XII PLANO DIOCESANO DE PASTORAL

DIOCESE DE COXIM XII PLANO DIOCESANO DE PASTORAL (2009-2011)

“EU SOU O BOM PASTOR: O bom Pastor dá sua vida pelas suas ovelhas” (Jo 10.11) Objetivo Geral Evangelizar com a alegria e o entusiasmo de discípulos-missionários, a partir do encontro com Jesus Cristo, para que todos tenham vida. Apresentação Queridos irmãos e irmãs, com muito esforço chegamos à conclusão do XII Plano Diocesano de Pastoral. Agradeço a equipe de coordenação (Pe Lourival, Pe. André e Pe. Fábio) pelo trabalho desenvolvido. Mas este plano é fruto da colaboração de toda a diocese. Os CPPs deram a própria contribuição, reunindo-se várias vezes, respondendo aos questionários, dando sugestões. Podemos dizer que este Plano é o fruto de um trabalho em conjunto. Disso damos graças a Deus! Mas a perplexidade sobre qualquer tipo de plano, surge, pensando no futuro. É espontâneo perguntar-se: qual será o fim do plano? Será engavetado ou será estudado e concretizado? São perguntas legítimas! Porque, se pensamos no passado, em 30 anos tivemos 11 planos. Foram, todos realizados a contento? Se assim for, acho que não precisaria fazer um XII Plano. Então, vamos desanimar ou nos acomodar na rotina? Claro que não! Na pastoral, existe a mesma dinâmica da nossa vida pessoal e social. O “esfriamento”, do qual algumas têm medo, é normal! Por isso, em todas as instâncias, se procura inventar algo de novo. O comércio sabe disso; assim a política; assim o esporte. Também na informática: as configurações mudam continuamente, mesmo você não querendo. Dias atrás, entrando numa loja e vendo os balcões mudados, perguntei ao dono sobre aquela mudança; ele respondeu: “se não mudo alguma coisa, não tem aparência de melhoria e se isso perdurar, um dia eu vou ser trocado”. Então, com qual espírito entrar no novo plano? Espírito de fé e confiança: em Deus, que dirige a nossa história e em nós mesmos, que somos capazes, quando queremos. É questão de vontade: quando a gente quer uma coisa, faz de tudo para consegui-la. E sabemos que os primeiros operadores pastorais são os Padres. Eles têm que assumir, “de alma e corpo”. Para eles, a execução do plano não é algo material ou consequência da obediência, mas motivo de santificação. A “caridade pastoral”, carisma próprio dos Padres diocesanos, se concretiza na assunção verdadeira, integral e convicta do Plano. Pelo contrário, não assumir o Plano é dizer “não” a Deus, que neste momento nos convoca como povo a fazer este caminho. E ninguém pode se salvar sozinho! Assumir significa investir as forças próprias e da paróquia. Quando falo de forças próprias, entendo a preparação (oração, estudo), o acompanhamento dos trabalhos (sem delegar e outros as nossas responsabilidades), o tempo (marcando presença nas várias pastorais e realidades sociais). Sempre tivemos reclamações dos grupos – principalmente dos catequistas – da falta de presença do Padre. E a falta de tempo não é desculpa. Trata-se de organizar o próprio tempo, ter um programa diário e semanal, priorizar as coisas mais importantes. E a paróquia, que assume, deve investir também. Aqui entra o econômico. Nas prioridades de todas as paróquias, está a formação. Mas, quanso se chega do dinheiro, tudo se torna impossível. A conversão pastoral, a que nos convida o Documento de Aparecida, significa destinar uma parte das entradas da paróquia para a formação: na paróquia mesma, no Emaús ou em outros lugares. Qual é a característica deste XII Plano Diocesano de Pastoral? É a tentativa como foi pedido tantas vezes de unificar tudo ao redor de uma ideia central, que seja como eixo de toda ação pastoral. Depois de tantas reflexões, achamos este eixo nas Santas Missões Populares. Os três anos do plano (2009-2011) serão centrados nesta atividade. Na assembleia diocesana (14 a 16 de outubro de 2008) foi dado o primeiro anúncio. Até fevereiro 2009, será dado o anúncio em todas as paróquias e comunidades: é o tempo de “namorar” a ideia! Em fevereiro, o Pe.Luis Mosconi, iniciador desta atividade, pregará o Retiro aos Padres, às Religiosas e aos Leigos, com diversas modalidades. De lá partirá a programação da Grande Missão Continental na nossa Diocese. É um sonho? Será! Mas o homem de fé pode não sonhar? Irmãos e irmãs, entremos de cheio nessa aventura, a qual nos chama a bondade do Senhor. Não recusemos o nosso “sim” generoso e total, como aquele de Maria. E o primeiro a assumir, quer ser eu, vosso servo e pastor, animando, acompanhando, orientado. Ao final da vida, não quero ser encontrado entre os omissos ou preguiçosos. Por isso, com toda a minha fé, digo: “Vem, Senhor Jesus” no meio do povo de Coxim, “tua herança e propriedade”. Dom Antonino Migliore – Coxim-Ms., 30 de Novembro de 2008 – 1º Domingo do Advento INTRODUÇÃO 1. Entusiasmada pelo encontro com o Ressuscitado, nossa Igreja Diocesana, formada de discípulos-missionários do Evangelho, acolhe, à luz da Conferência de Aparecida e das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, o chamado do seu Senhor a tornar-se portadora da alegria do Reino de Deus. Por isso, o caminho para elaboração de um Plano Diocesano de Pastoral é, para todos, um tempo de graça e de renovação. 2. Este Plano foi resultado de um longo processo de envolvimento das mais variadas forças vivas da Igreja de coxim. Fez-se necessário consultar todos os agentes, envolver todas as instâncias a fim de que pudéssemos ter em mãos um fruto promissor para nortear nossos esforços de evangelização. Envolver a todos significa também responsabilizar a todos. 3. Em primeiro lugar, lançaremos um olhar sobre a nossa realidade. Será importante ter em mente nossas riquezas, os dons que Deus plantou em meio a nossas comunidades, mas também são de suma importância reconhecer nossos limites, dificuldades e debilidades em levar adiante a missão de Jesus Cristo, em nossas terras sul-mato-grossenses. 