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Evangelho de Domingo Mc 14,1-15,47 “Hosana na Cruz”

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Hosana e Cruz

«Aí vem o noivo, ide ao seu encontro» (Mt 25,6)

«Exulta de alegria, filha de Sião!» (Za 9,9), alegra-te e exulta, Igreja de Deus, pois eis que o teu Rei vem a ti, eis o Esposo que chega, sentado num burro como num trono! Vamos depressa ao Seu encontro para contemplar a Sua glória. Eis a salvação do mundo: Deus avança para a cruz. Também nós, os povos, gritamos hoje com o povo: «Hossana ao Filho de David! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!» (Mt 21,9; Sl 118,26) […]

A Igreja celebra um dia de festa à sombra de Cristo, oliveira carregada de azeitonas na casa de Deus (Sl 52,10); celebra um dia de Festa com Cristo, lírio primaveril do Paraíso em flor. Porque Cristo está no meio da Igreja como verdadeiro lírio florido, raiz de Jessé que não julga o mundo mas o serve (Is 11,1.3). Ele está no meio da Igreja, fonte eterna donde jorram, não já os rios do paraíso (cf. Gn 2,10), mas Mateus, Marcos, Lucas e João, que regam os jardins da Igreja de Cristo. Hoje, nós, que somos novos e fecundos rebentos (cf Sl 128,3), levando nas mãos os ramos da oliveira, supliquemos a misericórdia de Cristo. «Plantados na casa do Senhor», florescendo na Primavera nos «átrios do nosso Deus», celebremos um dia de festa: «que o Inverno já passou!» (Sl 92,14; Ct 2,11) […]

Clamo com São Paulo, com voz santa e forte: «O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas» (2Co 5,17). […] Um profeta, olhando para este rei, grita: «Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo» (Jo 1,29) […]; e David, olhando para Cristo, saído da sua raça segundo a carne diz: «O Senhor é Deus; Ele tem-nos iluminado!» (Sl 118,27). Dia de festa admirável, pela sua novidade, surpreendente e estupenda: as crianças aclamam a Cristo como Deus e os sacerdotes maldizem-n’O, as crianças adoram-n’O e os doutores da lei desprezam-n’O e caluniam-n’O. As crianças dizem: «Hossana!» e os Seus inimigos gritam: «Crucifica-O!» Aquelas juntam-se ao redor de Cristo com palmas, estes atiram-se a Ele com espadas; aquelas cortam os ramos, estes preparam uma cruz.

Com o Domingo de Ramos começamos a Semana Santa. Somos convidados a contemplar o grande amor de Deus, que desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-se homem, deixou-se matar pela nossa salvação. É uma oportunidade para reviver os mistérios centrais da Redenção.

A Liturgia lembra DOIS FATOS:

– A Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém montado num jumento. O povo o reconhece como Salvador e o aclama alegre… (Jo 12,12-16) O Começo da Semana Santa, com a leitura da Paixão de Jesus Cristo, segundo São Marcos… (Mc 14,1-15,47) Dois momentos da vida de Cristo: O Triunfo e a Humilhação…

Ao longo dessa Semana Santa, teremos a oportunidade de ler as 4 narrativas da Paixão de Jesus Cristo. Desejo aprofundar aspectos específicos da narrativa de São Marcos. É a primeira, a mais antiga (± 65 dC) : a mais breve e dramática… É a que mantém uma ordem cronológica mais exata…

Introdução: Marcos introduz com duas referências à CEIA: A ceia de Betânia, na casa de Simão, na qual Jesus é ungido por uma mulher. O gesto generoso da Mulher contrasta com a atitude egoísta e traidora de Judas. A Ceia Pascal com os discípulos.

1. Jesus mantém um SILÊNCIO solene e digno, aceitando o caminho da cruz. Não reage diante do beijo de Judas e ao gesto violento de Pedro. É a atitude de quem sabe que o Pai lhe confiou uma missão e está decidido a cumprir essa missão, custe o que custar. No tribunal, quando acusado, Jesus manteve silêncio. Mas quando perguntado se era o Messias, reponde prontamente: “Sim, eu sou”, e só. Durante o processo: nenhuma palavra.

2. Jesus é o FILHO DE DEUS, que veio ao encontro dos homens para lhes apresentar uma proposta de Salvação. É o que Jesus responde ao Sumo Sacerdote: “Eu sou” e o que o Centurião afirma aos pés da cruz: “Verdadeiramente esse homem era Filho de Deus”.

É o ponto culminante da narrativa de Marcos, que no seu evangelho procura responder: “Quem é Jesus?” A resposta (a descoberta) não foi feita por um apóstolo, nem mesmo por um discípulo, mas por um pagão.

3. Jesus é também HOMEM e partilha da fragilidade e debilidade da natureza humana: No Jardim, antes de ser preso, “começa a sentir grande pavor e angústia”. Mostra-nos um Jesus muito humano… muito próximo de nossas fraquezas.

4. Sublinha a Solidão de Cristo: Abandonado pelos discípulos, escarnecido pela multidão, condenado pelos líderes, torturado pelos soldados, Jesus percorre na solidão, no abandono, na indiferença de todos o seu caminho de morte. Só Marcos faz questão de sublinhar que Jesus se sentiu completamente só, abandonado por todos, até pelo Pai: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

5. Fato curioso: Um jovem o seguia, coberto somente de um lençol. Quando os soldados tentaram agarrá-lo, livrou-se da roupa e fugiu despido. É possível que esse jovem fosse o próprio Marcos. Foi a atitude dos discípulos que, desiludidos e amedrontados, largaram tudo, quando viram o seu líder ser preso e fugiram sem olhar para trás.

6. Atitude “corajosa” de José de Arimatéia em pedir à autoridade, que o condenou, a autorização para sepultar Jesus.

7. “ABBA“: Pai: Essa palavra somente Marcos a coloca nos lábios de Jesus, exatamente na hora mais dramática da sua vida….

8. Mulheres seguem, servem e sobem com ele a Jerusalém… Marcos salienta a presença das mulheres que seguem e servem Jesus desde a Galiléia e sobem com ele a Jerusalém, até o pé da cruz. Elas são o modelo para os outros discípulos que tinham fugido.

Os RAMOS, que carregamos com alegria e entusiasmo na procissão e que levamos com devoção para nossas casas, são o sinal de um povo, que aclama o seu Rei e o reconhece como Senhor que salva e liberta. Devem ser o Sinal do compromisso de quem deseja viver intensamente essa Semana Santa. Não basta apenas aclamar o Cristo em momentos de entusiasmo e depois crucificá-lo na rotina de todos os dias. Que o Lava-pés nos motive a limpar o coração com a água purificadora da Penitência e a nos pôr a serviço dos irmãos. Que a Ceia do Senhor nos faça valorizar a presença permanente de Cristo em nosso meio na Eucaristia e seja o alimento constante em nossa caminhada. Que o Getsêmani nos anime a fazer a vontade do Pai, mesmo pelos caminhos do sofrimento e da cruz. Que o Túmulo silencioso seja o nosso “deserto” para escutar mais forte a voz de Deus e um estímulo para remover todas as pedras que mantém ainda trancado o Cristo dentro do túmulo do nosso coração. Que a Vigília Pascal reanime nossa Esperança nas promessas do Senhor, enquanto aguardamos a sua vinda. Assim esta Semana será realmente santa e a PÁSCOA acontecerá em nós. Cristo realmente venceu as trevas do pecado e da morte. Aleluia! Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa – 01.04.2012