Boletim CNBB 24/02- Abertura CF 2012

Ministro da Saúde participa da abertura da Campanha da Fraternidade 2012


O secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner abriu hoje, 22 de fevereiro, no auditório da sede da CNNB, em Brasília, o lançamento da Campanha da Fraternidade 2012, que tem por tema ‘Fraternidade e Saúde Pública’. O Ministro da Saúde Alexandre Rocha dos Santos Padilha, participou da cerimônia e elogiou a iniciativa da CNBB.

“É bom que a Igreja, entre as comunidades, venha debater a saúde (como tema central da Campanha da Fraternidade), porque isso permite que a sociedade escute, ainda mais, os problemas da saúde que temos no nosso país”, disse.

O ministro foi questionado sobre o corte de cinco bilhões de reais na área previstos para este ano. “Esse corte não afeta nenhum programa do Ministério da Saúde. Tudo o que estava programado pelo ministério da Saúde e foi encaminhado ao Congresso, está absolutamente mantido”, afirmou.

Em seu pronunciamento, dom Leonardo falou da preocupação da CNBB com a decisão do governo de cortar cinco bilhões da área da saúde, no atual exercício fiscal.

alexandrepadilhanolancamentodacfPadilha ainda disse que haverá recursos além do que foi proposto ao Congresso. “Teremos o aumento de 17% em relação a 2011. O aumento de 13 bilhões de reais é o maior aumento nominal de um ano para o outro, desde o ano 2000”, afirmou o ministro.

O secretário geral da CNNB, dom Leonardo Ulrich Steiner, foi perguntado se, ao fazer cortes no orçamento, o governo não deveria ter poupado a saúde. “Há a tentativa de aplicar melhor os recursos. Naturalmente, gostaríamos de ver mais recursos, porque as populações pobre, do interior, indígenas e quilombolas, vão precisar. Existem muitas iniciativas que têm ajudado, mas existe uma população que, com o corte, ficará desprovida”, respondeu.

Dom Leonardo disse que deve haver mais fiscalização, por parte da sociedade, quanto aos investimentos na saúde. “Faz parte da cidadania ajudarmos o governo e o Estado. Os conselhos municipais são decisivos. Onde existe uma boa experiência da participação da sociedade nos conselhos, tem havido aplicação melhor de recursos, inclusive com a discussão de prioridades”, declarou.

CF-2012: Secretário da CNBB destaca avanços e desafios à saúde pública no país

Foi aberta, na tarde desta Quarta-Feira de Cinzas, a 49ª Campanha da Fraternidade (CF), cujo tema é “Fraternidade e Saúde Pública”, com o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”. A solenidade de abertura ocorreu na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), dirigida pelo secretário geral da Conferência, dom Leonardo Steiner, e com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do secretário executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias, além de outros convidados.

“A Campanha da Fraternidade é um tempo especial para a conversão do coração, através da prática da oração, do jejum e da esmola, como processo de abertura necessária para sermos tocados pela grandeza da vida nova que nasce da cruz e da ressurreição”, disse dom Leonardo.

Em seu discurso, o secretário geral da CNBB disse que houve “significativos avanços” nas últimas décadas da saúde pública no país, como o aumento da expectativa de vida da população, a drástica redução da mortalidade infantil, a erradicação de algumas doenças infecto-parasitárias e a eficácia da vacinação e do tratamento da Aids, elogiada internacionalmente.

Dom Leonardo também levantou pontos que ainda não são completamente sanados pelo Governo em relação à saúde. “Com a Campanha da Fraternidade de 2012, a Igreja deseja sensibilizar a todos sobre uma das feridas sociais mais agudas de nosso país: a dura realidade dos filhos e filhas de Deus que enfrentam as longas filas para o atendimento à saúde, a demorada espera para a realização de exames, a falta de vagas nos hospitais públicos e a falta de medicamentos. Sem deixar de mencionar a situação em que se encontra a saúde indígena, dos quilombolas e da população que vive nas regiões mais afastadas”, destacou dom Leonardo.

O bispo auxiliar de Brasília ressaltou não ser exagero dizer que a saúde pública no país “não vai bem”. “Os problemas verificados na área da saúde são reflexos do contexto mais amplo de nossa economia de mercado, hoje globalizada, que não tem, muitas vezes, como horizonte os valores ético-morais e sociais”.

Sobre o corte de cinco bilhões de reais da área da saúde, dom Leonardo destacou que esta decisão do governo preocupa e frustra “a expectativa da população por maior destinação de recurso à saúde” após a discussão da Emenda Constitucional 29.

Agradecimento à CNBB

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, agradeceu à CNBB, em nome do Ministério da Saúde, do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS), pela escolha do tema da Campanha da Fraternidade deste ano. “Agradecemos esse gesto da CNBB por trazer a saúde, em especial a saúde pública, como tema central de reflexão da Quaresma e durante toda a Campanha da Fraternidade. Sabemos que isso provoca um debate permanente durante todo o ano na Igreja Católica e nas comunidades. Não poderia ter presente maior para o SUS do que esta iniciativa da Igreja Católica”, disse o ministro.

Segundo Padilha, a responsabilidade e os desafios de consolidar o Sistema Único de Saúde são enormes. “Primeiro pela dimensão de nosso país, desafio que nenhum outro país com mais de 100 milhões de habitantes assumiu. O Brasil assumiu em sua Constituição, colocando a saúde como dever do Estado. E depois assumiu o SUS, que tem como princípio levar saúde de forma integral e universal para toda a sua população. Sabemos que o desafio do SUS não é pequeno”, destacou.

“Tenho a esperança de que nesta Campanha da Fraternidade, cada uma das comunidades do país possam discutir o ‘SUS real’, aquilo que é a única porta para 145 milhões de brasileiros. É a partir desse debate que poderemos enfrentar os problemas que temos a sanar na saúde pública no país”, observou o ministro.

Palavra do Papa

“De bom grado me associo à CNBB que lança uma nova Campanha da Fraternidade, sob o lema “que a saúde se difunda sobre a terra” (cf Eclo 38,8), com o objetivo de suscitar, a partir de uma reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil, um maior espírito fraterno e comunitário na atenção dos enfermos e levar a sociedade a garanti a mais pessoas o direito de ter acesso aos meios necessários para uma vida saudável”.

Estas foram algumas palavras do papa Bento XVI na carta enviada à CNBB por ocasião do lançamento da CF. A carta foi lida na íntegra pelo secretário executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias, no ato de lançamento Campanha.

O papa desejou que esta Campanha inspire no “coração dos fiéis e das pessoas de boa vontade, uma solidariedade cada vez mais profunda para com os enfermos, tantas vezes sofrendo mais pela solidão e abandono, do que pela doença”.

“Associando-me, pois, a esta iniciativa da CNBB e fazendo minhas as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de cada um, saúdo fraternalmente quantos tomam parte, física ou espiritualmente, na Campanha, invocando pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, para todos, mas de modo especial, para os doentes, o conforto e a fortaleza de Deus no cumprimento do dever de estado, individual, familiar e social, fonte de saúde e progresso do Brasil, tornando-se fértil na santidade, próspero na economia, justo na participação das riquezas, alegre no serviço público, equânime no poder e fraterno no desenvolvimento”, escreveu o papa.