4. Diante da realidade que nos interpela, em segundo lugar, vamos nos debruçar sobre a missão da Igreja: Ministérios da Palavra, da Liturgia e da Caridade. É o que chamamos de julgar (iluminar a realidade com a luz da Palavra). 5. Por fim, serão indicadas as ações concretas, em vista das prioridades eleitas no processo de consulta às comunidades. Elas são o caminho a ser trilhado na busca de uma Igreja mais missionária e acolhedora, que anuncie com alegria e entusiasmo a Pessoa de Jesus Cristo, Caminho Verdade e Vida. I. NOSSA TERRA, NOSSA IGREJA 1. Situação Religiosa 1.1. A Igreja diocesana de Coxim 6. A Diocese de coxim é uma Igreja Particular com pouco mais de trinta anos de criação. Uma Igreja ainda jovem, engajada desde alguns anos no processo de “Construção de sua Identidade Diocesana” (Dom Antonino, Carta Pastoral, 2002). Mas, na elaboração de um plano de pastoral, sempre será preciso atentar para a caminhada religiosa que o Povo de Deus aqui presente trilhou e que conta com mais de um século de história – com suas riquezas e desafios. Em constatação geral, somos ainda “terra de missão”, haja vista, a realidade um tanto difícil no que tange ao engajamento real e entusiástico dos fiéis no serviço e na vida da Igreja. 1.1.1. Participação dominical 7. Um ponto de nossas dificuldades na caminhada pastoral está justamente centrado na participação dominical dos cristãos católicos na Eucaristia. A realidade de nossas comunidades paroquiais é fortemente marcada por uma fraca presença dos fiéis nas missas dominicais. Podemos dizer com segurança que menos de 5% dos fiéis declarados católicos participam regularmente da Eucaristia; nesse dado nem sequer levamos em conta a qualidade dessa citada participação1 . Vale ressaltar que, ao contrário da realidade nacional, nossas comunidades são modestamente atendidas com a presença de ministros ordenados. 8. A missa dominical é “sinal essencial da identidade católica” (cf.DGAE n. 72). Ao participar da Santa Missa o católico deve sentir-se orientado e fortalecido com a Palavra de Deus e com o Pão da Eucaristia, para que possa viver o Evangelho e comunicá-lo no seu dia-a-dia. Por isso, questiona-se sobre a real incidência de nossa ação pastoral no que tange à adesão celebrativa dos fiéis no culto do Mistério Eucarístico, memorial permanente da Páscoa do Senhor: nesse sentido, há falhas nos campos catequético, litúrgico e organizacional das comunidades paroquiais. Uma dificuldade neste campo é a inadequada organização da preparação litúrgica, com a liturgia dominical “loteada” entre movimentos e pastorais, o que prejudica a formação de uma identidade celebrativa das comunidades. Percebe-se ainda fraca ligação entre a religiosidade popular e a vida litúrgica das paróquias. 1.1.2. Pastorais 9. Há, na Diocese de Coxim, a organização pastoral em diversos níveis. Em nível diocesano citamos: Pastoral Catequética, Pastoral da Criança, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral da Juventude, Pastoral Vocacional, Pastoral Ministerial, Pastoral da Visitação e Acolhida. Como foi dito, há muitas outras formas de organização pastoral nas comunidades, embora carentes de representação e coordenação diocesana, o que causa inúmeras dificuldades em termos de articulação e unidade nos mais variados serviços diocesanos. São elas: Pastoral Litúrgica, Pastoral do Dízimo, Pastoral da Saúde, Pastoral Familiar e do Matrimônio, Pastoral do Batismo, Pastoral da Comunicação, entre outras. Importante ressaltar ainda a falta de uma organização diocesana do serviço da Caridade, numa Pastoral Social. 1.1.3. Movimentos 10. Na história recente de nossa Igreja viu-se um crescimento expressivo da atuação dos Movimentos, Serviços e Novas Comunidades. São eles: Renovação Carismática católica, Apostolado da Oração, Cursilhos de Cristandade, Encontro de Casais com Cristo, Neo-Catecumenato, Obra Kolping e Vicentinos. No entanto, percebe-se falta de observância e pouco entrosamento desses movimentos com as indicações da ação pastoral diocesana. Em constatação geral, falta ainda abertura e senso de comunhão com a dinâmica pastoral proposta pela diocese. 1.1.4. Formação dos agentes de pastoral 11. Desde o início da caminhada diocesana houve uma preocupação no tocante à formação dos agentes de pastoral. O centro de evangelização Emaús é uma grande referência como local privilegiado de espiritualidade, estudo e encontro nos mais variados níveis. Durante muitos anos foi referencial importantíssimo de formação na diocese, e o que se tem verificado nos últimos tempos é certa decadência do entusiasmo das comunidades em participar e utilizar proveitosamente este espaço: alega-se motivos de ordem econômica, distâncias, falta de pessoas disponíveis, dentre outros. Mas o que salta aos olhos, apesar das dificuldades assinaladas, é que ainda deixa muito a desejar o empenho de todos em valorizar as instâncias de formação oferecidas ao longo do ano pastoral: há pouca representatividade das paróquias nos encontros e cursos oferecidos pela diocese, há falta de clareza acerca da identidade do centro Emaús e, muitas vezes, falta de organização e preparação mais esmerada das atividades ali oferecidas; há também pouco empenho dos responsáveis em divulgar e apoiar as iniciativas diocesanas realizadas no âmbito da formação. O Centro Emaús carece ainda da presença de uma coordenação específica que se preocupe com as melhorias necessárias, haja vista a contínua deterioração do espaço em geral, de suas dependências. 