Discurso na Câmara

(14 – 12 – 06)

Ex. moSr. Presidente ( no qual cumprimento todas as Autoridades presentes),

Ex. moSr. Prefeito ( no qual cumprimento todos os cidadãos de Coxim),

Rev.mo Ministro Provincial (no qual cumprimento todos os Freis Capuchinhos presentes ou que trabalharam nesta nossa Região),

Com este ato queremos cumprir um dever – como coxinenses e como cristãos – de gratidão para com aqueles que foram os pioneiros da evangelização nestas nossas terras.

Quando falamos de evangelização, não entendemos uma realidade fechada nas sacristias, como se a religiosidade pudesse ser separada dos outros aspectos, que formam a vida de uma pessoa e de uma comunidade.

Evangelizar significa anunciar o evangelho de Jesus Cristo, que foi um homem perfeito; que se realizou, doando a própria vida pela humanidade. E quem o segue de maneira autêntica, se torna ele mesmo pessoa humana completa.

Os Freis Capuchinhos, quando em dezembro de 1956 ou início de 57 chegaram na nossa região, encontraram um povo, que tinha problemas na vivência da religiosidade.

E, com certeza, através da catequese, da pregação, dos encontros individuais, o ajudaram a amadurecer. É claro que o progresso cultural de um povo – a diferença do progresso econômico – é lento. Por isso, ainda hoje, encontramos elementos relatados nos livros-tombo das nossas paróquias.

Por ex. a frieza, a indiferença do povo coxinense é relatado em 1939, quando chegaram os Franciscanos, é relatado em 1956, quando da chegada dos Capuchinhos e nas Visitas pastorais do Bispo de Corumbá.

Nós sabemos que o processo de evangelização é um processo permanente; por isso, querendo seguir as pegadas dos pioneiros, estamos prosseguindo no mesmo trabalho, embora com metodologia diferente, para dar respostas às novas situações.

Nas últimas duas assembléias diocesanas, 2005 e 2006, a nossa Igreja se comprometeu a assumir com mais garra a Evangelização da Juventude. E isso em sintonia com toda a Igreja do Brasil.

E, a propósito de juventude, não podemos esquecer o trabalho de vários Freis nas escolas, como Professores e Diretores. Muitos alunos ocupam cargos relevantes na sociedade e estão fazendo tesouro do que aprenderam.

Também por este serviço à cultura, queremos agradecê-los.

Então hoje, nesta casa de leis e, amanhã, na Igreja-mãe da nossa diocese, a Catedral, queremos homenagear e agradecer aqueles que tiveram a coragem de deixar o conforto da própria terra – Rio Grande do Sul – e enfrentar dificuldades enormes aqui.

Se relata, no livro-tombo, que, quando em 1968 chegaram os Freis Tomás e Ernesto para ajudar o Frei Gilberto, não tinha lugar onde dormir; Frei Tomás se instalou na torre e Frei Ernesto na sacristia.

Os primeiros párocos foram: em Coxim, Frei Felipe de Mauricio Cardoso; em Camapuã, Frei Vicente de Mussum; em Rio Verde, Frei Nicásio de Parai.

Frei Felipe ficou pouco, só dois anos. Já em 1959 chegou Frei Gilberto de Caxias, o qual – por 10 anos – ficou sozinho, atendendo Coxim (que compreendia o Patrimônio de Pedro Gomes) e, por 2 anos, também Rio Verde.

Dele, o Frei Tomás teceu este elogio: “Sempre solícito pelo bem espiritual da população, percorreu centenas e centenas de vezes o interior da paróquia, aprimorando a prática da religião do povo. Viveu estes 9 anos sem o mínimo conforto, dando com isto ao povo um exemplo de pobreza franciscana e de espírito de sacrifício. É admirado e benquisto por todos pela sua bondade e pela dedicação ao trabalho. Sob a sua direção, foi construída a atual Matriz e as capelas de São Francisco, Aparecida, Sta. Luzia e a futura matriz de Pedro Gomes”.

Dos primeiros, está vivo no meio de nós, em Rio Verde:

Frei Otávio, que operou por 33 anos em Corguinho, atendendo o povoado que se transformaria na cidade de Rio Negro.

O Frei Carlos chegou em Coxim em 1970, tendo trabalhando, desde 1960 em Sidrolândia. Ele foi professor e diretor; muitos ainda se lembram dele com devoção e carinho.

Neste momento, não podemos esquecer os nossos primeiros 3 Bispos, todos Capuchinhos: Dom Clovis Fräiner, Dom Ângelo Domingos Salvador, Dom Osório Bebber.

Cada um, com os seus carismas, construiu um pedaço de história nestas terras.

Os três estão no Rio Grande do Sul: Dom Clovis em Marau, trabalhando na formação; Dom Ângelo, bispo de Uruguaiana e Dom Osório em Vacaria, trabalhando na Rádio.

A eles o nosso agradecimento.

No hino da nossa diocese, uma estrofe diz: “a lembrança do passado faz cantar com gratidão – rede em águas mais profundas faz lançar com mais paixão”.

Nós queremos continuar nas pegadas dos primeiros, autênticos pioneiros e imitar

a coragem em enfrentar as dificuldades – a capacidade de aceitar a pobreza efetiva –

a simplicidade no atendimento ao povo.

As situações hoje são diferentes, mas os valores vivenciados até agora são ainda válidos.

A Província capuchinha do Brasil Central está ampliando o seu raio de ação, indo para o Tocantins. É a sua vocação missionária; como aconteceu 50 anos atrás, do Rio Grande do Sul até aqui, agora daqui pra cima.

Nós elogiamos este espírito missionário, mas também queremos dizer que precisamos que o espírito franciscano esteja presente nas nossas comunidades. Todas as paróquias foram atendidas por eles, portanto a semente franciscana está presente e deve continuar a estar presente, porque Francisco e Clara são patrimônio da Igreja.

Queridos Freis, obrigado por tudo que vocês fizeram aqui na nossa região, que agora é a diocese de Coxim. Deus os abençoe com numerosas e santas vocações, para poder continuar a servir o povo, aonde precisar.

E nós, que formamos o povo de Coxim, não sejamos de memória curta, esquecendo o nosso passado, mas sejamos reconhecidos e levemos adiante com afinco o trabalho de evangelização, iniciado pelos filhos de Francisco de Assis.
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