND)
• Mgr Alvaro Leonel RAMAZZINI – Bishop of Huehuetenango (GUATEMALA)
• Mgr Josef SAYER (GERMANY)
• Mgr Dr. Ludwig SCHWARZ SDB – Bishop of Linz (AUSTRIA)
• Presidency of the Brazilian Catholic Bishops Conference CNBB (BRAZIL)
Líderes CIDSE
• Chris BAIN – President of CIDSE and Director of CAFOD (ENGLAND and WALES)
• Philippa BONELLA – SCIAF (SCOTLAND)
• Ronald BREAU – President of Development and Peace (CANADA)
• Michael CASEY – Executive Director of Development and Peace (CANADA)
• Myriam GARCÍA ABRISQUETA – President of Manos Unidas (SPAIN)
• René GROTENHUIS – Director of CORDAID (THE NETHERLANDS)
• Antonio HAUTLE – Director of Fastenopfer (SWITZERLAND)
• Lieve HERIJGERS – Director of BROEDERLIJK DELEN (BELGIUM)
• Heinz HÖDL – Director of Koordinierungsstelle der Österreichischen Bischofskonferenz für
internationale Entwicklung und Mission (AUSTRIA)
• Jim HUG S.J. – President of Center of Concern (UNITED STATES)
• Justin KILCULLEN – Director of Trócaire (IRELAND)
• Patrick KRÃNIPÎ GODAR – Director of Fondation Bridderlech Deelen (LUXEMBOURG)
• Jorge LÍBANO MONTEIRO – Director of FEC – Fundação Fé e Cooperação (PORTUGAL)
• Sergio MARELLI – Secretary General of FOCSIV – Volontari nel mondo (ITALY)
• Bernd NILLES – Secretary General of CIDSE
• Bernard PINAUD – Délégué Général CCFD–Terre Solidaire (FRANCE)
• Rafael SERRANO CASTRO – Secretary General of Manos Unidas (SPAIN)
• Angelo SIMONAZZI – Secretary General of Entraide et Fraternité (BELGIUM)
• Fr. Pirmin SPIEGEL – Director of MISEREOR (GERMANY)
Parceiros e aliados CIDSE
• Firmin ADJAHOSSOU – SECAM (Symposium of Episcopal Conferences of Africa and Madagascar) (BENIN)
• Brian ASHLEY – AIDC (Alternative Information and Development Centre) (SOUTH AFRICA)
• Sr. Denise BOYLE – Franciscans International
• Camille CHALMERS – PAPDA (Plate-forme Haïtienne de Plaidoyer pour un Développement Alternatif) (HAITI)
• Mamadou GOÏTA – ROPPA (Réseau des organisations paysannes et de producteurs de l’Afrique
de l’Ouest (WEST AFRICA)
• Pedro GONTIJO – CBJP (Comissão Brasileira Justiça e Paz) (BRAZIL)
• Jenny GRUENBERGER – LIDEMA (Liga de Defensa del Medio Ambiente) (BOLIVIA)
• Ivo LESBAUPIN – Iser Assessoria (BRAZIL)
• Fr. Martinho MAULANO – SECAM (Symposium of Episcopal Conferences of Africa and Madagascar) (MOZAMBIQUE)
• Moema de MIRANDA – IBASE (BRAZIL)
• Paul MUCHENA – SECAM (Symposium of Episcopal Conferences of Africa and Madagascar) (ZIMBABWE)
• Fr. Ferdinand MUHIGIRWA RUSEMBUKA – CEPAS (Centre d’études pour l’action sociale) (CONGO-DRC)
• Francis F. NGANG – Inades Formation International (IVORY COAST)
• Br. Rodrigo de Castro Amédée PERET, ofm – Franciscans (BRAZIL)
• Regina “Nanette” SALVADOR-ANTEQUISA – ECOWEB (Ecosystems Work for Essential Benefits, Inc.) (PHILIPPINES)
• L.A. SAMY –AREDS (Association of Rural Education and Development Service) (INDIA)
• Lorenzo SOLIS TITO – CIPCA (Centro de Investigación y Promoción del Campesinado)
(BOLIVIA)
• Can TRUONG QUOC – SRD (Sustainable Rural Development) (VIETNAM)
• COPAGEN (Coalition pour la protection du patrimoine génétique Africain) (AFRICA

(CM)

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Rio+20: Igreja alemã interpela Presidente Dilma

◊   Rio de Janeiro (RV) – A Conferência dos Bispos da Alemanha, por meio da organização de solidariedade entre o povo alemão e os povos da América La tina e Caribe, a “Adveniat”, enviou carta à Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, apresentando preocupações em relação à discussão da Conferência da ONU Rio +20, à execução do PAC e a violência no campo.

“Através da situação de nossos parceiros, Adveniat se faz presente de modo particular no meio das populações em situação de risco nos diversos países da América”, fundamenta a Adveniat. E, por causa disso, pondera: “o compromisso com o evangelho nos pede para acompanhar atentamente e permanentemente os impactos sociais e ambientais causados pelas decisões políticas e econômicas”.

Dom Bernd Klaschka, o diretor da Adveniat que assina a carta, lembra à presidente que “os parceiros da Adveniat no seu país testemunham que o Brasil tem desempenhado um papel ambíguo no que se refere à proteção ambiental, e que o discurso para fora não coincide com a realidade vivida”. E constata: “fato é que a primarização da economia, voltada a produtos agrícolas e minérios, tem ameaçado de forma explícita a região amazônica e os povos que lá vivem”.

A Adveniat considera que a implementação do Programa de Aceleração do Crescimento carece de diálogo com a sociedade civil e dá o exemplo da construção da usina de Belo Monte como prova dessa situação: “revela que se busca o desenvolvimento a todo custo, desconhecendo as questões éticas, de justiça social e as vontades das comunidades tradicionais, quilombolas e ribeirinhas”.

A carta traz a preocupação da Adveniat em relação ao que está se discutindo na Rio+20 considerando que podem não estar questionando o atual modelo de desenvolvimento enquanto “pintam” uma imagem de que as nações têm preocupação ambiental. E exemplifica com o caso brasileiro: “no caso do Brasil, o Código Florestal, na avaliação de nossas entidades parceiras, é o pior possível e os vetos não interferem na sua índole, pois são superficiais”.
(CM)