1.1.5. Serviços ministeriais 12. A promoção da diversidade ministerial é missão importante da Igreja Diocesana (DGAE, n. 162). Nesse sentido, em nossa diocese nota-se uma preocupação em promover e valorizar os diversos serviços ministeriais, oficiais ou não. Foram realizadas várias iniciativas de formação dos Ministros Extraordinários da Comunhão, da Palavra, do Batismo, das Exéquias, da Visitação e Testemunha do Matrimônio, principalmente por meio da Escola Diocesana de Teologia para Leigos. A presença dos padres e das religiosas é de importância fundamental na animação pastoral da Diocese. Como ministros ordenados os padres são presença de Cristo, cabeça da Igreja, e a governam sob autoridade do bispo, na caridade do Cristo, Bom Pastor. As irmãs religiosas, nas comunidades em que estão presentes, pela vivência do seu carisma, são fonte de exemplo e da visibilidade do Evangelho, pelo seu testemunho; também têm desempenhado relevantes trabalhos em colaboração nos diversos serviços diocesanos e paroquiais. Em vista do trabalho comum há, na diocese, regularmente encontros de formação dos padres e irmãs. Também se nota um revigoramento dos conselhos diocesanos e paroquiais: pastorais e econômicos. 13. Entretanto, há ainda fraca qualificação dos serviços ministeriais: muitas vezes contenta-se com o mínimo que se possui; muitas lideranças se sobrecarregam assumindo indevidamente várias atividades nas comunidades; não há renovação das pessoas nos ministérios, o que ocasiona vícios na vida pastoral das comunidades e certa sensação de paralisia em termos de inovação e iniciativas pastorais. Em função disso, também se percebe um urente clamor de mais atenção ao serviço catequético de crianças, jovens e adultos nas comunidades paroquiais. 1.2. Igreja e vida social 14. A vida social de nosso território diocesano é marcada pelas realidades urbana e rural, com suas exigências próprias. As migrações, na segunda metade do século passado, marcaram a realidade cultural da maioria de nossos municípios, em consequência disso, elas são determinantes quanto à identidade religiosa, pujança econômica e manifestações culturais de algumas cidades da diocese. Também existem diferenças regionais que marcam fortemente a identidade econômico-social, religiosa e cultural: grande parte das cidades é de economia baseada na pecuária, com grandes fazendas e algum comércio local; existem também alguns municípios com base agrícola, marcados por forte crescimento econômico. Boa parte da diocese situa-se ao longo da rodovia BR 163, importante corredor de escoamento de produção e ligação com a capital; muito carente de cuidados e sendo intitulada tantas vezes como “rodovia da morte” Há também várias paróquias cujo acesso é precário; longos trechos sem asfalto, o que dificulta a locomoção e comunicação. Diante dessa realidade, a diocese, em suas várias instâncias, tem procurado responder aos desafios evangélicos, sendo presença nas mais diversas situações da citada vida social. 15. A ação da Igreja diocesana no serviço da caridade apresenta várias iniciativas organizadas em torno da assistência social e da participação eclesial na vida social em geral: Centros de Apoio ao Migrante (Albergues), Comunidade Terapêutica Feminina (recém-inaugurada), Projeto Criança Feliz, Projeto Esperança, Pastoral da Criança, Pastoral da Sobriedade, Pastoral Carcerária, Creche, Pastoral da Pessoa Idosa, Rica Trama. Boa parte dessas iniciativas desenvolve-se com apoio dos poderes públicos, por meio de celebração de convênios com a Diocese ou as Paróquias. Há ainda iniciativas de presença da Igreja nas instituições escolares e, por conta das ações sociais, nos Conselhos Municipais de Assistência Social; e algumas iniciativas de conscientização política, sintonizadas no âmbito nacional e regional. Podemos destacar ainda os Encontros Anuais de Fé e Política, os Debates Políticos em tempos de eleições, promovidos pela Diocese em parceria com outros organismos e as lutas comuns de iniciativa popular (melhorias na BR 163, asfaltamento de outras rodovias). 1.3. Igreja Católica e outras denominações religiosas 16. Em nossa realidade nota-se um número expressivo das mais variadas formas de denominações religiosas. Muitas delas mostram-se dinâmicas na procura dos fiéis, chegando até ao proselitismo. Com diversos artifícios enganam coma chamada “teologia da prosperidade”. Um fenômeno muito comum é o fato de cristãos declarados católicos frequentarem com relativa regularidade atos de mais de uma religião, provocando certa confusão do que é próprio da identidade da Igreja. 17. Em função desta situação, em nossa diocese, é praticamente inexistente uma organização mais afetiva de esforço ecumênico. Por um lado, há a dificuldade da própria Igreja em querer resguardar sua identidade, por outro lado, são marcantes certo espírito de competição e má fé por parte de algumas senão a maioria das denominações religiosas. 18. Por fim, em se tratando das demais denominações religiosas, suas atividades restringem-se basicamente à pregação e aos cultos, com pouco interesse na ação social. 1.4. Situação Ecológica 19. Situada na região do Bioma do Cerrado, nossa diocese, em seus diversos municípios, guarda um verdadeiro tesouro ecológico: Nascentes de grandes afluentes ao Pantanal, a diversidade biológica própria do cerrado, os recursos hídricos (Aquífero Guarani). Desde alguns anos surgiram várias iniciativas de promover a preservação e o crescimento sustentável dos municípios. Além disso, há notáveis esforços na promoção do turismo ecológico em algumas cidades. 20. Mas, ainda é preocupante o descaso diante da degradação do meio ambiente: queimadas e desmatamento indiscriminado; destruição dos mananciais, assoreamento dos rios, pesca e caça predatórias, crescimento do agronegócio sem o devido planejamento dos impactos ambientais, pecuária extensiva, dentre outros. Diante disso, ainda é praticamente nula a ação da Igreja diocesana em relação à urgente questão ecológica. II. IGREJA DIOCESANA MISSIONÁRIA: DISCÍPULOS-MISSIONÁRIOS 1. Ministério da Palavra (Anúncio da Fé) 21. “Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva.” (Bento XVI DCE, n. 1) Por isso, na vida da Igreja Diocesana, faz-se urgente o anúncio da Palavra de Deus, pois é por ela que se tem acesso à fé e à salvação, no conhecimento de Jesus Cristo, Verbo Encarnado de Deus. Uma base importantíssima para qualificar o anúncio da Palavra é a formação bíblica: Leitura Orante da Bíblia, Círculos Bíblicos e Iniciação Cristã (nos mais variados níveis). 22. É irrenunciável uma renovada valorização do ministério da catequese, em vista do fortalecimento do anúncio da Palavra. A catequese “fortalece a conversão inicial e permite que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão em meio ao mundo que os desafia” (DA n. 278). Nesse contexto a catequese adquire fundamental importância, não se limitando apenas às crianças e aos jovens, mas permeando toda a vida eclesial; atentos à realidade urgente da catequese adulta com adultos. Por isso, é necessário considerar que o ministério da catequese não se restringe apenas à catequese regularem preparação aos sacramentos: nesse ministério estão inseridos como verdadeiros catequistas os animadores de grupos, seja nas pastorais, seja nos Círculos Bíblicos. “Para isso é necessário desenvolver em nossas comunidades um processo de iniciação na vida cristã que começa pelo querigma e que, guiado pela Palavra de Deus, conduz ao encontro pessoal, cada vez maior, com Jesus Cristo” (DA n. 289). Importante é ainda frisar que a Palavra é anunciada e acolhida de maneira toda especial no apreço pela celebração litúrgica. 23. Por fim, o anúncio da Palavra se dá de maneira mais explicita pela pregação. Por isso é necessário renovar o espírito que nos move em todas as instâncias de anúncio das verdades da fé: encher-nos assim de fervor, gratidão e alegria no referido anúncio. 2. Ministério da Liturgia (Celebração da Fé) 24. A ação evangelizadora da Igreja tem como lugar central a vida litúrgica, visto que ela é “o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte donde emana toda a sua força” (SC n. 10). Na vida litúrgica “o discípulo realiza o mais íntimo encontro com o seu Senhor e, dela, recebe a motivação e a força máximas para sua missão na Igreja e no mundo.” (DGAE n. 67). Como celebração do mistério pascal – paixão, morte e ressurreição de Cristo – a ação litúrgica é, pois, ação comunitária do povo batizado que celebra de “maneira ativa, consciente, plena e frutuosa” (cf. SC n. 14). A participação de todo o povo na vida litúrgica é, como nos diz o Concílio, direito e dever, pois nela se glorifica a Deus e se recebe, de antemão, a salvação. 25. Para que se alcance tal meta de participação litúrgica é necessário renovar a maneira de agir da Igreja, permeando toda a sua ação pastoral da dinâmica celebrativa (Catequese, formação Bíblica e ação social) mistagogia visando assim a valorização da própria vida litúrgica. Desse modo, a celebração dos sacramentos deve adquirir importância fundamental na caminhada da Igreja, pois são canais privilegiados da graça de Deus nas diversas etapas e circunstâncias da vida. Também a valorização do domingo não é mera conveniência social, mas diante da vida sacramental deve ter importância máxima como o Dia do Senhor, o dia de Cristo, o dia da Igreja, o dia do Homem e o dia dos Dias (cf. João Paulo II DD). No decorrer do ano litúrgico, a celebração do mistério pascal torna-se um caminho espiritual que proporciona a vivência da graça própria de cada aspecto do mistério de Cristo, presente e operante nas diversas festas e nos diversos tempos litúrgicos, com efeito, as celebrações ao longo do ano litúrgico “têm força sacramental e especial eficácia para alimentar a vida cristã.” (cf. Paulo VI NUALC n.1) 26. A liturgia é ainda enriquecida pela experiência celebrativa que o povo de Deus realiza na sua vida. Assim, a piedade popular, nas mais variadas expressões, deve ser valorizada, pois traz consigo a maneira simples do povo expressar a sua fé e o compromisso missionário. 27. Também é importante ressaltar o valor da música litúrgica ou ritual na ação celebrativa da Igreja. “Ela tem a especial capacidade de atingir os corações e, como rito, grande eficácia pedagógica para levá-los a penetrar no ministério celebrado. Para isso, ela precisa estar intimamente vinculada ao rito, ou seja, ao momento celebrativo e ao tempo litúrgico”. 28. A organização do espaço litúrgico tem a grande missão de ser promotora do encontro da Igreja na celebração da fé entre as pessoas e com Deus. Tem também como missão expressar o evento salvífico que ali acontece. Por isso o espaço deve ser funcional, estar a serviço da liturgia e contribuir para que a Igreja celebre e se manifeste como povo sacerdotal ministerial, congregado e convocado por Jesus Cristo. Para isso muito contribuem a beleza, a dignidade e a simplicidade, as quais devem estar em sintonia com a beleza do mistério pascal de Cristo. 29. Por fim, é preciso priorizar a organização e a formação de equipes de liturgia em todos os níveis da Pastoral Litúrgica. Ela compreende todos os esforços e iniciativas para animar a vida litúrgica da Igreja. Por meio da Pastoral Litúrgica a missão da Igreja Diocesana de promover a participação ativa do povo de Deus torna-se real, pois através das equipes de liturgia desenvolvem-se cuidados com a preparação, realização e avaliação das celebrações, a formação dos ministros (leitores, salmistas, cantores, instrumentistas, acólitos e coroinhas, etc.) e do povo. 3. Ministério da Caridade (Vivência da Fé) 30. O Ministério da Caridade, com suas duas faces inseparáveis comunhão fraterna entre os que acolheram a palavra do Evangelho e serviço aos pobres (DGAE n. 82) é o distintivo dos cristãos. “Se as fontes da vida da Igreja são a Palavra e o Sacramento, a essência da vida cristã é o amor, o amor-doação, o amor que vem de Deus mesmo, a caridade, que o apóstolo Paulo aponta como o mais alto dos dons (cf. 1Cor 13)”. (DGAE n. 81). 31. Este ministério concretiza-se na atenção às necessidades reais das pessoas, especialmente das mais pobres do nosso tempo, os excluídos da sociedade, com atenção às novas formas de pobreza, na caridade que não é assistencialismo paternalista, mas troca mútua dos bens materiais e dos espirituais; na defesa dos direitos humanos e na participação da vida política. 32. Em vista da qualificação do ministério da Caridade a Igreja deve preocupar-se em torno da formação de pessoas em níveis de decisão: empresários, políticos, formadores de opinião. Todos os fiéis devem ser também impulsionados pelo Espírito a participar da vida política, pois a vida cristã não se expressa somente nas virtudes pessoais, mas também nas virtudes sociais e políticas (cf. DGAE n. 86). 33. A organização da Caridade tem nos leigos os seus interlocutores privilegiados, pois atuam movidos pela fé, a promover o diálogo entre a Igreja e a sociedade; para isto devem estar devidamente formados e presentes na vida pública tendo interesse pelos problemas sociais, participação em Conselhos de Direito, até a filiação a partidos e a aceitação de cargos eletivos. III. AÇÃO EVANGELIZADORA 34. A ação evangelizadora se operacionaliza pastoralmente pela presença da Igreja nos três âmbitos de ação, que constituem tanto o espaço como as realidades onde o Evangelho precisa ser encarnado: pessoa, comunidade e sociedade. Não se trata de realidades estanques e isoladas, mas interligadas e complementares. A partir destes âmbitos de ação serão indicadas pistas de ação/prioridades para a missão evangelizadora da Igreja Diocesana 1. Promover a dignidade da Pessoa 1.1. Família 35. Um olhar atento deve ser dirigido à família; “um dos eixos transversais de toda a ação evangelizadora”: patrimônio da humanidade, lugar e escola de comunhão, pequena Igreja doméstica e primeiro local para a iniciação cristã (cf DGAE n.128). 1.1.1. Pastoral Familiar 36. Constata-se que a família é ainda considerada como um valor muito importante pelo nosso povo. Por isso ela deve ser ajudada por uma Pastoral Familiar intensa e vigorosa. Ela poderá contribuir para que a família seja reconhecida e vivida não somente como lugar de sacrifício, mas de realização humana: experiência de paternidade, maternidade e filiação, despertando crescimento, maturidade e satisfação (cf. DGAE n. 129). 37. Em meio aos desafios que sofre a família nos dia de hoje cabe à Pastoral Familiar auxiliar, à luz do Evangelho, as famílias a viverem suas alegrias e dores, bem como buscar a prática efetiva dos valores cristãos essenciais à família: Celebração do Sacramento do Matrimônio, fecundidade responsável (planejamento familiar), educação da fé no interior do lar, vivência moral coerente e responsável, e inserção na vida comunitária da Igreja local. 38. É missão também de uma renovada Pastoral Familiar uma profunda e séria preparação ao Matrimônio, com catequese adulta de namorados e noivos e acompanhamento dos novos casais. Seja ainda incentivada a realização de eventos e celebrações ligadas à família: uma boa opção é valorizar a tradicional Semana Nacional da Família. Criem-se no âmbito paroquial atividades específicas que contemplem exclusivamente a participação dos homens, das mulheres e dos filhos: encontros específicos, visitas domiciliares, atividades esportivas, incentivo à oração em família e valorização da presença da família na oração litúrgica dominical, etc. 39. É ainda dever da Igreja diocesana, fazer com que os diversos serviços da Caridade estejam intimamente ligados à Pastoral Familiar, exatamente porque toda a ação da Igreja diante de qualquer situação de pobreza, exclusão, violência, machismo, alcoolismo, drogas, entre outros, deve estar alicerçada na família. Portanto, a Pastoral Social deverá, como sempre, levar em conta a vida familiar: Pastoral da Criança, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral Carcerária, Pastoral da Sobriedade e os serviços de assistência caritativos (Albergues, Vicentinos, Caritas, Creches, etc.) 1.1.2. Encontro Pessoal com Jesus Cristo 40. Diante da necessidade urgente da evangelização da família, a Igreja Diocesana tem como aliada a possibilidade de realizar no Centro Emaús, atividades que contemplem o encontro pessoal com Jesus Cristo. Tais atividades podem ser organizadas conforme as necessidades específicas da família: Retiros, Encontros de Convivência Cristã, Acampamentos para jovens, além da necessária formação de agentes da Pastoral Familiar. 41. Mesmo com as iniciativas diocesanas, às paróquias cabe a irrenunciável tarefa de priorizar toda e qualquer atividade que envolva a família e seus membros. É preciso estar atentos ao calendário paroquial, a fim de programar tais atividades e organizá-las de modo a atingir a todos: Encontros de Casais, Terço dos Homens, Hora Santa Familiar, envolvimento de casais na organização de promoções e eventos paroquiais, Encontros de Namorados, atividades esportivas e culturais em geral que envolvam as famílias (futebol, bingos, pescarias, bailes de casais, gincanas bíblicas e vocacionais, etc.). Muitas vezes será importante programar celebrações de renovação das promessas matrimoniais que possibilitem aos casais reviverem os compromissos assumidos pela graça do sacramento. Ainda, no intuito de incentivar a celebração do sacramento do matrimônio, pode ser de grande ajuda à realização dos chamados “Casamentos Comunitários” ou as “Legitimações Matrimoniais” específicas para casais que vivam juntos e, depois de acompanhados numa boa catequese com adultos, desejam celebrar a sua união sacramentalmente. 1.1.3. Serviços Específicos da Igreja à Família 42. Além das atividades acima citadas, e que são prioridades diocesanas é preciso ressaltar a importância dos serviços eclesiais existentes em nossa diocese destinados à evangelização da família: Cursilhos de Cristandade e Encontro de casais com Cristo. Bem acompanhados podem ser de grande valia na busca dos afastados e sua integração na vida comunitária, bem como do resgate da família. Tais movimentos e serviços, em sua expansão devem ser bem orientados acerca da efetiva colaboração com as comunidades paroquiais e com a Igreja Diocesana, em vista de uma vigorosa Pastoral Família. 43. Também será preciso desenvolver serviços que atinjam a realidade dos casais em segunda união. Visto que nossa ação ainda é tímida neste campo, será louvável a realização de encontros de evangelização voltados especificamente para estes casais: Encontro Bom Pastor. 2. Renovar a Comunidade 2.1. Comunidades Missionárias 44. À luz do documento de Aparecida, é preciso que nossas comunidades sejam todas, inteiramente, essencialmente missionárias. Este desafio implica a urgência de uma ação missionária (…) que passe por uma conversão pastoral, que faça a passagem de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária. “É preciso, portanto, abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favorecem mais a transmissão da fé” (DA n.172). Por isso, nossas paróquias e, especificamente os padres, devem esforçar-se por assumir e investir todas as forças (materiais e humanas) em busca de uma renovada ação missionária de conversão pastoral. 45. A conversão pastoral em vista de uma ação essencialmente missionária tem como objetivo primeiro a busca dos católicos afastados. Nesse sentido, são muito importantes os ministérios e serviços que estejam ligados à missão: visitação, animação de grupos, pequenas comunidades ou mesmo setores. 2.1.1. Setorização: Rede de Comunidades 46. “Diante da realidade desafiadora, nossas paróquias clamam por renovação e reformulação de suas estruturas, para que sejam ‘redes de comunidades’ e grupos capazes de se articular, conseguindo que seus membros se sintam realmente discípulos-missionários de Jesus Cristo, em comunhão” (DA n. 1720173). 47. O meio para se alcançar tal sonho da Conferência de Aparecida é, portanto, a “setorização” das paróquias em unidades territoriais menores. Tal caminho permite a valorização da diversidade ministerial da Igreja, em suas realidades próprias, proximidade com as pessoas, diálogo, intercâmbio, em vista do êxito de uma pastoral orgânica e de conjunto. 2.1.2. Pequenas Comunidades 48. As pequenas comunidades, também conhecidas como grupos de famílias, comunidades de base e grupos de quarteirão são a expressão mais concreta da tão desejável setorização. Articuladas entre si nos setores e em comunhão com a caminhada da comunidade paroquial ajudam a chegar a todos as riquezas do discipulado de Cristo, ao mesmo tempo em que suscitam à consciência missionária. 49. Será preciso, no processo de incentivo às pequenas comunidades observar a sua real identidade eclesial: unidade íntima entre a vida prática e a própria fé; professar a fé católica em seu conteúdo integral; comunhão sólida com o papa e com o bispo, com o pároco e seus cooperadores; participação na finalidade da missão da Igreja, que é a evangelização e santificação das pessoas; compromisso solidário na construção de uma sociedade justa e fraterna. A pequena comunidade será eixo fundamental para colher as riquezas da religiosidade popular, pela maior proximidade da Igreja com as diversas realidades (Exemplos: festas dos padroeiros, terços cantados, folias de Reis e do Divino, caminhadas e romarias, benzedeiras, etc.). É ainda na realização de encontros domiciliares que se afetiva incisiva animação Bíblico-catequético-litúrgica; para tal será importante o planejamento acerca dos subsídios próprios que animam a caminhada dessas comunidades. 2.1.3. Santas Missões Populares 50. Um caminho frutuoso para se atingir a descentralização, no modo da Igreja ser, consiste em programar e organizar de maneira sistemática as chamadas Santas Missões Populares. No entanto será preciso, de antemão, esclarecer algumas ideias equivocadas acerca do que vem a ser as referidas Missões Populares: não são uma técnica a mais para atrair as massas; não são um movimento à parte, divergentes da caminhada da Igreja local, nem um trabalho paralelo às atividades paroquiais; não são um conjunto de iniciativas pastorais decididas por um pequeno grupo e jogadas em cima do povo, num prazo curto e corrido; não são uma espécie de senso ou pesquisa religiosa no território da paróquia; não são um conjunto de palestras para corrigir normas morais; não são a solução mágica para todos os problemas pastorais e sociais; não são uma espécie de supermercado de produtos religiosos e sacramentos com promoções especiais. 51. As Santas Missões Populares constituem-se como um instrumento especial de evangelização; são uma “sacudida especial”, um momento de acordar para o ardor missionário de nossas comunidades; é um tempo especial de evangelização intensiva e extensiva; é uma experiência profunda de Deus em comunidade; são uma visita e um abraço de Deus misericordioso; é tempo eclesial para cultivo de relações pessoais; são um grande mutirão em defesa da vida de todos; é um tempo de valorização e descoberta da vida da Igreja. 52. Para sua efetivação serão necessárias muita preparação e vontade pastoral em realizá-la, respeitando a caminhada das comunidades e tendo a devida paciência diante do processo de evangelização e comprometimento das pessoas. Será importante contar com subsídios que auxiliem a preparação das Missões nas comunidades; para estudo e planejamento. 2.1.4. Intercâmbio Missionário 53. Dentro do espírito de renovação missionária das comunidades e visando à conversão pastoral, será importante a realização de intercâmbios missionários em vários níveis. A ação missionária da Igreja Diocesana precisa estar atenta aos três níveis de nossa realidade eclesial: Matriz, Comunidades Urbanas e Comunidades Rurais. Um equívoco está em pensar que nosso agir missionário deva ser menos incisivo justamente naquelas comunidades com maior dificuldade (distância, poucos recursos, minoria, periferias). A correta consciência missionária garante-nos que tais realidades precisam de nossa redobrada atenção: é exatamente nas periferias de nossas cidades e no meio rural que a Igreja tem cada vez mais perdido lugar diante de outras denominações religiosas e mesmo do mais absoluto indiferentismo religioso. 54. Um verdadeiro intercâmbio missionário deve trazer à tona as prioridades das realidades mais carentes de presença da Igreja. É preciso qualificar e intensificar os esforços da comunidade paroquial em atender religiosamente todas as suas realidades, começando pelas mais carentes: serviço litúrgico, serviços pastorais, acompanhamento das lideranças, formação, catequese sólida e planejada, etc. Tudo isso só será possível mediante uma renovada ação missionária que vá ao encontro das pessoas, famílias e tudo o que envolve a realidade das comunidades. Como proposta missionária e em decorrência das Santas Missões Populares, podem ser organizados verdadeiros mutirões missionários, de comunidades entre si e mesmo entre paróquias de nossa diocese. 55. A Igreja também deve despertar para o clamor missionário além-fronteiras, dando sua contribuição, “doando de nossa pobreza”, onde o anúncio do evangelho carece de operários. 3. Construir uma Sociedade Solidária 3.1. igreja e Convivência social 56. Diante da sociedade, a Igreja tem por missão anunciar a verdade sobre a pessoa humana, à luz do Evangelho. Por isso será importante trabalhar a reintegração da Igreja ao meio social, promovendo uma sociedade que respeite as diferenças, trabalhe em ações concretas em favor dos mais pobres e participe no compromisso social dando sua contribuição na construção da justiça e da solidariedade, em favor e em defesa da vida. Importante ainda é atentar para as iniciativas e campanhas idealizadas pela Igreja em nível nacional, as quais se concretizam na adesão efetiva de nossas comunidades: Campanha da Fraternidade, Mutirão para superação da Fome da Miséria, Semanas Sociais, Apoio a Leis contra Corrupção e Impunidade, entre outras. Será preciso pensar uma forma de fomentar estas ações com apoio e articulação diocesanos. Um ponto privilegiado de efetivação desata ações será melhorar a presença da Igreja nas escolas, envolvendo a massa jovem e professores nas referidas iniciativas. 3.1.1. Organização da Caridade 57. Em nossa diocese há várias iniciativas de ação da Igreja no campo social. No entanto, como já foi dito, nos falta uma efetiva organização da Caridade, de modo que tais ações sejam, de fato, transformadoras e resultado de uma ação organizada da Igreja. Por isso a referida organização da Caridade tem como objetivo tornar a todos missionários da caridade, porque a ética social cristã não é uma opção facultativa, mas ela é contribuição própria da Igreja para a construção de uma sociedade justa e solidária e deve ocupar lugar de destaque em nossos programas de formação e na própria pregação inspirada pelo Evangelho (cf. DGAE n. 197). 3.1.2. Projetos e Ações Sociais nas Comunidades 58. Em boa parte de nossas comunidades há projetos e ações sociais organizados, inclusive com a celebração de convênios com os poderes públicos. Tais ações devem estar de alguma forma, articuladas em nível diocesano a fim de facilitar o intercâmbio de iniciativas e ideias e mesmo a solução de problemas e solidariedade diante de realidades mais desafiadoras. Merece atenção urgente a participação de representantes da Igreja nos Conselhos Municipais de Assistência social, os quais necessitam estar bem informados e formados sobre o pensar da Igreja na Ação Social. “As comunidades e demais instituições católicas haverão de colaborar com outras instituições privadas ou públicas, com os movimentos populares e outras entidades da sociedade civil, no sentido de reivindicar democraticamente a implantação e a execução de políticas públicas voltadas para a defesa da vida e do bem comum” (DGAE n. 188). 3.1.3. Pastoral Social 59. Diante do urgente compromisso social de toda a Igreja é preciso levar em consideração a implantação da Carias Diocesana, com suas ramificações em cada paróquia, que é de grande valia para incentivar e sustentar iniciativas de solidariedade para com os mais necessitados (DGAE n. 182). É preciso superar simples gestos imediatos de doação caritativa, embora importantes e indispensáveis. Por isso a organização de uma Pastoral Social que articule as diversas forças da Igreja Diocesana no campo social irá ajudar a qualificar os trabalhos, avaliar e rever o que é preciso ser mudado e aperfeiçoado. 3.1.4. Defesa da Vida (Trabalho, Saúde, Segurança, Meio Ambiente) 60. A organização da Caridade, em nossa diocese, deverá levar em conta a questão do trabalho, da qualificação profissional, do desemprego e do emprego informal, do trabalho infantil, da prostituição, da migração, da semiescravidão e da moradia. Será preciso cobrar políticas públicas em vista da promoção humana e da justiça social, o que não nos isenta de um engajamento social, conforme as possibilidades de cada comunidade eclesial. Será importante auxiliar as pessoas no sentido de informá-las sobre seus direitos e como buscar solução adequada para seus problemas. 61. Outra realidade desafiadora é a questão dos serviços de saúde, marcada por gravíssimos problemas na organização em todos os níveis: hospitais, postos de saúde, atendimento às famílias, profissionais qualificados, remédios, equipamentos, etc. Diante disso uma efetiva Pastoral da Saúde e uma presença constante da Igreja junto a essa realidade podem ser de grande valia. 62. O compromisso da acolhida começa indo ao encontro de todas as pessoas, de modo especial, dos que experimentam alguma forma de exclusão e privações. Neste sentido, é preciso incrementar ainda mais a presença pastoral da Igreja junto aos presidiários, ajudando a dar à penalidade um caráter curativo e corretivo, visando à reintegração ao meio social, combatendo o preconceito e a discriminação (DGAE n. 181). 63. A Igreja Diocesana deve ainda não medir esforços, em conformidade com o Evangelho, em defender a vida em todos os seus aspectos. Será preciso promover a consciência de todos contra todas as formas de disseminação de uma cultura de morte: legalização do aborto, eutanásia, pesquisas científicas que atentam contra a vida. Também, diante da crescente degradação ambiental, a Igreja deve dar a sua palavra no intuito de articular forças em favor da preservação das riquezas ambientais e do desenvolvimento sustentável, visto que deles depende a própria vida humana. Há vários espaços de conscientização: catequese, pregação, presença nas escolas, encontros de Fé e Política, apoio a iniciativas de defesa da vida, etc. 3.1.5. Meios de Comunicação Social 64. “Num mundo em que valoriza sempre mais os meios de comunicação, os cristãos, individualmente, e as comunidades devem aprender a atualizá-los com mais desempenho, competência e profetismo, para o a núncio do Reino de Deus” (DGAE n. 206). Por isso, faz-se necessário que cada paróquia desenvolva meios eficazes de comunicação com seus fiéis e com a sociedade: boletins informativos (mensal ou bimestral), que poderão ser entregues nas casas através de mensageiros. É preciso também valorizar o boletim diocesano “Entre Irmãos” e o site da diocese. CONCLUSÃO 65. É chegada a hora de agradecer ao Senhor pelos passos trilhados no caminho do Reino. Diante de trinta anos de caminhada, nossa Igreja Particular deseja render ao Senhor da Messe um hino de louvor, porque, em meio às alegrias e tristezas, sofrimentos e esperanças sempre podem contar com sua presença viva e atuante. Hoje, tendo o plano em nossas mãos, sabemos que sem o socorro divino nada podemos fazer, “não daríamos frutos”. 66. É importante ter diante dos olhos a realidade desafiadora de nosso chão e, por isso, não deixar de perseguir a meta quando nos depararmos com dificuldades e resistências, que, com certeza, não serão poucas. 67. Ao terminarmos este trabalho de elaborar o plano, é de suma importância ressaltar que não se trata de cada pessoa ou paróquia “escolher” a esmo o que mais lhe agrada. Não trilhamos este longo caminho para pulverizarmos nossas ações em simples escolhas individuais. 68. Por isso, diante das prioridades levantadas – Família, Comunidades Missionárias, Igreja e Convivência Social – surgiu uma intuição de qual caminho seria melhor para colocá-las em prática. Após consulta ao Conselho de Presbíteros, ao Conselho Diocesano de Pastoral e aos Padres e às Irmãs, em vista de uma urgente renovação missionária de toda a Igreja Diocesana, chegamos a um Projeto Diocesano de Santas Missões Populares. Elas serão o meio eficaz e, oxalá, frutuoso na realização de uma verdadeira comoção missionária em vista da setorização, das pequenas comunidades, da visitação e do resgate da família. Este caminho deverá ser trilhado ao longo dos três anos de vigência deste Plano de Pastoral (2009-2011), respeitando as atividades ordinárias da Igreja Diocesana e sendo verdadeiramente assumido por todos. 69. Tendo em vista as diversas etapas a trilhar, deverá ser constituída uma Comissão Central, a qual ficará responsável de preparar e acompanhar todo o processo de realização das Santas Missões Populares. Será ainda importante elaborar um subsídio diocesano apropriado à nossa realidade, que trate da formação inicial dos agentes de pastoral e futuros missionários, além de outros subsídios próprios do processo das Missões. Vale ressaltar que, por mais que a Diocese deva encontrar seu jeito próprio de realizá-las, há que se observar e respeitar os passos necessários e etapas, a fim de não desvirtuar a identidade própria das Santas Missões Populares. 70. Por fim, rogamos ao Senhor, por intercessão de Maria, Virgem Missionária do Pai e de São José, nosso Padroeiro, que nos confirme neste propósito, seja nosso auxílio nas fraquezas, e nossa força nos momentos difíceis. Que a alegria e o entusiasmo de discípulos-missionários anime nossa Igreja a continuar entoando: “Diocese de Coxim, diga agora o seu SIM!”. CONTATO MITRA DIOCESANA DE COXIM COXIM – MS – RUA VIRIATO BANDEIRA, 834 – CENTRO – CEP 79.400-000 TELEFONES (67) 3291-1928 – CÚRIA / (67) 3291-1478 – RESIDÊNCIA EPISCOPAL e-mail: domantonino@hotmail.com site:- www.diocesedecoxim.com.br
Portfolio und diagnostik unter inklusiven gesichtspunkten institut fr sonderpdagogik – universitt koblenz-landau die anfragen werden von einer verantwortlichen person der pdagogischen hochschule kosten bachelorarbeit schreiben lassen ludwigsburg verarbeitet und vertraulich behandelt.